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A última missão da mãe de Cazuza

"Este livro é a minha última missão", afirma Lucinha Araújo. (foto: Neto Lucon)
Neto Lucon, da Container Conteúdo (Yahoo!)
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Mãe de um dos maiores ícones da música no Brasil, Lucinha Araújo procura há 20 anos transformar sua dor em amor. No comando da Sociedade Viva Cazuza, no Rio de Janeiro, ela ajuda crianças e adolescentes portadores de HIV a encontrar a consciência, tratamentos e auto-estima para uma vida feliz.

Todo o trabalho virou livro e, em “O Tempo Não Para – Viva Cazuza” (Editora Globo), ela conta histórias marcantes dentro da ONG, fala sobre a superação de algumas crianças e, claro, de momentos não conhecidos sobre a vida do cantor. Os cantores Frejat, Sandra de Sá e Ney Matogrosso também dão seus depoimentos na obra.

Na noite chuvosa de terça-feira, 7, a autora lançou a o livro na Livraria Cultura, em São Paulo, e recebeu dezenas de fãs, além de famosos como a atriz Adriana Lessa. Com sorriso tímido, roupa pretas e colar de pérolas, Lucinha afirmou que este será seu último trabalho sobre o filho: “Não vou lançar mais nada. Esta é a minha última missão”.

“ONG ME AJUDA A VIVER”
Aos 75 anos e ainda com muitas saudades de Cazuza, ela diz que o contato com crianças e adolescente com HIV a ajuda a viver desde a morte do filho. “Foi minha salvação. Não sei o que seria de mim. Faço esse trabalho para continuar vivendo”, afirmou.

Segundo Lucinha, o trabalho é diário e prazeroso. “Vou lá todos os dias. Acompanho até o trabalho na escola. Se o rendimento não vai bem, falo que o HIV não influencia no desempenho escolar. O primeiro que entrou na ONG é meu afilhado, está estudando e tem 18 anos. É um orgulho”, disse.

Ao ser perguntada sobre futuros trabalhos, Lucinha provocou tristeza nos fãs. “Esse livro encerra uma trilogia. No primeiro ("Cazuza, Só As Mães São Felizes"), botei para fora tudo o que estava engasgado. O segundo ("Cazuza, Eu Preciso Dizer que Te Amo"), era para passar a carreira dele a limpo. Este novo é para mostrar como passei 21 anos sem ele”, explica.

A autora também afirmou que está sempre na companhia do cantor e comentou sobre a dificuldade de sustentar a ONG. “Vivemos dos direitos autorais do Cazuza, mas a internet e a pirataria nos fazem viver apertados. A venda deste novo livro deve trazer um alívio”, acredita.

NOVAS GERAÇÕES E UM LP
Na extensa fila de fãs que aguardavam por um autógrafo, misturavam-se gerações: jovens, idosos e até um bebê. Palloma Mendes, de 17 anos, por exemplo, recebeu uma surpresa promovida pela mãe.

Sabendo que a filha é fã de Cazuza desde 2004, ela resolveu levá-la ao lançamento sem contar que Lucinha estava lá. Ao chegar, a jovem não conteve o choro ainda na fila. “Ela merece todo o amor do mundo. Não tenho palavras para dizer o que estou sentindo”, afirmou a jovem, enaltecendo o trabalho na Sociedade Viva Cazuza.

Lucinha também foi surpreendida ao receber um LP da década de 80, período em que se arriscou como cantora e virou tema da novela “Água Viva”. “Você desenterrou isso. Esse disco tem mais de 30 anos”, soltou ao auxiliar administrativo Marcelo Linardi, de 24 anos.

Para ele, foi emocionante conhecer a mãe de seu maior ídolo e dar um DVD com quatro músicas que cantou. “Ela é muito simpática, atenciosa. Espero que ela veja mesmo”, disse.

A atriz Adriana Lessa, que atualmente está na reprise da novela “O Clone” (Rede Globo), também foi ao lançamento. “Acompanho a trajetória do Cazuza, que sempre tocou a todos nós. E também considero o trabalho da Lucinha maravilhoso. Amor que se transforma em dor. Dor que se transforma em amor. É uma história muito bonita”, disse.

O “Tempo Não Para - Viva Cazuza” tem 250 páginas e custa R$39,90.

About Neto Lucon

Jornalista. É formado pela Puc-Campinas e pós-graduado em Jornalismo Literário pela Academia Brasileira de Jornalismo Literário. Escreveu para os sites CARAS Online, Virgula e Estadão (E+), Yahoo!, Mix Brasil, no jornal O Regional e para a revista Junior. É autor do livro-reportagem "Por um lugar ao Sol", sobre pessoas trans no mercado de trabalho. Tem quatro prêmios de jornalismo, sendo dois voltados para as questões trans, Claudia Wonder e Thelma Lipp

1 comentários:

Anônimo disse...

Desde quando me intedo por gente que sou fã e amo as musicas de cazuza,ele pra sempre vai tar em meu coraçao gostaria muito de ter a oportunidades de conheçer a fundaçao...
Ja tenho os outros livros embora falta o "tempo noa para "de fato nao para mesmo Lucinha obrigado por manter vivo o nosso idolo.
beijosssssssss

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