Pitacos

Cinema: O Rei Leão 3D

"Quem nunca quiz dizer Hakuna Matata e esquecer
dos problemas que martelam na cabeça?"

Eu, Simba

“Livre pra poder viver...pra fazer o que quiser”. Na noite de quinta-feira, 22, cheguei ao cinema do shopping “Santa Cruz”, em São Paulo, no exato momento em que Simba e Nala tentavam despistar o pássaro Zazu para irem ao Cemitério de Elefantes. Disposto a assistir ao filme “O Rei Leão” – que acaba de ganhar versão 3D - surpreendi-me com a sala repleta de adultos, que 17 anos após a estreia de 1994 queriam reviver a intensa história.

Em um momento nostalgia – ah, foi o filme que mais assisti na vida, tanto que após relocá-lo diariamente no auge dos meus sete anos, o dono da locadora voluntariamente me deu um VHS gravado – conversei com outros fãs da saga. Consideramos que, embora a classificação aponte como um filme infantil, a história e os personagens (inspirados em Hamlet, de Shakespeare) provocam sensações e reflexões adultas. Assim como outros filmes da Disney, claro, porém ainda mais intenso.

Afinal, muitos se identificam com a inveja caricata, maquiavélica e fundamentada de Scar, com a amizade cômica, sincera e fiel de Timão e Pumba. Se emocionam com a paixão ingênua de Nala, com a triste morte do pai Mufasa, a saudade, culpa e solidão do leãozinho... Também refletem sobre a fuga desesperada no momento de enfrentar um problema e até de como a vida na selva pode deixar alguns valores de lado.

"Lembre-se de quem você é". Quem nunca se questionou
sobre os valores pessoais em alguma situação,
roda, locais e pessoas?
“Lembre-se de quem você é”. Pode parecer bobo, mas quem nunca se questionou sobre os valores pessoais em alguma situação, roda, locais e pessoas? Quem nunca quis dizer “Hakuna Matata” e esquecer os infernais problemas que martelam na cabeça? Se viu diante de uma manada? E quem nunca cogitou desistir de algumas lutas, motivados por alguns colegas Scar, aqueles que fingem boas intenções, mas que no fundo só querem nos tirar do caminho?

Rei Leão mostra a transformação e a aprendizagem que passamos diariamente, independente da idade. Apresenta nas cenas bem amarradas e personagens bem construídos vários de nossos medos, incertezas, riscos e vontades. Quem não gostaria de ter uma amizade como a do javali e do suricate? Um pai como Mufasa? Mas, por outro lado, por que não ir ao Cemitério de Elefantes? Bem ou mal, não queremos “ninguém dizendo: não faça isso...ou então, pare com isso!”, como diz a canção "O que eu quero mais é ser rei".

Penso que, de alguma maneira, todos nós somos Simba. Queremos arriscar, percorrer, desfrutar, seguir caminhos escuros e proibidos, viver intensamente... Mas derrapamos, sofremos apontamentos, caímos, nos deixamos levar, somos incertos e, muitas vezes, esquecemos quem somos. E também queremos ressurgir das cinzas, evoluir, surpreender, ser rei, urrar o que está entalado na garganta. Ser feliz.

Em versão 3D, o Rei Leão é uma grande oportunidade para reviver e resgatar muito de nós mesmos. Uma história atemporal, que as crianças que assistirem hoje certamente vão gostar de rever depois de 17 anos. Ah! E com muitas reflexões. Afinal, “isso é viver, é aprender...”. 

About Neto Lucon

Jornalista. É formado pela Puc-Campinas e pós-graduado em Jornalismo Literário pela Academia Brasileira de Jornalismo Literário. Escreveu para os sites CARAS Online, Virgula e Estadão (E+), Yahoo!, Mix Brasil, no jornal O Regional e para a revista Junior. É autor do livro-reportagem "Por um lugar ao Sol", sobre pessoas trans no mercado de trabalho. Tem quatro prêmios de jornalismo, sendo dois voltados para as questões trans, Claudia Wonder e Thelma Lipp

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