Entrevista

Entrevista: Katlyn Suzuky

"Quem será Katlyn?"
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Por Neto Lucon (2009)
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Cauê Nunes, eu, Katlyn e Deco Ribeiro
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A dúvida foi lançada: “Quem Será Katlyn?”.O título do curta-metragem do jornalista Caue Nunes, resultado do patrocínio do Fundo de Incentivo à Cultura de Campinas (Ficc), coloca em xeque o que é ser homem e mulher nos dias de hoje.

O filme, rodado em HD, tem 20 minutos e traz, além de vários depoimentos de leigos e especialistas, a história central de Katlyn Suzuky, trans campineira de 21 anos (na época), que almejava passar pela cirurgia de redesignação sexual.

Em entrevista exclusiva, Katlyn fala da experiência de gravar o curta-metragem, repercussão, descobertas, desejos, além de responder a pergunta-chave “Quem é Katlyn?”



 Há quanto tempo você se descobriu Katlyn?
Com 13 anos eu já sabia, mas ainda estava confusa, não entendia direito. Aos 18, eu me assumi travesti. Acho importante dizer que o apoio da minha família foi muito importante nesta fase. Todas nós precisamos desse apoio.

Dizem que você conseguiu transitar muito rápido de um gênero ao outro, que se transformou em mulher rapidamente. O que fez?
Não sei se tem algum segredo. Não fiz muita coisa: só coloquei hormônio e silicone. Nunca fiz nada no rosto. Acho que sempre tive tendência, sempre fui muito feminina...

Por que o nome Katlyn?
Eu sempre gostei. Quando era pequena, assisti um filme e vi uma atriz com esse nome. Gostei, ficou até hoje, mas não lembro quem é (risos).

Como surgiu o convite para participar do curta-metragem? 
Eu participava de um grupo de identidade chamado E-Jovem, que reunia homossexuais. O Deco (André Ribeiro) era o diretor desse grupo e ele conheceu o Cauê e a Ciça, que fizeram o filme. O Cauê perguntou se ele conhecia alguma travesti e o Deco me indicou. Eles chegaram entrevistar outras pessoas, mas depois disseram que seria comigo.

Quanto tempo durou as gravações? Aconteceu alguma situação inusitada?
Do começo até o final durou quase um ano. É bastante trabalhoso. Tivemos que fazer o roteiro, as entrevistas, as gravações. Algumas vezes, eles pediam para gravar e eu não podia, pois estava ocupada, trabalhando. Fomos gravando aos poucos. Alguma situação diferente? Ah! Só de ficarem gritando gostosa, se auto-convidarem para gravar um filme pornô comigo, mas nada muito agressivo.

Gostou do resultado? Como as pessoas reagiram?
Gostei! O pessoal gostou bastante também. Mostrei para a família e todo mundo elogiou. As pessoas estão com a mente bem aberta, todos procuram entender, ninguém criticou nada. Uma coisa que eu percebi é que as pessoas mais velhas tem a mente mais aberta que os mais jovens.

Depois do documentário, você se arrisca responder “Quem será Katlyn”?
Sou uma pessoa simpática, amiga, verdadeira e sincera. Adoro sair e curtir a vida intensamente, aproveitando cada segundo. Eu não ligo para o que os outros falam, pois me arrependo só do que não fiz.

Quais são os seus projetos e planos para o futuro?
Eu tenho alguns projetos. Quero comprar um apartamento e fazer a mudança de sexo (sic). Sei que é uma decisão delicada, mas já estou decidida.

Boa sorte!

About Neto Lucon

Jornalista. É formado pela Puc-Campinas e pós-graduado em Jornalismo Literário pela Academia Brasileira de Jornalismo Literário. Escreveu para os sites CARAS Online, Virgula e Estadão (E+), Yahoo!, Mix Brasil, no jornal O Regional e para a revista Junior. É autor do livro-reportagem "Por um lugar ao Sol", sobre pessoas trans no mercado de trabalho. Tem quatro prêmios de jornalismo, sendo dois voltados para as questões trans, Claudia Wonder e Thelma Lipp

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