Pitacos

James Franco é exemplo de homem com H


O que levaria um homem heterossexual a dizer publicamente que pudesse ser homossexual? Para o ator estadunidense James Franco, a resposta vem com a certeza de que a sexualidade não é algo tão relevante na vida de alguém, que a homossexualidade não é algo de que se envergonhar. Sobre tudo, para acabar com qualquer outro comentário em cima de sua própria vida.
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Os rumores de que Franco seja gay surgiram (acredite se quiser) pelo fato de ele ter interpretado três personagens homossexuais no cinema: o escritor Allen Ginsberg em “Howl”, o ativista Scott Smith em “Milk” e o poeta Hart Crane no “The Broken Tower”. Porém, até a "lógica" da relação obra-artista parece pouco provável, uma vez que já esteve em mais de 30 filmes, cujos personagens são predominantemente hé-te-ros. 

Mesmo assim, ao ser perguntado pela revista “Advocate”, o galã respondeu educadamente: “Isso é o que as pessoas pensam, mas não é a verdade. Não sou gay”. Porém, ao ser questionado novamente pela “Entertainment Weekly”, Franco ironizou: 
“Há muitas outras razões para se interessar por personagens gays do que eu querer sair e fazer sexo com outros caras (...) Ou, quer saber, talvez eu seja gay mesmo”.

O fato é que o ator, aos 33 anos, possui uma característica muito admirável a qualquer pessoa. Não se trata apenas de ser gay-friendly. Mas, sim, de 
ser extremamente autêntico e não se preocupar demasiadamente com aquilo que os outros vão pensar e fofocar. Tanto que, frente aos constantes comentários, topou posar vestido de travesti (sim, de travesti!) para a revista “Candy”. E exibir o rechonchudo bumbum para a capa da revista americana “Flaunt”. 

Tem ou não que confiar muuuito no seu taco?
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Digo isso porque tanta autoconfiança não se limita apenas nas questões de sexualidade. O ator demonstra constantemente remar contra o que a massa (e críticos) esperam em outros campos de sua carreira. Após estar em clássicos e premiados como “James Dean (2001)”, “Planeta dos Macacos” e “127 Horas” (2011), James não se intimidou em apostar em produções populares. 

Deu continuidade ao Harry Osborn da triologia “Spider-Man”, comédias românticas. E mais: se auto-convidou para o saga... “Crepúsculo”!
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Mas o que Franco faria em “Crepúsculo?” Pois é, nem mesmo o diretor Bob Condon entendeu e descartou logo a participação do ator. Considerou-o bom demais para um personagem secundário na trama, que levaria dois meses para ser finalizada. E foi falando de “Crepúsculo”, que ele não poupou brincadeiras sobre homossexualidade, mais uma vez sem se importar com os possíveis comentários...

“Tem uma cena em que os dois caras, Taylor e Rob, estão em uma barraca. É quase como uma cena de ‘O Segredo de Brokeback Mountain’. Os dois caras estão conversando e a garota está dormindo e ele tem uma espécie de momento romântico através dela. Um deles fala ‘eu sou mais gostoso que você’, e é como se eles estivessem piscando para o público”, brincou.

É por essas e outras que James Franco marca como o hétero mais hétero da atualidade, o macho-alfa. Aquele que sabe o que é, se garante e não tem o menor problema em falar sobre a diversidade sexual ou qualquer outro assunto. Um exemplo para tantos bocós metidos a machões por aí... E para aqueles que necessitam o tempo todo provar para o mundo o que são.
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Atualização [18/09/2013]: James voltou a ter que falar sobre a sua sexualidade para a The Daily Beast e disse: "Eu não me importo de as pessoas pensarem que sou gay. Então é, tipo: 'Legal!'. Quer dizer, eu queria... Eu queria ser gay". E ainda publicou uma imagem em seu Instagram em que brinca com os rumores e aparece beijando um homem mascarado. "James Franco apaixonado? Gay", escreveu o ator.


About Neto Lucon

Jornalista. É formado pela Puc-Campinas e pós-graduado em Jornalismo Literário pela Academia Brasileira de Jornalismo Literário. Escreveu para os sites CARAS Online, Virgula e Estadão (E+), Yahoo!, Mix Brasil, no jornal O Regional e para a revista Junior. É autor do livro-reportagem "Por um lugar ao Sol", sobre pessoas trans no mercado de trabalho. Tem quatro prêmios de jornalismo, sendo dois voltados para as questões trans, Claudia Wonder e Thelma Lipp

2 comentários:

JULIO CESAR disse...

Neto, adorei o texto, Parabéns! Virei fã do James Franco agora... rs

Alberto de Avyz disse...

Neto, já te curto da JUNIOR há um tempo. Muito bacana o seu blog!
Quanto ao bom e adorável James... ok, sem comentários. É torcer para que um homem que nem ele exista em versão gay prá gente curtir; né não?..

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