Pride

Perfil: Dindry Buck

A primeira drag a gente nunca esquece!
Dindry Buck é a estrela do documentário "Os Reis da Rua", exibido pela TV Cultura. Curiosamente, Dindry foi a primeira drag queen que conheci. E é claro que a primeira drag a gente nuuunca esquece.
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Veja agora um mini-perfil que fiz desta grande figura da comunidade LGBT, que também foi a primeira a participar de um reality show. Confira:

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A Tieta drag 

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O mineiro Albert Roggenbuck mal podia imaginar que um dia voltaria à cidade interiorana São Francisco com status de celebridade. 

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Vítima de preconceito por conta de seus trejeitos femininos - um dos motivos que o fez tentar a vida em São Paulo - ele viu a cidade recebê-lo como “alguém que deu certo na vida” e, o melhor, de drag queen! 
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Tudo isso porque, em 2004, Albert - ou melhor dizendo, Dindry Buck – participou do reality show Tá na Mão, exibido pela Band. Pois é, antes mesmo de Dimmy Kieer pintar no BBB, Dindry já havia sido a primeira drag a estar em um reality show. 
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No programa, os participantes deveriam fixar as mãos em um veículo e só levaria o prêmio, ou seja, o próprio carro, quem as tirassem por ultimo. Mesmo desmontada, Dindry não resistiu às dores nas pernas e depois de 30h pediu para ser eliminada.
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“Participei com a intenção de ter maior visibilidade e de apresentar meu trabalho de drag. Pensei que aguentaria umas 20h, mas fui mais longe”, analisa ela, que não recebeu prêmio pela participação, mas sentiu-se feliz por ter projetado o trabalho em rede nacional.
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Os cachês, por sua vez, aumentaram e a agenda de shows ainda hoje está lotada. “Antes eu só era conhecida em São Paulo. Depois pintaram shows em Fortaleza, Recife, Porto Alegre... E eu também passei a me valorizar mais como artista.” 
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Tanto que o valor de um telegrama, que era de 250 reais, passou a ser de R$400,00. A visibilidade também rendeu mais frutos: participou do Show do Tom (Record) e foi entrevistada por Jô Soares, na Rede Globo. Outro marco foi a peça “Moscas Mortas num copo de Conhaque”, de Ricardo Leitte, em que atuou por dois anos ao lado de Silvetty Montila, Léo Áquilla e Dimmy Kieer.
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Orgulho da pequena São Francisco, Dindry Buck observa o reality show como uma vitrine para o seu trabalho. Mas tem pé no chão. “A televisão tem um poder incrível. As pessoas pensam que todo mundo que está lá é lindo, é bom. Na minha cidade, me sinto como uma Tieta. Já no Brasil, como uma artista reconhecida e muito feliz.”
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Parabéns, amiga! Sucesso sempre e força na peruca!

MAIS:  Dindry detona o preconceito (clique aqui)

About Neto Lucon

Jornalista. É formado pela Puc-Campinas e pós-graduado em Jornalismo Literário pela Academia Brasileira de Jornalismo Literário. Escreveu para os sites CARAS Online, Virgula e Estadão (E+), Yahoo!, Mix Brasil, no jornal O Regional e para a revista Junior. É autor do livro-reportagem "Por um lugar ao Sol", sobre pessoas trans no mercado de trabalho. Tem quatro prêmios de jornalismo, sendo dois voltados para as questões trans, Claudia Wonder e Thelma Lipp

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