Pop & Art

Zombie Boy: “Foi o cadáver que me escolheu”

No Rio de Janeiro, ele decidiu ir à praia durante a noite.
Por Neto Lucon

O canadense Rick Genest, de 25 anos, poderia ser apenas mais um jovem de beleza mediana, monossilábico e com gostos pitorescos de horror e cultura punk. Isso se não fosse pela ousadia de espalhar várias tatuagens pelo corpo – e rosto! – e se transformar no modelo Zombie Boy.

Conhecido no mundo da moda, ele já estrelou o clipe “Born This Way”, de Lady Gaga, e até veio ao Brasil neste ano para o “Fashion Rio 2011”. Quem por acaso passou por uma das praias do Rio de Janeiro, em uma das noites de junho, poderia ter o prazer (ou o desprazer) de ver sua curiosa imagem na areia.

A primeira tatuagem foi feita aos 16 anos – uma caveira no braço esquerdo. Mas foi só aos 21 que decidiu que seu corpo entraria em decomposição, se tornaria um cadáver pelas mãos do tatuador Frank Lewis. Sendo assim, não se intimidou em carregar para sempre na pele insetos (176 ao todo), teias, um cérebro e ossos (138).

“O mais difícil foi a tatuagem ao redor dos olhos (um buraco negro). Foram 5 sessões. É que depois de alguns segundos, os vasos se rompem e o olho fica roxo, inchado. Daí enquanto você espera um ficar melhor, vai tatuar o outro. Levou mais de um ano para ficar pronto os dois”, disse ao canal GNT.

Engana-se, contudo, quem pensa (e os jornalistas que divulgam) que o nome Zombie foi dado após as tatuagens. “Quando eu era mais novo, tive um tumor no cérebro e tive que ficar numa fila de espera para ser operado. Seria uma nova técnica feita pelo céu da boca, então não era para eu ter sobrevivido, não era para eu estar aqui, certo? Aí quando eu estava no hospital, meus amigos começaram a me chamar de Zombie”.
Ele quer colocar dentes
de vampiro e tatuar a parte
branca do olho

Neste meio tempo, Zombie era responsável por performances circenses de horror no subúrbio de Montreal. Chamado “Blasfêmia de Lúcifer”, o show underground era inspirado em filmes de terror: “Números de tortura abomináveis, bem doentios. Eu faço números de faquir com uma dama de ferro (instrumento de tortura), perfurações na pele, engulo fogo, coisas desse tipo”, revelou.

Pouco tempo depois, realizou alguns trabalhos de modelo e, pelo Facebook, foi descoberto pelo designer Nicola Formichetti – o diretor criativo da grife Thierry Mugler. “Fiz um ensaio fotográfico para uma marca de smoking, que saiu na revista ‘Dress to Kill’. Nicola viu e começamos a trabalhar juntos.” Foi o empurrão que Zombie teve para estourar em menos de um ano.

Embora ainda tenha que se explicar sobre o corpo tatuado - “as tatuagens são apenas tinta, como se fosse uma roupa. Eu não decidi tatuar o meu corpo como um cadáver, foi o cadáver que me escolheu” - o modelo promete continuar surpreendendo com sua assustadora passagem pela moda.

Porém, nesta semana, enquanto todos esperavam Zombie com dentes de vampiro ou até mesmo com a parte branca dos olhos tatuadas - suas próximas transformações anunciadas – Rick simplesmente apareceu no lugar de seu personagem. Com pele, sem ossos, insetos ou uma mísera tatuagem. É a campanha de uma linhade removedor de maquiagem. Para quem o conhece, agora sim, assustador...

About Neto Lucon

Jornalista. É formado pela Puc-Campinas e pós-graduado em Jornalismo Literário pela Academia Brasileira de Jornalismo Literário. Escreveu para os sites CARAS Online, Virgula e Estadão (E+), Yahoo!, Mix Brasil, no jornal O Regional e para a revista Junior. É autor do livro-reportagem "Por um lugar ao Sol", sobre pessoas trans no mercado de trabalho. Tem quatro prêmios de jornalismo, sendo dois voltados para as questões trans, Claudia Wonder e Thelma Lipp

3 comentários:

campo obrigatório disse...

ele parece ser mais lindo tatuado!

Anônimo disse...

Netoo...adorei...mas achei mais bonito sem tatuagem rsrsrrs
Gabi Queiroz

RICARDO AGUIEIRAS disse...

Admiro demais quem rompe paradigmas, principalmente com relação ao uso do corpo! Sempre gritei que o corpo é um Direito Inalienável do indivíduo e você tem todo o direito de fazer o que quiser com ele. É o que faço também com o meu, o que ofende muitos e muitas, que acham que eu deveria ser "discreto", ser "cool", ter classe, ser chique... e etc. tudo usado para o cerceamento. A mente é bem mais fácil de controlar, o corpo é muito mais difícil pois este é movido pelo soberano desejo e desejo não se controla. Tentaram durante milênios e nunca conseguiram, o máximo que conseguem é que o que era feito às claras passe a ser feito escondido, mas continua... coitados deles, os cerceadores em nome da moral, das religiões, das igrejas, de deus, de deuses, de professores,de médicos, de presidentes, de pais e etc. sinto muito, vocês fracassaram e continuaram fracassando, sempre haverá quem transgrida.
Ricardo Aguieiras
aguieiras2002@yahoo.com.br

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