Realidade

As Griseldas da vida real

Trabalho de homem. Mãos de mulher

Trecho da reportagem do jornal O Regional sobre mulheres que trabalham em profissões conhecidas como masculinas.
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Por Neto Lucon (março de 2008)
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Assim como Griselda da novela "Fina Estampa" (Rede Globo), existem
várias mulheres que trabalham em profissões masculinas. A atriz
Lília Cabral afirmou que conhece muitas delas. 
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Atrás de um carro e com as mãos cheias de graxa, a mulher de cabelos curtos revela uma profissão pouco convencional ao universo feminino.  Luiza Barreiro é mecânica e trabalha ao lado do marido, Ricardo Donizete Lourenço, na pequena Santo Antonio de Posse, interior de São Paulo. 

Apesar dos olhares curiosos, comentários e considerar o trabalho extremamente braçal, ela garante que sente prazer em tudo o que faz. “Sempre gostei de trabalho assim, pesado. Tanto que já trabalhei na roça, posto de gasolina e como servente de pedreiro”, conta ela,

Aos 31 anos, ela é mecânica há 10 e afirma que o marido é o responsável pelo aprendizado. “Hoje sei montar direitinho o motor de um veículo. Também sei trocar óleo, filtro, soltar as rodas, tirar o câmbio. Tudo o que vier a gente aprende e faz”, diz.


Segundo Luiza, a profissão ainda é vista com maus olhos pela maioria dos homens a quem oferece o serviço. As brincadeiras são comuns, mas ela encara tudo com bom humor. “Muita gente diz ‘é você mesma que vai concertar o meu carro? Vê se não vai deixar a roda solta, hein?’, mas eu não ligo. Levo na brincadeira e até dou risada junto”.

Nas atividades domésticas, o trabalho também não é leve. Foi ela quem fez a laje da casa e até o contra-piso da mecânica. “Sei fazer um pouco de tudo. Comigo não tem tempo ruim”, afirmou a profissional, recebendo elogios do marido.  “Ela é uma mulher maravilhosa, muito dedicada, esforçada, sempre está ao meu lado em todos os momentos”, comenta Ricardo.
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O marido também garante que em casa tudo é dividido. “Assim como ela me ajuda na mecânica, eu ajudo com os serviços de casa. Em nossa família trabalhamos em equipe".
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EM CASA

Ao chegar a sua casa, depois de um dia de trabalho, Luiza ainda prepara a janta e confere as lições de casa dos filhos, Taís, de 14, e Julio Cesar, de 13. “Estudei somente até a 5ª série e sei como a escola é importante na vida de qualquer pessoa. Quero que meus filhos tenham a oportunidade que eu não tive”, reflete..
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Para Taís, o maior exemplo que a mãe deixa é a força de vontade. “Eu admiro minha mãe pelo esforço que ela tem, por fazer tudo com sorriso no rosto. É uma boa mãe, uma boa mulher, uma pessoa maravilhosa”.
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Ao escutar as palavras da filha, Luiza diz com sorriso nos olhos: “Sou muito feliz com minha família, com minha vida e com meu trabalho. Não tenho nada do que reclamar, só agradecer”.
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(a reportagem também contou com textos de outros jornalistas: uma árbitra, uma polivalente em artes marciais e uma carteira).  

About Neto Lucon

Jornalista. É formado pela Puc-Campinas e pós-graduado em Jornalismo Literário pela Academia Brasileira de Jornalismo Literário. Escreveu para os sites CARAS Online, Virgula e Estadão (E+), Yahoo!, Mix Brasil, no jornal O Regional e para a revista Junior. É autor do livro-reportagem "Por um lugar ao Sol", sobre pessoas trans no mercado de trabalho. Tem quatro prêmios de jornalismo, sendo dois voltados para as questões trans, Claudia Wonder e Thelma Lipp

2 comentários:

Jéssica disse...

ADOREI! E ainda nos chamam de sexo frágil... tsc tsc tsc

Vagner Borges disse...

Que demais!! adorei seu blog Neto, muito bacana!!
bjo

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