Pop & Art

Entrevista: Vanessa de Oliveira

Ex-garota de programa diz que nasceu para escrever

Neto Lucon (Metrópole Cultural/ 2010)

Vanessa de Oliveira transformou sua vida em 2003, quando começou a escrever um diário pessoal. Na época, ela estudava enfermagem, cuidava da filha pequena e... trabalhava como garota de programa.

Sete anos depois, podemos dizer que a vida de Vanessa realmente mudou: lançou três livros (incluindo seu diário), uma coleção de lingerie, documentários e, longe de preconceitos, até se arriscou em um longa erótico.

Em entrevista ao Metrópole Cultural, Vanessa de Oliveira fala sobre a arte de escrever, a admiração pelo romancista alemão Charles Bukowysk , leitoras traídas e revela se “todos os homens são iguais”. Leia:

Durante o trabalho como garota de programa, o que te motivou a escrever?
Antes eu imaginava que era uma fuga, um desabafo para amenizar as experiências marcantes e hilárias do dia a dia. Hoje penso que aqueles escritos eram impulsos da minha missão. Cada um tem uma função na vida. E a minha é escrever, relatar o lado oculto e fazer com que as pessoas reflitam. Mesmo que eu fosse uma freira, ainda assim seria escritora. E olha que fui criada na Igreja Católica e a vida toda estudei em colégio de freira, ou seja, isso não seria tão surreal na minha vida.

O que você costuma ler? Quais estilos você mais gosta?
Por muito tempo não li nada. Parecia chato e cansativo, principalmente aqueles que mandavam ler na escola. Depois que publiquei o “Diário de Marise, um leitor me disse: “Você precisa ler Bukowysk. Vocês tem um estilo semelhante”. De curiosa fui lá e peguei um livro e adorei. Comprei vários. Aqui em casa tem uns 14 livros dele na estante. Li 6 até agora. Aliás, a única coisa que coleciona na vida são livros do Bukowysk. Aquele cara indecente, imoral, bêbado e sem um pingo de vergonha na cara, que escrevia de uma maneira desprentenciosa e espontânea.

De onde tirou a habilidade para a escrita, já que seus livros são escritos por você (ao contrário das que contam a história para um escritor)?
É nato. Ponto final. Está em mim, nasceu em mim e é mais forte do que eu.

Esse é o quarto livro. Como as pessoas recebem o seu trabalho?
Recebem muito bem. Aliás, o sobre traição tem uma aceitação incrível porque realmente ajuda muitas pessoas. Em uma de minhas palestras, uma mãe me procurou porque sua filha havia tentado suicídio duas vezes após o marido sair de casa e deixá-la com os três filhos. Essa mãe levou o livro para a filha e eu fiz uma dedicatória a ela, pedindo que ela só tentasse se matar novamente depois de chegar até a última página do livro. Dias depois ela me escreveu, contanto que não faria mais porque o livro havia lhe ajudado, que ela tocaria sua vida pra frente sem olhar para trás.
"É importante fazer a seleção de homens. Alguns
querem relacionamentos monogâmicos".

Mas nunca enfrentou preconceito por ser uma escritora ex-garota de programa?
Olha, tem gente que não encosta nos meus livros. Dizem que é coisa do diabo (risos).

Sobre “Ele te traiu? Problema dele!”, o que diria para as mulheres que foram traídas? Você ainda acredita nos homens?
Sim, acredito nos homens. Até porque estou namorando um. Digo às mulheres que nem todos os homens são iguais. Existe, sim, aqueles que querem viver um relacionamento da mesma forma que elas imaginam. É por isso que a seleção é importante. Temos que aprender a fazer a seleção de homens. O segredo é esse: seleção, ver os pré-requisitos. Se elas não fizerem uma seleção de pré-requisitos, qualquer homem poderá entrar em seus corações. E no livro eu explico direitinho como fazer e como descobrir.

Diário de Marise? 100 segredos? Seduzir Clientes? Ou Ele te Traiu? Qual é o seu livro preferido? Por que?
Diário de Marise. Eu amo. Ele é único. Ele pode não ser o melhor livro, mas tem um diferencial: traz muitas lições de vida nas entrelinhas.

About Neto Lucon

Jornalista. É formado pela Puc-Campinas e pós-graduado em Jornalismo Literário pela Academia Brasileira de Jornalismo Literário. Escreveu para os sites CARAS Online, Virgula e Estadão (E+), Yahoo!, Mix Brasil, no jornal O Regional e para a revista Junior. É autor do livro-reportagem "Por um lugar ao Sol", sobre pessoas trans no mercado de trabalho. Tem quatro prêmios de jornalismo, sendo dois voltados para as questões trans, Claudia Wonder e Thelma Lipp

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