Entrevista

Entrevista Marcelo Bandeira

"Foram os segundos mais intermináveis da minha vida"
"Só hoje dou risada da gafe 'Por onde Anda Leila Lopes?'"

Neto Lucon (Yahoo!)

Em setembro deste ano, a apresentadora Claudete Troiano protagonizou uma das gafes mais memoráveis da televisão aberta. Durante a exibição do programa “Manha Gazeta” (TV Gazeta), ela perguntou ao colunista de celebridades Marcelo Bandeira “Por onde anda Leila Lopes?”, sem saber que a atriz morreu há dois anos. E mais: mandou até um beijo para a falecida.

No programa, Marcelo corrigiu Claudete, afirmou que a atriz cometeu suicídio e causou surpresa na apresentadora. “A desinformada”, soltou a loira, tentando depois disfarçar: “Que notícia triste. Mas você vê como as pessoas às vezes fazem sucesso, daí morrem e aparece uma notinha assim, pequena, em algum lugar.” 

Resultado: o vídeo tomou conta da internet, virou hit e motivo de piadas. Porém uma delas, feita pelos humoristas Dani Calabresa e Bento Ribeiro, no “Furo MTV”, não agradou o colunista. O motivo? Referiram a ele como “ajudante homossexual” e “bicha”.

Em entrevista exclusiva ao Yahoo!, Marcelo revela o que aconteceu após a gafe, fala do possível processo contra os humoristas da MTV e da fama de fofoqueiro.




Saiu na imprensa que você estuda processar os humoristas Dani Calabresa e Bento Ribeiro por fazerem brincadeira sobre a gafe da Claudete. Ficou incomodado por ser definido como “ajudante homossexual” e “bicha”?
Independente de eles falarem sobre opção sexual (sic), falaram sobre mim de uma maneira debochada. Eu não gostei, pois tenho família e sobrinhos que assistem à MTV. A gente luta tanto para ter respeito e, de repente, as pessoas brincam daquela maneira, com deboche, nos fazendo de bobo da corte. Não tenho a mesma expressão que eles na mídia, mas tenho o meu trabalho e fiquei mal como me definiram. 

Você não acha que processar e tornar isso público vai deixar o vídeo ainda mais visível? 

Está no Youtube, e a velocidade da internet é tremenda. É um risco deixar mais visível, mas o programa já passou, reprisou e está na internet. Quem clicar para ver a história da Claudete, automaticamente verá ali do lado esse vídeo, né? Na verdade, fiquei chateado porque não me porto dessa maneira com ninguém na televisão. Gentileza gera gentileza, e acho que eles não precisam disso.

Além da sua história, o que acha do humor da Dani Calabresa e do Bento Ribeiro?
Não conheço o Bento, mas a Dani tem potencial, é uma menina de talento. Até acontecer isso comigo, eu achava que ela tinha umas sacadas interessantes. Mas ela se perdeu, pois humor não é humilhação. Aquela forma pejorativa com a qual me trataram não combina com uma emissora como a MTV, que se diz moderna, sem preconceitos.

Seu processo nos faz voltar aos limites do humor, que atualmente vem sendo pauta com Wanessa Camargo e Rafinha Bastos. Em sua opinião, devem existir limites para fazer o outro rir?
 
Acho que sim. Não sou a pessoa mais apropriada para falar de humor no Brasil, mas vi uma entrevista do Tom Cavalcante que ele diz que os humoristas precisam, sim, de limites. Não quero ligar a tevê, ser achincalhado no ar como a bicha ajudante, quero ser mostrado de uma forma bacana.

Você consegue achar engraçada a gafe da Claudete?
Hoje eu consigo tirar de letra, mas no momento da gafe foram os segundos mais intermináveis da minha vida. Não poderia colocar ela em uma situação de risco, pois é a apresentadora do programa. Algumas pessoas disseram que fui um cavalheiro, mas não poderia nem pensar em dar risada, chamar ela de doida... (risos) Quando perguntei: “Que Leila?”, torci para ela responder que era outra Leila. Mas ela falou: “A atriz”. Nossa! Até parei um pouco (risos). Hoje acho engraçado, consigo ver o vídeo e brincar quando as pessoas falam “Por onde anda?”

O vídeo que está na internet finaliza logo depois que ela afirma que muitos artistas morrem e rendem apenas uma notinha. O que acontece depois?
Eu digo que teve ampla divulgação da mídia: tevê, rádios, sites, que não saiu só uma notinha. Como ela não sabia, ela achou que outras pessoas não sabiam. Depois ela voltou a apresentar o programa, e a gente só se falou na outra semana. Dissemos que íamos tomar cuidado porque era um programa ao vivo e existem várias formas de errar ao vivo. Mas acho que a Claudete tira de letra.

Após a gafe, ela diz “a desinformada”. A Claudete é desinformada mesmo quando o assunto é celebridades? 
Antigamente eu fazia essa parte de celebridades com a Ione Borges. A Claudete ficava mais com as pautas médicas, de culinária, com outro foco. Eu não sei como é o dia a dia dela, mas acredito que ela deve ter acesso, sim, até porque a filha dela tem uma assessoria.

Por informar o público sobre celebridades, certamente você recebe muitas críticas. Elas te abalam? 
Me abalaria se eu fosse o único a fazer esse tipo de matéria. O problema é que as pessoas gostam de saber as informações de celebridades, mas não gostam de ser tachadas de fofoqueiras. Podem até dizer “isso não acrescenta em nada na minha vida”, mas se tiver em alguma rodinha e alguém comentar alguma coisa, elas vão dizer o que leram.

Qual é a celebridade sobre quem o público tem mais interesse? 
A Luana Piovani, com certeza. Tudo o que ela escreve e fala vira notícia. Ela é super autêntica, usa o Twitter para falar o que quer, é mal educada com quem é mal educado com ela. Existem muitas pessoas que o público gosta de saber mais, mas a Luana certamente lidera o ranking.

Incomoda ser chamado de fofoqueiro?
Não me incomodo. Falo sobre o mundo dos famosos e geralmente as pessoas associam com fofoca. E a fofoca vem de quem? Do fofoqueiro. Porém eu passo a informação de uma maneira informativa, não de uma forma maldosa, para prejudicar ou alfinetar alguém. A Claudete até brinca que eu não faço fofoca, que estou apenas informando o público que não tem R$10 para comprar todas as revistas.

About Neto Lucon

Jornalista. É formado pela Puc-Campinas e pós-graduado em Jornalismo Literário pela Academia Brasileira de Jornalismo Literário. Escreveu para os sites CARAS Online, Virgula e Estadão (E+), Yahoo!, Mix Brasil, no jornal O Regional e para a revista Junior. É autor do livro-reportagem "Por um lugar ao Sol", sobre pessoas trans no mercado de trabalho. Tem quatro prêmios de jornalismo, sendo dois voltados para as questões trans, Claudia Wonder e Thelma Lipp

0 comentários:

Tecnologia do Blogger.