Entrevista

Entrevista: Adriana Alves

“Público sempre espera violência em filmes brasileiros”, diz Adriana Alves

Atriz está em cartaz com “As 12 Estrelas” e “O Último Voo do Flamingo”

Neto Lucon da Container Conteúdo

Brasileiríssima, Adriana Alves chama atenção toda vez que sua bela imagem estampa nas telinhas. Seja pelo sorriso largo, corpo escultural, ou pelo talento que a fez estrelar grandes novelas como “Duas Caras” e “Celebridade” (Rede Globo), a atriz sempre causa comentários quando está em cena.

Afastada dos folhetins desde 2007, a artista apostou na sétima arte e, em 2009, esteve no longa “Besouro”, onde pintou os cabelos de loiro e interpretou Oxum. Atualmente está em cartaz com dois filmes: um brasileiro e outro com produção de Moçambique e Portugal.

No místico “As Doze Estrelas”, do diretor Luiz Alberto Pereira, Adriana interpreta a sagitariana Walquíria Passos, que entra na trama para apaziguar as brigas de Herculano (Leonardo Bricio), um astrólogo que tem a função de compor um elenco de uma grande novela baseado nos 12 signos.

Já em “O Ultimo Voo do Flamingo”, produção que une Moçambique, Brasil e Portugal, Adriana é uma das protagonistas que vivem em Tizangara, interior de Moçambique, região marcada por conflitos históricos e de riqueza cultural. É baseado na obra de Mia Couto.

Com exclusividade ao Yahoo, a atriz fala sobre as produções, signos, cinema brasileiro, Moçambique, culinária, e negras na Playboy. “A revista é inteligente e quer mulher bonita. Então se deram 8 capas com mulheres negras, é porque elas foram as mais lindas de todas.”

O misticismo faz parte de toda construção da trama de “As 12 Estrelas”. Até sua escalação foi baseada por ser de sagitário. Você acredita em signos?
Cresci tendo que acreditar, pois meus pais eram aqueles que não saíam de casa sem saber o que zodíaco dizia. De alguma maneira eu absorvi isso, acredito que o signo tem a ver com algumas coisas da personalidade, mas não em tudo. Não vivo em função dele. Caso folheie uma revista e meu signo está em destaque, vejo, mas não vou procurar.

Sua personagem, assim como você, é de sagitário. O que poderia falar sobre a semelhança entre vocês?
O lado bom é o otimismo, a alegria, o alto astral. O sagitariano gosta de fazer reunião de amigos, é até exagerado porque está sempre com pique (risos). E o lado ruim é sempre dizer coisas certas na hora errada. Nem sempre as pessoas gostam de ouvir. Tive muitos problemas na adolescência. Mas mudou depois dos 25 anos.

Na estreia em Paulínia, em 2010, o filme foi duramente criticado. O que pensa sobre isso?
As palavras vieram de um crítico que assistiu, não gostou e falou o que queria. Acho que ele só falou daquela maneira porque na época o filme não tinha muito destaque, aquele apelo de mídia, e era feito por um diretor iniciante. Caso fosse um diretor premiado, duvido que ele usaria as palavras que usou. A gente vê tantos filmes elogiados que, ao ver o roteiro, você não acredita que fez sucesso.

O que achou de “As 12 Estrelas”?
É um bom filme, totalmente lúdico. Mas acredito que as pessoas e muitos críticos estão acostumados com a violência dos filmes brasileiros, querem ver a qualquer momento um assassinato com um tiro no pescoço. É o que os filmes dos últimos anos traz, é esse lado do Brasil, e as pessoas estão acostumadas.

O “Último Voo do Flamingo” é totalmente diferente de “As 12 Estrelas”...
É completamente diferente! Para começar, é uma produção de Moçambique com Portugal. Gravei com uma atriz portuguesa e um ator italiano. Então cada um contribuiu com seu sotaque, com a sua técnica diferente. Tivemos uma dinâmica boa. Até porque cinema é diferente de novela, você tem mais tempo para trabalhar a cena. Não é aquela coisa: “gravou, tá pronto!” Com o diretor também não teve estresse. A gente discutia a cena até fora do set. Para o ator que busca a perfeição isso é valiosíssimo.
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O que poderia falar de Moçambique?
É muito quente e nós pegamos um verão de temperatura muito alta. Considero um lugar incrível, com pessoas maravilhosas, com uma culinária muito boa, com possibilidades de qualquer pessoa morar. Conheci pessoas com quem mantenho amizade até hoje.

Você continua casada com o chef Olivier Anquie?
Ah, sim! (risos) Muito bem casada!

Chegou e levar alguma coisa da culinária de Moçambique para ele?
Não. E ele ainda não conhece a culinária. Talvez vamos para lá nas férias, afinal os frutos do mar são realmente deslumbrantes. Lá eles comem camarão à vontade, é uma culinária rica em peixes, frutos do mar. Eu provei um prato de caranguejo que parece muito com a moqueca. É um sabor incrível!

Não vemos você no carnaval desde 2008, quando foi madrinha de bateria da Pérola Negra. Não pensa mais em voltar?
Decidi que não vou mais desfilar desde aquele ano. É que tudo tem um começo, meio e fim. Já estava dando a hora de parar. Fui madrinha de bateria da Perola Negra, então é melhor terminar por cima da carne seca, do que em baixa. (risos) Mas continuo assistindo, tenho amizade com membros da escola e torço por ela.

Posaria nua?
Não, é fora de cogitação. Sou leitora de Playboy, mas acho que um ensaio de capa não agregaria em nada na minha vida. Eu vejo que o discurso das últimas capas é “quero comprar uma casa”. Então estou ótima do jeito que estou.

Na atual capa da Playboy temos ex-bbb Jaqueline, que é negra. Se contabilizarmos todas as capas com negras darão apenas 8. Acha que existe preconceito?
Não. A revista é inteligente e quer mulher bonita. Então se deram 8 capas com mulheres negras, é porque elas foram as mais lindas de todas. A primeira que vi foi com a Isabel Fillardis, que fez uma das edições mais lindas da história da Playboy. Também achei linda a da Juliana Alves, que é minha amiga, e da Jaqueline. Eles foram inteligentes em colocar elas. Até porque não adianta querer colocar uma japonesa horrível só porque é japonesa.

Além dos dois filmes, o que podemos esperar de você?
Estou preparando uma comédia com a atriz Ana Paula Vieira, mas é só para o ano que vem. Caso surja algo no meio do caminho – uma novela, seriado, participação - vou abraçar sem moderação (risos).

About Neto Lucon

Jornalista. É formado pela Puc-Campinas e pós-graduado em Jornalismo Literário pela Academia Brasileira de Jornalismo Literário. Escreveu para os sites CARAS Online, Virgula e Estadão (E+), Yahoo!, Mix Brasil, no jornal O Regional e para a revista Junior. É autor do livro-reportagem "Por um lugar ao Sol", sobre pessoas trans no mercado de trabalho. Tem quatro prêmios de jornalismo, sendo dois voltados para as questões trans, Claudia Wonder e Thelma Lipp

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