Entrevista

Entrevista Leila Lopes

"Nunca pensei que minha carreira
fosse ser comprometida
pelos filmes eróticos"

“A Globo desistiu de mim depois que fiquei falida”
.
Por Neto Lucon (O Regional, 2008)
.
Há dois anos, a atriz Leila Lopes cometeu suicídio em seu apartamento. A notícia caiu como uma bomba, surpreendeu os fãs e admiradores da morena, que atuou em novelas como “Rei do Gado”, “Tropicaliente” e “Renascer”, todas da Rede Globo.
.
Sem trabalho nos últimos tempos, Leila ingressou na indústria de filmes pornográficos, a mesma de Alexandre Frota e Rita Cadillac. No auge do primeiro filme, chamado “Pecados e Tentações”, em 2008, entrevistei a atriz para o Caderno Mulher, do jornal impresso O Regional
.
Entre as declarações, ela diz que o “mercado das telenovelas é fechado” e contou detalhes do primeiro trabalho erótico. Confira:
.
Você acha que a professorinha de Renascer foi a personagem que mais se destacou na sua carreira? Muita gente ainda te para falando sobre ela?
Jamais vão esquecer. Todos os dias escuto falar dela. Mas não só dela. Muita gente não gosta desta personagem. Existem pessoas que acham ela fresca... Tem gente que prefere a Suzane, do Rei do Gado, que é mas ativa. Eu prefiro a doutora Olívia, de Tropicaliente, uma mulher centrada, muito bem humorada. Ela fazia par romântico com o Selton Mello.
.
Como surgiu o convite para estrelar o filme erótico “Pecados e Tentações”?
O convite partiu depois de toda a mídia ter falado que eu tinha feito. Mas, na verdade, não tinha gravado nada. Foi daí que a produtora Brasileirinhas me ligou e disse “Você está nos colocando na mídia de graça todos os dias, temos que fazer um filme com você”. Sentei e escutei as propostas. E mediante as minhas exigências aceitas por eles, resolvi aceitar. As cenas de sexo são diferentes, tem um enredo, uma história.
.
Você já havia pensado em estrelar um filme pornô antes? Em algum momento você pensou que sua carreira de atriz fosse ser comprometida?
Não, nunca tinha pensado, mas nunca tive preconceito. Sexo não deve ser visto com preconceito. Sexo é prazer, bom humor, felicidade, só coisas boas. Jamais pensei que minha carreira fosse ser comprometida em momento algum. Eu me conheço e sabia que levaria a divulgação com elegância, postura, sabedoria.
.

Você assistia filmes eróticos? Chegou a pensar em desistir?
Nunca tinha assistido. Só assisti depois de fazer. Não é a minha praia, nem tenho fetiche em ver outras pessoas fazendo sexo. Também não consegui relaxar. Foi difícil, bem difícil. Mas eu não pensei em desistir. Desistir é uma palavra que não faz parte do meu vocabulário. Assumo tudo o que eu assino.
.
Você é uma atriz com mais de 20 anos de carreira. Qual sua opinião sobre a indústria de novelas, que sempre traz os mesmos atores em tramas parecidas?
Olha, eu acho o mercado bastante fechado. Existem muitos círculos de pessoas pré-escolhidas por autores, de feudos. E estamos falando de Brasil. A quantidade de artistas – digo no sentindo amplo – e de talentos são imensos. É claro que o mercado poderia ser mais aberto, com mais oportunidade.
.
E por que você foi esquecida das novelas?
Quando fui casada com o político da era Collor, muita gente usufruía das nossas mordomias, só não cito nomes para não ser processada. Depois do presidente e da falência das empreiteiras, mudou a maneira como me tratavam lá dentro (da Rede Globo). Como passei a ser uma falida, já não interessava tanto.
.
É verdade que você está escrevendo um livro sobre sua carreira? Vai falar sobre isso?
Sim, mas não é um livro apenas sobre minha carreira. É um livro sobre a minha vida. O que eu poderia adiantar para vocês? O meu primeiro marido, por exemplo, foi um grande figurão. Ele teve uma presença muito grande na época do Collor. Eu já fui muito rica, milionária, daí perdemos tudo, inclusive muitas amizades. Também falo dos meus erros e acertos. É como uma dica para as pessoas que estão começando na carreira de atriz.

About Neto Lucon

Jornalista. É formado pela Puc-Campinas e pós-graduado em Jornalismo Literário pela Academia Brasileira de Jornalismo Literário. Escreveu para os sites CARAS Online, Virgula e Estadão (E+), Yahoo!, Mix Brasil, no jornal O Regional e para a revista Junior. É autor do livro-reportagem "Por um lugar ao Sol", sobre pessoas trans no mercado de trabalho. Tem quatro prêmios de jornalismo, sendo dois voltados para as questões trans, Claudia Wonder e Thelma Lipp

0 comentários:

Tecnologia do Blogger.