Pride

Medieval e Corintho

Wonder no espaço da Corintho com
um namoradinho da época
Claudia Wonder fala sobre os primeiros grandes clubes gays de São Paulo

Por Neto Lucon (Revista Junior/ 2010)

Na década de 70 e em meados dos anos 80, dois clubes movimentaram o cenário gay paulistano e seriam, de certa forma, os precursores dos mega clubes que hoje existem. Medieval e Corintho eram as casas mais chiques e requintadas da cidade, frequentada por gays e muitos famosos.

A travesti multimídia Claudia Wonder ainda era adolescente quando foi pela primeira vez à Medieval, mas afirma que o lugar marcou a sua história como artista. “Era uma casa da Augusta muito fina, glamourosa e frequentada não somente pelos gays, mas também por héteros que adoravam os shows com bailarinos e shows de transformistas”, relembra.

Ao descrever o espaço, Claudia diz que “para chegar à pista, era necessário atravessar um corredor – esse todo revestido por cortinas - em que muita gente parava para conversar, namorar... Já na pista, havia um pequeno palco e muita música disco”.

Inovador, o clube também promovia um evento anual para policiais, além da célebre “Noite da Broadway”. “Era como o Gala Gay, uma festa muito esperada, onde a entrada era até mais importante que o espaço de dentro. Muita gente alugava limousine e roupas luxuosas só para ter uma entrada triunfal”, diz.

Wonder ressalta a chegada inesperada da atriz Wilza Carla: “Ela apareceu em cima de um elefante”.

A CORINTHO
Tempos depois, a Medieval fechou as portas e a Corintho foi inaugurada pelos menos donos (entre eles, Eliza Mascaro) no Ibirapuera, em 1985. Eles apostaram em um espaço gigantesco com vários ambientes e bares.

O público continuou sendo A, a pista e o palco tornaram-se maiores e a qualidade da festa continuou agradando. O shows, por sua vez, começaram a ser ainda mais produzidos e grandiosos.

“Realmente era uma casa muito grande e finíssima. Chegando já dávamos de cara com um imenso bar, depois víamos um mezanino... A pista de dança ficava na parte de baixo”, recorda.

De acordo com a artista, apesar de os shows serem de transformismo e contar com várias artistas trans – entre elas Phedra de Córdoba, Divina Aloma – as casas não eram tão freqüentadas por travestis. “Não vi muitas, eram mais gays e pessoas do meio artístico”.

A história da noite gay paulistana, hoje gigante, ganhou fama e chegou à imprensa por conta desses clubes. Eles marcaram positivamente a cultura gay, além de moldarem uma estética que perdurou durante anos na noite: a cultura do show de transformismo, hoje em decadência.
Elenco da Medieval: Phedra de Córdoba é a de branco

About Neto Lucon

Jornalista. É formado pela Puc-Campinas e pós-graduado em Jornalismo Literário pela Academia Brasileira de Jornalismo Literário. Escreveu para os sites CARAS Online, Virgula e Estadão (E+), Yahoo!, Mix Brasil, no jornal O Regional e para a revista Junior. É autor do livro-reportagem "Por um lugar ao Sol", sobre pessoas trans no mercado de trabalho. Tem quatro prêmios de jornalismo, sendo dois voltados para as questões trans, Claudia Wonder e Thelma Lipp

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