Entrevista

Entrevista: Yudi Tamashiro


“Programas infantis melhoraram muito”

Por Neto Lucon (Yahoo!)



Todas as manhãs, as crianças que sintonizam o SBT recebem a animada companhia dos apresentadores Yudi Tamashiro e Priscila Alcântara no “Bom Dia & Cia”. Tendo iniciado a carreira artística ainda crianças, os jovens agradam o público infantil e se destacam no núcleo, ao lado da pequena Maisa e dos palhaços Patati e Patatá.

Yudi tem 19 anos e é responsável por bordões musicados que viraram sensação nas atrações. O sucesso é tanto que ele fez a abertura do show de Justin Bieber em São Paulo e recebeu com surpresa a reação do público. Gritaram em coro: “Playstation, Playstation...”, em referência à torcida das crianças que telefonam para ganhar um prêmio no programa.
 

Em entrevista exclusiva ao Yahoo! em comemoração ao Dia das Crianças, Yudi falou sobre a experiência de apresentar um programa infantil há seis anos e a pequena Maisa. Veja:

Hoje é Dia das Crianças. O que passa pela sua cabeça quando lembra desta data? 
Lembro que quando era pequeno eu enfrentei uma baita fila com minha irmã para ganhar um presente da prefeitura, já que minha mãe trabalhava lá (risos). Minha maior lembrança foi essa: a de ganhar um caminhão. Eu fiquei todo feliz e esse foi um dos momentos que marcaram a minha infância. 

Você tem 19 anos, mas além de apresentar um programa infantil, aparenta ser bem mais novo. Você vai ganhar presente hoje?
(Risos) Não, presente de Dia das Crianças eu não ganho mais. A última vez que eu ganhei tinha nove, dez anos. Mas realmente as pessoas ainda acham que eu sou mais novo, não mais criança, mas adolescente de 16, 17 anos. Então tenho explicar que aquilo é um personagem, um trabalho...

Com seis anos de programa infantil, você ainda se diverte apresentando e lidando com esse público? 

Com certeza. O estúdio já se tornou a sala da minha casa. Nem considero trabalho. Para mim, é chegar lá e me divertir. Além disso, trabalhar com criança é uma surpresa a cada minuto. É criança gritando para o pai ficar quieto para não atrapalhar a ligação (risos). É o outro que gosta da Priscila, falando que ama, que quer beijar... Criança fala mesmo o que vem na cabeça, né?

Quando você era criança, você gostava de assistir a Xuxa, Angélica, Eliana? Quais foram suas referências para apresentar um infantil? 
Não assistia à televisão, porque gostava mais de ficar na rua, andando de skate, jogando bola, nunca fui de ficar ligado na frente da tela. Eu sonhava trabalhar na tevê, mas não assistia tanto. Minha referência maior foi o André Vasco, que apresentava o “Chapa Coco” (MTV), em 2006. Eu estava começando a apresentar o “Bom Dia” e via sempre o programa. Hoje ele trabalha no SBT, vamos às baladas e eu sempre digo quando o vejo: “caramba, eu me inspirava em você”.  

E o que acha do atual cenário de apresentadores de programas infantis? 

Acho que está melhor que antes. Deixou de ser aquela coisa: “só adulto apresentando”. Percebo que criança quer ver outra criança ou outro adolescente, porque a linguagem é mais direta e fácil para ela entender. Quando o adulto entra nessa, fica meio brega. Também acho que o pessoal da “TV Globinho” (Rede Globo) manda bem. Conheço o Emilio Eric e a Letícia Navas, e é legal ver essa geração crescer junto com a gente. 

E a Maisa? É aquela figurinha que vemos na televisão mesmo? 
A Maisa já nasceu preparada. Não é um negócio montado, ela realmente é desse jeito e cada dia surpreende mais. No começo, eu me preocupava bastante: “nossa, essa menina vai ser mimada, chata...” Mas graças a Deus, os pais estão controlando os passos e dando uma educação exemplar. Tenho contato de amizade e a considero divertida demais. Tem hora que ela fala tanto, tanto, que eu digo: “ô, Maisa, fica quieta, meu” (risos). 

