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Ke$ha para adolescentes


Ensaiada, Ke$ha promove show de ousadia para adolescentes em São Paulo

Por Neto Lucon (Virgula)

Repleta de efeitos de iluminação, papel picado e batidas fortes, a cantora Ke$ha (ela mesma ensinou a pronúncia correta, "quéxa") fez o primeiro show no Brasil na noite desta quarta-feira (28) e levantou o público do Via Funchal, em São Paulo. Com atitudes bastante ensaiadas, ela promoveu momentos de ousadia aos olhos dos fãs adolescentes: quebrou uma guitarra, bebeu no palco, trouxe caveiras, lambeu o rosto de uma backing vocal, cuspiu e jogou objetos na plateia.

Na apresentação, Ke$ha apareceu vestindo um maiô colado, óculos iluminados e apostou no hit Sleazy, que permeou o estilo dançante e pop do show. O público, formado principalmente por adolescentes – muitos deles fantasiados como sósias da cantora – pulava e dançava o tempo inteiro, o que, aliado aos efeitos de iluminação e som, dava a sensação de estar dentro de uma balada.

"Eu amo São Paulo", dizia a cantora de 24 anos a cada troca de música, o que gerava gritinhos histéricos das "Keshetes". Porém, quando elaborava alguma frase maior – como na que disse que passaria “glitter em seus peitinhos” – pouca reação era gerada, talvez pela pouca familiaridade do público com o inglês. Quando gritaram “Ke$ha, eu te amo”, era a cantora que não entendia...

No setlist, a loirinha trouxe vários hits, como Tik TokTake it OffYour Love is My Drug e Blow. Ela abusou do Autotune, processador que disfarça falhas de afinação, e em alguns momentos contou com playback. Mas cantou, gritou, dançou, tentou tocar guitarra, 'decidiu' quebrá-la e, após ficar borrada com glitter, convenceu de que realmente é uma artista que sabe tomar o palco.

Ao lado de bailarinos – que chegam a se vestir de mulher, interpretam vários personagens e se tornam peças fundamentais para o show – Ke$ha demonstrou ter aprendido o que é ser uma artista pop. Criticada por muitos, principalmente pelas atitudes um tanto forçadas, ela corresponde às expectativas dos fãs durante o show. Só pecou no final, quando sua performance tornou-se um pouco fria em relação ao início do show.

Ela cantou a música We R Who We R e deixou o palco para um cantor desconhecido, que parecia um animador de festa infantil. Depois, só voltou ao palco para atirar objetos e rolos de papel no público. Saiu, sem dizer nada, deixando para suas sósias (com maquiagem borrada, cifrões desenhados nas pernas e até lingerie à mostra) fazerem pose de más no espaço – e tirarem fotos do palco vazio. Mas foi o bastante para divertir os fãs da popstar. "Foi maravilhoso, dancei muito", disse uma fã emocionada. Não foi só ela, viu...



Crítica foi destaque no Virgula Música

About Neto Lucon

Jornalista. É formado pela Puc-Campinas e pós-graduado em Jornalismo Literário pela Academia Brasileira de Jornalismo Literário. Escreveu para os sites CARAS Online, Virgula e Estadão (E+), Yahoo!, Mix Brasil, no jornal O Regional e para a revista Junior. É autor do livro-reportagem "Por um lugar ao Sol", sobre pessoas trans no mercado de trabalho. Tem quatro prêmios de jornalismo, sendo dois voltados para as questões trans, Claudia Wonder e Thelma Lipp

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