Entrevista

Entrevista Felipeh Campos

"Barraco no programa Quem Convence Ganha
Mais depende somente dos convidados"
"Não suporto ser chamado de Pablo do Qual é a Música"
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Por Neto Lucon (Yahoo!)
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Focado nos conflitos familiares, o programa “Quem convence Ganha Mais” (SBT) provoca os melhores (e piores) argumentos de quem julga ter a razão. A avaliação é feita pela atriz Vida Vlatt, o apresentador Elias Matogrosso e o jornalista Felipeh Campos, conhecido pelas polêmicas no programa “Superpop” (RedeTV!).  
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Feliz com o convite, Felipeh garantiu que o talk show não será mais uma versão do apimentado “Casos de Família” (SBT). E que a maior diferença é a apresentação da atriz Suzy Camacho, que atua há 20 anos como psicóloga. “Nos outros programas, ninguém entra em um denominador comum no final, não existe uma explicação. Com a Suzy é diferente, fiquei surpreso”, elogiou.
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Em entrevista exclusiva ao Yahoo!, o novo conselheiro familiar contou detalhes de sua volta ao SBT, o que vai levar em conta no momento de avaliar os discursos e falou sobre a polêmica envolvendo a sexualidade do cantor Agnaldo Timóteo.  “Agnaldo foi uma mãe para mim”, brincou. 
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Depois de começar a carreira no SBT, você passou anos em outras emissoras.  Acredita que esse convite tenha surgido por causa das recentes polêmicas no programa Superpop?
Chega uma fase em que a gente sabe no que é bom. Quando o Rafael Bello (diretor do SBT) me convidou, elogiou logo a minha postura.  Disse que em minhas colocações falo o que penso, mas com elegância e sutileza. Também tiro as dúvidas que geralmente as pessoas de casa têm. Independente de o programa dar certo, continuar na grade, já estou feliz por ter sido lembrado pelo SBT.  Estou feliz porque o formato é bacana, a estética está bonita e o lance não é barraco. 
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Mas em uma das imagens é possível ver você segurando uma das convidadas mais exaltadas. O programa vai se assemelhar ao “Casos de Família” com Regina Volpato, mais leve e educado, ou um “Casos” com a Cristina Rocha, cujos convidados são mais calorosos?
Como estamos falando de conflitos do cotidiano, ficamos em uma linha tênue do que pode ser considerado sério ou esculacho. A intenção não é deixar rolar barraco, até porque quando rola bate-boca ninguém entende nada. Tudo depende das histórias e dos convidados. 
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Geralmente o júri acaba adotando diversas personalidades dentro de um programa: o mais sério, o chato, o engraçado. Você vai ficar com alguma função específica?
A minha performance vai de encontro com o que eu fazia no “Superpop”. É ser incisivo, perguntar, saber melhor sobre o problema. A Vida tem a coisa de ser engraçada. E o Elias é de ser mais neutro. Chorar e apelar para a emoção não me convence, o que me convence são as histórias. A plateia também participa e fica com a maquininha de votação durante os discursos. Mas quem decide quem leva o prêmio somos nós. E, em caso de empate, é a Suzy. 
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Como jornalista você deve saber que a verdade depende muito do discurso e que pessoas com essa habilidade tendem a se dar melhor. Como você vai escolher quem está com a razão?
Procuro entender os dois lados e, depois dos argumentos, optar por quem estiver com mais razão. Já gravamos cinco programas e, em um dos casos, por exemplo, apareceu uma mulher de 21 anos que sustenta o marido, de 17. Ele fica soltando pipa o dia inteiro e a amiga da menina é contra, não se conforma de ver a amiga passar por isso. Apesar de não considerar o melhor exemplo de relacionamento, cheguei à conclusão que ela realmente gosta do rapaz e que está satisfeita com a situação. Então não vi problema nisso, a vida é dela, ela está com a razão.
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Dos problemas já vistos, o que geralmente provoca os conflitos?  
A falta de diálogo. As pessoas não se falam e, quando vão conversar, já partem para a agressão verbal. Quando vão conversar, já entram para provar quem tem o melhor discurso, quem é o melhor, e acabam não chegando a lugar algum. O ideal seria sentar, conversar civilizadamente, como se ter diálogo fosse algo normal. Mas isso não faz parte nossa cultura.



Incomoda ser lembrado como o dublador do programa “Qual é a Música?” e ser associado algumas vezes ao antigo dublador Pablo?

Foi um trabalho forte, que marcou muita gente e a televisão. Rendia 35 pontos de Ibope! Foi muito bom por um lado, mas por outro... Bom, eu não ligo de ser chamado de dublador, ex-dublador do programa do Silvio Santos, mas não suporto quando me chamam de Pablo. Isso eu não quero, não aceito, fico bravo. Até porque ninguém chama a Ellen (Roche, parceira de Felipeh na época) de Virginia (a antiga dubladora). O Silvio nunca falou isso de Pablo. Quando falam de dublador, até dou um abraço. Mas com Pablo...
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Tem contato com a Ellen Roche? O que está achando da atuação da antiga colega na série “O Astro” (Rede Globo)?
Gosto da Ellen, encontro sempre com ela no carnaval, entrevisto, mas não sei se ela está pronta para ser atriz. Assisto ao Astro e não gosto muito da atuação dela. A performance no “Dança dos Famosos” também foi um fracasso, ela precisa se soltar mais. Sei que, como pessoa, é uma pessoa do bem, muito bacana. 
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No Superpop você já teve momentos que marcaram a televisão, como a exibição do seu próprio casamento gay. Qual momento você destaca?
Ah! Foram tantos... A Luciana (Gimenez) sempre me deu oportunidade. Agradeço muito a ela e à Monica Pimentel. Mas acho que, entre todos os programas, destaco o do Agnaldo Timóteo (Felipeh disse sem querer que o cantor era gay e a notícia circulou o Brasil e as principais revistas). Agnaldo foi uma mãe para mim (risos). Ele não sabe o bem que me fez (risos).  
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YAHOO!: E agora no SBT, como se sente voltar depois de mais de 10 anos?
Estou super feliz. Desses 12 anos houve muito amadurecimento, consegui achar um caminho que considero bacana. Volto mais maduro e pronto para crescer muito mais dentro do canal. Gosto do que faço hoje, pois gosto de programas de comportamento. Aliás, meu objetivo profissional é comandar um programa assim.

About Neto Lucon

Jornalista. É formado pela Puc-Campinas e pós-graduado em Jornalismo Literário pela Academia Brasileira de Jornalismo Literário. Escreveu para os sites CARAS Online, Virgula e Estadão (E+), Yahoo!, Mix Brasil, no jornal O Regional e para a revista Junior. É autor do livro-reportagem "Por um lugar ao Sol", sobre pessoas trans no mercado de trabalho. Tem quatro prêmios de jornalismo, sendo dois voltados para as questões trans, Claudia Wonder e Thelma Lipp

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