Recentemente alguns atores que ganharam fama na infância voltaram à mídia e se demonstraram incomodados com o rótulo de ator-mirim. Não teme ficar marcado por ter iniciado a carreira na infância?
Pô, essa preocupação eu não tenho. As mudanças estão ocorrendo naturalmente e quem faz esse rótulo é o próprio público. Para mim, quem vai mudar é o publico, mas eu não vou mudar em nada. É algo que encaro com muita naturalidade. 

Angélica disse recentemente que perdeu muito da infância por ter começado a carreira cedo. O que poderia falar sobre sua infância trabalhando na tevê? 
Desde os oito anos, eu sempre quis estar na televisão. Eu sempre deixei de sair com meus amigos, de jogar uma bola, andar de skate, para ficar estudando os textos dentro de casa. Querendo ou não, as pessoas podem falar “você perdeu a infância”. Mas eu sou assim: quando aparece algo, eu agarro com unhas e dentes. E hoje estou colhendo tudo isso e, ao contrário do que possam dizer, me sinto realizado. Eu só ganhei com essa dedicação.

Qual foi a primeira coisa que comprou quando começou a ganhar dinheiro?
Comecei a gastar com skate, porque eu gostava muito... E era caro, né? Um skate barato não dura nem um mês. E as melhores peças são gringas. Na verdade, não tinha muito tempo para gastar dinheiro. Agora é que estou usufruindo mais.

Apresentar um programa infantil continua nos seus planos a longo prazo?
Na verdade, o plano é do Silvio Santos. É ele quem comanda a minha vida lá dentro do SBT. Mas a minha vontade é de apresentar um programa para os jovens, que desse para interagir com o público, como o “Cantando no SBT”, o programa que eu apresentava antes. Por enquanto o “Bom Dia & Cia” está bom. Estamos com uma repercussão grandiosa. Temos o Patati Patata, a Maisa... Está cada vez melhor, o pessoal está reconhecendo o nosso trabalho. 

Para o Silvio apostar em vocês é sinal de que o programa vai bem, inclusive no Ibope.
O Silvio Santos fala bastante: “time que está ganhando não pode mexer”. E a gente está ganhando sempre na audiência. São seis anos com o mesmo perfil e ainda conseguimos ficar em primeiro lugar. Ou seja, é sinal de que continuamos agradando as crianças. 

E você costuma ver o que é publicado no Youtube sobre vocês? Assistiu a aquele polêmico vídeo?

(Risos). Eu não procuro ver, mas as pessoas comentam... E eu: “pelo amor de Deus, é montagem, não tem nada a ver”. Eu sei até qual é o vídeo que você está falando (risos). Esse aí... Eu digo: falem bem ou falem mal, mas falem de mim, né? O ruim será quando me esquecerem.

 


O que falaria para os pais de seus telespectadores?
Acordo com esse espírito de animar a manhã de todas as crianças do Brasil. Diria para eles que cuido das crianças com muito amor e carinho. E, para aqueles que não têm muitas condições para dar um presente, digo que é só ligar no “Bom Dia” que darei playstation, mil reais, o que mais eles quiserem (risos).

About Neto Lucon

Jornalista. É formado pela Puc-Campinas e pós-graduado em Jornalismo Literário pela Academia Brasileira de Jornalismo Literário. Escreveu para os sites CARAS Online, Virgula e Estadão (E+), Yahoo!, Mix Brasil, no jornal O Regional e para a revista Junior. É autor do livro-reportagem "Por um lugar ao Sol", sobre pessoas trans no mercado de trabalho. Tem quatro prêmios de jornalismo, sendo dois voltados para as questões trans, Claudia Wonder e Thelma Lipp

1 comentários:

Alison disse...

Acho que o Yudi, Maísa, Priscila e afins são uma nova geração que tão tendo a oportunidade de crescer junto com a televisão, não dá pra negar que Xuxa, Angélica e Eliana só são o que são, por terem começado novas e pelas experiencias que tiveram. Porém imagino que hoje tenha uma diferença que é o acompanhamento psicológico que eles tem pra passar pelas transições de idades, ja que tão crescendo e sendo reconhecidos, mas apesar disso longe das outras crianças, o que não é bacana pro desenvolvimento de ninguém.
Quanto as críticas e comentários maldosos, é outro problema, pois sabemos o quento é dificil li dar com elas, principalmente tendo a idade que eles tem.
Enfim
Parabéns pelo blog, tá bacana! ;)
Abraço

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