Entrevista

Entrevista: Íris Bruzzi

“Ser vedete e corista era um escândalo para as famílias na década de 50”

"Hoje em dia o assédio é grande por causa das
revistas. Dessa coisa em é criada
em cima de uma pessoa"
Neto Lucon (Jornal O Regional)

A atriz Íris Bruzzi tem muita história para contar. Com mais de 70 anos, ela já trabalhou como corista (que se assemelha ao trabalho de vedete nos anos 50) e soma mais de 20 filmes (principalmente nos anos 60 e 70) e 20 novelas (sendo as últimas na Rede Record, como Ribeirão do Tempo).

Em 2008, tive o prazer de entrevistar esta grande figura e saber um pouco mais de sua carreira e vida pessoal. Algo que me surpreendeu durante o bate-papo foi a beleza da atriz, que na época estava com 73 anos, e o bom humor. Rimos muito quando, por exemplo, ela falou sobre namorar um rapaz de sua idade. Confira:

Você começou a carreira como vedete aos 18 anos. Como era a profissão na década de 50?
Na verdade, não comecei como vedete. Eu era o que pode ser chamada de corista. É aquela que não fazia nada, ficava atrás das vedetes, andando, enfeitando, também de maiô. As pessoas gostavam muito. O único problema era a família, pois desfilar de maiô naquela época era um escândalo. Mas ainda assim era diferente de hoje em dia: os maiôs eram maiores (risos).

Sofria bastante assédio masculino?
Acredita que apesar das minhas coxas não sofria? Hoje em dia isso acontece mais por causa das revistas, dessa coisa que é criada em cima de uma pessoa. Não sofri principalmente porque casei muito cedo com o produtor Walter Pinto, que era um homem muito grande. Então ninguém chegava nem perto.

Em uma entrevista você disse que é a avó da boneca Barbie. Explica o motivo...
(Risos). É porque adoro rosa. Sempre falo que tenho um quarto da Barbie, com as paredes cor-de-rosa, tudo decorado. Adoro a cor pink, rosa, rosa choque...

E isso também se aplica nas roupas?
Ah, claro! Sempre! Uso plumas, jóias... Também não saio de casa sem um acessório, sem um sapato do Fernando Pires, que são lindos.

 


Por falar em Barbie, você continua muito bonita aos setenta e poucos anos. Qual é o segredo?
Eu não tenho essa beleza que você diz. Mas eu acredito na coisa de dentro para fora, na alegria, na bondade. Existem pessoas que julgamos serem bonitas, mas como são antipáticas, com o tempo acabam perdendo muito dessa beleza. É por isso que eu acredito na beleza interior.

E como cuidar da beleza interior?
É agradecendo tudo o que recebe, não querendo tudo. Tudo o que a vida me dá, eu acho bom. Por exemplo: muitos artistas evitam dar entrevistas, mas acho bacana saber que as pessoas querem saber sobre mim. É sinal de que gostam do meu trabalho e de mim.

Você é uma pessoa bem humorada?
"Trabalhei como corista, aquela
que ficava no palco apenas enfeitando"
Sem sombra de dúvidas. Estou sempre alegre, feliz, não sou de ficar zangada nunca. Existem pessoas que acordam e já ficam mal humoradas, com aquela cara (risos). Por eu ser extremamente sorridente e fazer comédias, encontro mais facilidade para desenvolver personagens. É muito bom ser feliz e também levar alegria para as pessoas.

Gosta de algum humorístico exibido pela televisão? 
Eu gosto muito de um programa que estreou recentemente. Não lembro o nome (pausa). Ah! É o “Faça a sua História” (Rede Globo), que tem um taxista e muitas histórias engraçadas. Esse eu gosto bastante. Assisto sempre que posso, mas nem sempre dá. Estou sempre em gravação.

Assim
como sua personagem na novela “Chamas da Vida” (Rede Record), você namora?
Não namoro, mas não é porque não encontro, é porque não quero. Fui casada três vezes com pessoas maravilhosas. Além do mais, estou com 73 anos. Você já imaginou namorar um cara da minha idade? Com reumatismo, problema de próstata? (risos). Eu não quero, me poupe...

Desde “Belíssima” (Rede Globo/ 2005), você tem emendado um trabalho no outro. Onde encontra tanto gás?
A natureza foi muito gentil comigo. Não existe remédio na minha casa, pois não tenho nada, não sofro de nada. Tanto que só tenho band-aid e algodão na caixa de remédios (risos).

About Neto Lucon

Jornalista. É formado pela Puc-Campinas e pós-graduado em Jornalismo Literário pela Academia Brasileira de Jornalismo Literário. Escreveu para os sites CARAS Online, Virgula e Estadão (E+), Yahoo!, Mix Brasil, no jornal O Regional e para a revista Junior. É autor do livro-reportagem "Por um lugar ao Sol", sobre pessoas trans no mercado de trabalho. Tem quatro prêmios de jornalismo, sendo dois voltados para as questões trans, Claudia Wonder e Thelma Lipp

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