Pride

Perfil: A trava anã

Vasculhando uma caixa de filmes eróticos, um título inédito caiu em minhas mãos: “A Trava Anão”. Com seios de silicone, mão na cintura, e já exibindo o órgão masculino - que certamente surpreende por seus 1,40m - Ruby Navarro, de 24 anos, era capa do curioso filme distribuído pela Ícaro Studios.
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Dois anos atrás, ninguém diria que a pequena pernambucana seria travesti, muito menos que trabalharia no mercado do sexo. Era um anão tímido, bem quieto, que tentava sobreviver como cabeleireiro e se arriscava nos shows de drag queen. Seu sonho era ser famoso, porém o tamanho ínfimo impossibilitava-o de encontrar grandes oportunidades nos palcos e salões de beleza.
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Até que inesperadamente recebeu a primeira proposta para estrelar um pornô. “Morri de rir”, declara a travesti, que na época sequer ostentava próteses de silicone. Depois pensou melhor e resolveu arriscar... No primeiro filme, atuou  montada (peruca e maquiagem). No segundo, esteve como homem. Só no terceiro, A Trava Anão 2, é que Ruby decidiu se transformar completamente.
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Ela confessa que a vontade de ser trans nunca foi latente em sua vida. Tanto que concluiu os estudos como menino e não conseguia se imaginar com aparência feminina no espelho. “Antes, nunca quis ser travesti porque imaginava que seria ridícula, que teria vergonha. Anão e ainda por cima travesti? Mas sempre admirei a feminilidade das minhas amigas, como a Natasha Dumond, Hilda Brasil. Como homem, sabia que faltava algo”, enfatiza.
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Após as intervenções estéticas e próteses de silicone, Ruby começou a sofrer preconceito e agressões no Brasil. Desiludida, decidiu ir à Espanha e, por chamar muita atenção (claro!), foi descoberta e deportada por duas vezes. “Na terceira consegui ficar e, juro, nunca sofri preconceito dos espanhóis.A Espanha é um país respeitoso, ao contrário do Brasil”, diz ela, demonstrando certas marcas por nossas terras.
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Preconceito... Se uma travesti, uma negra e uma anã sofrem preconceito isoladamente, imagine englobar essas três características em uma pessoa só? Mas ela garante que hoje em dia sabe como ninguém driblar a chacota. “Se vejo alguém tirando sarro de mim, dou risada junto com todos os preconceituosos e ainda falo: Antes de me criticar, tente me superar”, desafia.
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Sobre ser anã, ela diz que o fato de ter 1,40m não é mais um problema. “Nada é difícil e complicado. Quando vou fazer algo, tudo é do meu jeito, da minha maneira”. Sobre a profissão do sexo, a travesti afirma que “só é puta quem quer”. Já sobre o passado e tudo o que viveu nesses dois anos... “Agora você me pegou de surpresa. Talvez eu não enfrentasse tudo outra vez, não. São muitas barreiras, preconceitos, inimizades, inveja. O lado positivo é que descobri que, ao contrário daquele anão tímido, sou muito mais corajosa que imaginei um dia”.


About Neto Lucon

Jornalista. É formado pela Puc-Campinas e pós-graduado em Jornalismo Literário pela Academia Brasileira de Jornalismo Literário. Escreveu para os sites CARAS Online, Virgula e Estadão (E+), Yahoo!, Mix Brasil, no jornal O Regional e para a revista Junior. É autor do livro-reportagem "Por um lugar ao Sol", sobre pessoas trans no mercado de trabalho. Tem quatro prêmios de jornalismo, sendo dois voltados para as questões trans, Claudia Wonder e Thelma Lipp

3 comentários:

Anônimo disse...

que gata

TioOrlando disse...

peitos da hora hein eu ia

Vanderley disse...
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