Pride

Dindry Buck detona o preconceito

"Imagina se deparar com uma travesti
ou uma drag na revista de nu mais
famosa do Brasil?"
"Playboy deveria incluir travestis e drags".
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Por Neto Lucon
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A TV Cultura exibe nesta segunda-feira, (29), às 20h40, a série Reis da Rua, projeto que apresenta personalidades da periferia de São Paulo que se destacam. Entre elas está a drag Dindry Buck, personagem do ator, publicitário e jornalista Albert Roggenbuck, que ministra oficinas sobre sexo seguro e montagem.
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Figura conhecida da comunidade LGBT, Dindry já participou de diversos programas de televisão. Tanto que foi a primeira drag queen a participar de um reality show no Brasil – o “Tá na Mão”, exibido pela Band, em 2004. Neste ano, foi maquiadora de um quadro do programa “Manhã Maior” (Rede TV!).
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Empolgada com a série – que terá depoimentos de militantes, autoridades, amigos e colegas de profissão - Dindry conversou com o Virgula LifeStyle (clique aqui e veja a matéria no Virgula) e deu sua opinião sobre vários assuntos envolvendo a diversidade sexual. Leia e veja o que se esconde debaixo de uma exuberante peruca:



JAIR BOLSONARO
(Deputado federal Jair Bolsonaro (PP-RJ) vai à mídia e ganha popularidade ao fazer declarações contra comunidade LGBT e o kit contra homofobia. Entre elas: “prefiro um filho morto que veado”, “Após união gay, vão querer legalizar a pedofilia” e “vizinho gay desvaloriza imóvel”.)
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“Infelizmente ele fala o que muitos preconceituosos falam no dia a dia. Não é à toa que foi eleito, afinal muitos compactuam de suas idéias bizarras. Bolsonaro é uma caricatura de parlamentar, suas ações de forma caricata reflete sua essência”.
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BEIJO EM NOVELA. SÓ LÉSBICO PODE?
(Em maio, é exibido o primeiro beijo lésbico da televisão brasileira na novela “Amor e Revolução” (SBT), entre as atrizes Luciana Vendramini e Giselle Tigre. Em contra-partida, o beijo gay masculino é censurado na emissora e segue censurado na Globo e Record.)
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Infelizmente vivemos em uma sociedade machista latina em que a mulher ainda é vista como “objeto” e submissa aos caprichos masculinos. Entre duas mulheres, tudo é permitido quando se trata da fantasia masculina. Não é à toa que o primeiro beijo na TV foi entre duas mulheres. Existe fetiche mais excitante para um macho?
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Matéria foi destaque no Virgula LifeStyle
UNIÃO CIVIL APROVADA
(Em maio, por unanimidade o STF reconhece a relação entre pessoas do mesmo sexo, garantindo direitos, como a partilha de bens. Muita gente confundiu com casamento gay.).
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Infelizmente, alguns políticos e formadores de opinião querem que a união civil seja confundida com o casamento gay para gerar mais preconceito e não ser aceita por muitos que se dizem religiosos e são super conservadores.
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DIA DO ORGULHO HÉTERO
(O vereador Carlos Apolinário (DEM) propôs o projeto “Dia do Orgulho Heterossexual” na Câmara. Ele diz que a criação da data busca levantar o debate sobre ‘privilégios e excessos’, como a Parada Gay. O prefeito Gilberto Kassab vetou).
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Orgulho Hétero??? Criamos um dia para homenagear ou reinvindicar algo. Como a maioria dos “políticos” de nosso país se preocupa mais com coisas sem nexo do que com o essencial como a educação, saúde, moradia, nada melhor que criar o dia do Orgulho Hetero. Acorda brasileiros!
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BELEZA TRANS
(Depois de 20 anos, desde que Roberta Close tirou a roupa para uma revista masculina, a também mulher transexual Ariadna é capa de uma edição especial da Playboy).
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O que é belo é para ser visto e desfrutado. Se eu fosse editor da Playboy, ousaria mais e colocaria em alguma edição (podia ser duas vezes no ano) um ensaio com uma travesti ou drag queen. Afinal, muitos homens escondem essa fantasia no seu âmago e têm medo de assumir. Já pensou deparar-se com um ensaio desses na revista de nu mais famosa do mundo?

About Neto Lucon

Jornalista. É formado pela Puc-Campinas e pós-graduado em Jornalismo Literário pela Academia Brasileira de Jornalismo Literário. Escreveu para os sites CARAS Online, Virgula e Estadão (E+), Yahoo!, Mix Brasil, no jornal O Regional e para a revista Junior. É autor do livro-reportagem "Por um lugar ao Sol", sobre pessoas trans no mercado de trabalho. Tem quatro prêmios de jornalismo, sendo dois voltados para as questões trans, Claudia Wonder e Thelma Lipp

1 comentários:

Dindry Buck disse...

Você sempre um gentleman!
Além de ser um profissional competente e talentoso.
Sucesso sempre, meu ruivo predileto!
bzus
Sua fã...
Dindry

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