Entrevista

Bruna Lombardi e Carlos Alberto Riccelli

"A felicidade está onde você está", diz Bruna
"Sou muito engraçada"
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Neto Lucon, Especial para o Virgula
(Clique aqui e veja entrevista no site Virgula)

Quem assistiu ao drama O Signo da Cidade (2007) vai se surpreender com a atuação inesperada de Bruna Lombardi no longa Onde está a Felicidade?, dirigido pelo marido Carlos Alberto Riccelli. Pela primeira vez, a atriz embarca na busca pelo autoconhecimento e investe no humor.

"Bruna é muito engraçada na vida real, mas não basta isso para convencer. Para fazer as pessoas realmente rirem, tem que ser comediante. E Bruna é uma excelente comediante", garantiu Riccelli em entrevista ao Portal Virgula, durante a pré-estreia do filme, na noite do dia 9.

No longa, a atriz encarna a apresentadora de televisão Teodora, que descobre a traição virtual do marido Nando (Bruno Garcia) e, desolada, parte em uma viagem hilária rumo à felicidade. Como? Percorrendo o Caminho de Santiago de Compostela, na Espanha.

Em entrevista, Bruna e Riccelli contaram detalhes do filme e revelaram os bastidores da produção que estreia nesta sexta (19):



VIRGULA: Depois de um filme tão dramático e denso como O Signo da Cidade, vocês trazem uma produção que transborda comédia. É meio inesperado, não?

BRUNA: A opção foi justamente em decorrência do "Signo". A gente quis fazer um trabalho que recuperasse o humor, que as pessoas rissem depois de terem chorado tanto. Como você disse, o "Signo" foi um filme muito denso, muito tenso e muito feliz. Ganhamos 10 prêmios aqui e fora do Brasil e todas as plateias estavam muito comovidas, chorando. Então, é a hora de fazer as pessoas rirem, de fazê-las felizes.

RICCELLI: É importante dizer que muitas vezes o drama é positivo também, ele é catártico, você chora, mas depois fica leve.

VIRGULA: Nessa transição, achou complicado investir no humor?

RICCELLI: A comédia é positiva, pois ela desarma o telespectador. Ela causa identificação na cena, no personagem, na história. Vendo as barbaridades dos personagens, que metem os pés pelas mãos, mas sempre querendo acertar, isso causa proximidade e torna-se engraçado. A gente é humano, erra muito, então quando nos identificamos com os erros dos personagens passamos a rir dos nossos próprios erros. Rimos e entendemos aquilo que a gente faz no cotidiano.

VIRGULA: Bruna foi uma surpresa na comédia. Você é engraçada na vida real?

Entrevista foi home do UOL.
BRUNA: Sou muito engraçada na vida, meus amigos sabem disso, mas nunca tinha mostrado para o público. As pessoas estão reagindo super bem, elas gargalham, aplaudem. Senti pelas duas exibições abertas ao público. Considero então missão cumprida.

RICCELLI: Bruna é engraçada o tempo inteiro. Já conhecia esse lado dela, claro, pois vivo com ela. Mas não basta ser engraçada para fazer as pessoas rirem. Tem que ser uma boa comediante, convencer. E posso garantir que ela é uma comediante. Ela é uma excelente comediante.

VIRGULA: O filho de vocês, Kim Ricceli, também está no filme. É mais fácil trabalhar em família?

BRUNA: Nem sempre. A gente passa junto dia, tarde e noite... Muitas vezes estamos em um lugar e acabamos discutindo uma cena. Então, dessa forma, o trabalho faz parte do nosso cotidiano e da nossa intimidade. Porém, o filme depende de muita gente, de toda a equipe, não só de nós. O filme, na verdade, é de todos, pois todos são fundamentais. Conseguimos estender essa cumplicidade que temos entre a gente para todos os que estão envolvidos. Então, vira uma família só, uma grande família.

VIRGULA: Como surgiu a ideia de trazer o Caminho de Santiago de Compostela para o filme? Já tinha feito a peregrinação antes?

BRUNA: Não, antes não. Só fui quando decidi escrever sobre ele. Inicialmente fizemos uma etapa, mas depois percorremos tantas vezes, tantas vezes, que brinco que hoje posso até ser guia (risos). A ideia surgiu porque a personagem Teodora tem um desejo de mudança, de transformação e considero esse caminho um rito de passagem, é meio que universal. Muita gente tem o sonho de fazer esse caminho um dia.

VIRGULA: O filme é muito colorido, com belas paisagens. Existe referência de Almodóvar?

RICCELLI: A gente sempre soube que queria fazer um filme muito colorido, que tivesse um realismo além do realismo. E é claro que, por se passar na Espanha, as pessoas pensam logo de cara no Almodóvar. Mas não foi consciente, a gente queria fazer um filme luminoso, colorido. O engraçado é que quando mostramos para nosso produtor da Espanha ele falou: "Nossa! Que filme com cores tão brasileiras" (risos).

VIRGULA: Bruna, o filme foi escrito por você, mas ao contrário da sua trajetória bem sucedida - profissional e familiar – a personagem principal sofre com uma traição do marido e o fracasso de um programa de televisão. Como construiu a Teodora?

"Felicidade é fazer os outros felizes"
BRUNA: Sou muito curiosa com as personagens que construo, elas me levam, elas me interessam... Como adoro gente, o ser humano, escrevo para as pessoas e sobre elas. Acho que a Teodora tem um misto de todas as mulheres, e acho que todo mundo se identifica. Há muita cumplicidade, inclusive dentro do universo masculino. Também brinco com as diferenças entre os sexos. Será que essas duas criaturas tão diferentes – homem e mulher – se entendem?

VIRGULA: Uma das perguntas geradas pelo filme é: "sexo virtual é traição?". Para você é?

BRUNA: Esta é a grande pergunta, polêmica por aí... Estou lançando a polêmica, não respondendo (risos). A traição para a Teo acaba culminando na busca de si mesma. As pessoas ficam confusas por várias razões, e o interessante da traição do filme é que causou polêmica. A pergunta está no filme e vamos ver o que cada um responde. Eu não vou responder.

VIRGULA: Mas se arrisca a responder Onde está a Felicidade?

RICCELLI: A felicidade está onde a gente está, sempre. Todos nós somos felizes e temos vocação para ser felizes, a gente só precisa olhar para dentro, e principalmente para o outro, fazer bem para o outro. Não existe coisa mais gostosa que ver e deixar alguém feliz. Então, a felicidade está onde todos estão felizes.

BRUNA: É preciso lembrar que a felicidade existe, e tentar trazer ela para cá, agora. Não devemos acreditar que ela está ali em um lugar onde não estamos. Uma das frases do filme, que é uma frase que todo mundo já conhece e que eu gosto muito, é: "Dizem que não existe caminho para a felicidade, que a felicidade é o caminho".

About Neto Lucon

Jornalista. É formado pela Puc-Campinas e pós-graduado em Jornalismo Literário pela Academia Brasileira de Jornalismo Literário. Escreveu para os sites CARAS Online, Virgula e Estadão (E+), Yahoo!, Mix Brasil, no jornal O Regional e para a revista Junior. É autor do livro-reportagem "Por um lugar ao Sol", sobre pessoas trans no mercado de trabalho. Tem quatro prêmios de jornalismo, sendo dois voltados para as questões trans, Claudia Wonder e Thelma Lipp

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