Entrevista

Entrevista: Débora Rodrigues

"Você pode ser rica, ter poder, o que for, mas a
única coisa que vai ficar depois de morrer,
é o seu nome"
Se tivesse muitas terras, negociaria com o MST
Neto Lucon * Yahoo!

Piloto de Fórmula Truck, ex-integrante do MST, capa da “Playboy” de 1997 e apresentadora de televisão. No fim de 2011, Débora Rodrigues apareceu também no reality show “Mulheres Ricas” (Band) e supreendeu muita gente.

Perguntavam: “o que faria Débora, uma mulher que sabe o valor do dinheiro, ao lado de Val Marchiori, Narcisa Tamborindeguy e outras ricaças?” Em entrevista ao “Yahoo OMG!”, ela confessa que também achou esquisito.

Mas resolveu aceitar. Quis dar um contraponto ao time de mulheres que esbanjam dinheiro e cartão de crédito, e investir novamente em sua imagem na mídia.

Ao “Yahoo! OMG!”, Débora comenta a participação no reality show, fala sobre segunda “Playboy” e responde o que faria se alguma de suas terras fosse ocupada pelo Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST). Veja:

Quando seu nome surgiu na lista de integrantes do “Mulheres Ricas” muita gente estranhou. Sentiu isso?
Com certeza, até porque eu também estranhei. Estranhei e neguei, não quis. Vou contar: inicialmente, alguém da produção confundiu e me convidou para participar do ‘Desperate Housewives’ (série americana da ABC), e eu achei o máximo. Mas quando cheguei lá, falaram que se tratava na verdade do “The Real Housewives” (reality show que mostra o cotidiano de mulheres burguesas norte-americanas). Falei: acho que alguém se confundiu (risos).

Quer dizer que você achou que fosse uma série e que atuaria como atriz?
(Risos) É, pensei que fosse. É claro que não sou atriz, mas se tivesse um diretor disposto a me dirigir, ótimo, estava dentro. Mas alguém se confundiu no momento de falar o nome em inglês. Quando soube, disse: ‘Não tenho nada a ver com essas duas mulheres, a Narcisa e a Val’. Mas eles me quiseram justamente para dar o contraponto. Pensei, conversei com minha empresária e vi que poderia contribuir para minha imagem. Topei a empreitada, mas confesso que morri de medo.

Você se considera uma mulher rica?
Bom, eles me chamaram para fazer o “The Real Housewives”, não para fazer o “Mulheres Ricas”. Esse nome só foi dito depois que fomos contratadas, e isso pesou contra. Para falar a verdade, quase declinei, queria sair, mas o Pablo (diretor do programa) é um cara muito legal e acabou me convencendo a continuar. Ainda não gosto do nome, acho antipático. Então não me considero uma mulher rica, no sentido da palavra antipática – a rica de esnobar, fútil. Eu me considero rica comparando com o que eu tinha antes, com o que eu era antes, vendo o que eu tenho hoje, do que eu posso hoje. Mas não tenho árvore de dinheiro no fundo do quintal. Trabalho para ter o que eu tenho.

Todos consideram você a mais “pé no chão”. Não tem esses ataques de gastar como as outras participantes?
Todo mundo tem os seus excessos guardados em suas devidas proporções. Acho que a gente sempre dá uma pisadinha fora do balde, mas não faço sempre não. Trabalho desde 1981 e sempre fui controlada com gastos. Meu avô dizia uma coisa: “Podemos ser ricos, ter poder, o que for, mas quando morremos não levamos nada para o túmulo, a não ser o nome. E as pessoas vão passar, ver seu nome e falar ‘esse cara é um cara legal’ ou vão passar e falar ‘esse cara é nó cego, não pagava ninguém’”. Então eu prezo pelo meu nome em primeiro lugar.

"Eu compro as coisas do meu gosto, e não para mostrar para os outros"
Você foi criticada pela Brunete por ter uma casa turquesa. Foi considerada brega por sugerir um carro amarelo para a Val. As pessoas falam que você tem um gosto inusitado para cor? 
Não ligo quando falam, pois é uma questão pessoal. A Brunete também adora cor, vive de pink, no escritório dela tem uma porta rosa, outra amarela, verde. Então não é um escritório que qualquer pessoa gostaria... A Val tem as coisas para mostrar para os outros, não são do real gosto dela. Tenho as coisas para mim: se minha casa é turquesa, é porque eu quero turquesa, eu me sinto bem. Se um dia vender, e a pessoa quiser mudar a cor, que pinte de outra cor. É simples.

De todas, você acha que vai manter amizade com quais?
Já mantive amizade com a Lydia e com a Brunete. A Narcisa é mais difícil porque está no Rio, mas não tenho nada contra ela.  

Narcisa afirmou que gostaria que o reality show elegesse uma vencedora. Quem acha que ganharia?
Depende dos critérios. Teria que ter vários prêmios: uma de ser engraçada, a outra de ser animada, a outra de ser crítica. Eu não sei se haveria uma vencedora, pois ali estamos mostrando mais o comportamento, a diversidade. Não ligo muito para esta coisa de competição, não.

Saiu na imprensa que você toparia posar novamente para a “Playboy”. Como você imaginaria esse segundo ensaio?
Sinceramente não tenho interesse e não houve proposta. Uma jornalista perguntou se eu posaria junto com minha filha, como fez a Helô Pinheiro com a Ticiane... Acho isso o fim, mas não digo nunca até ouvir uma proposta. A “Playboy” foi ótima, maravilhosa, não me arrependo. Quando posei, foi por dinheiro. Então hoje eu também não posaria se não fosse por dinheiro. Não tenho essa coisa de vaidade e tem muita coisa em jogo: minha imagem, os patrocinadores. E o tema, com certeza, teria que ser caminhão.

Seu marido é um pouquinho ciumento. Ele deixaria você posar nua?
Ele falou que tem que ser um cachê muito bom, senão eu fico em casa, ganhando o meu, que ganho bem. Não preciso disso.

"Não tenho interesse em posar nua com a minha filha"
Embora você tenha uma carreira consolidada como piloto, muita gente ainda liga o seu nome ao MST. Você se incomoda? 
Não tenho problema nenhum. Às vezes fico chateada quando vejo que usam isso de maneira pejorativa. A pessoa também deve me reconhecer como piloto, afinal tenho 13 anos na Fórmula Truck. Mas não existe problema em falar. Se estou aqui hoje, estou graças à Fórmula Truck e graças ao MST.

Se tivesse algum terreno, alguma fazenda, e fosse ocupada pelo MST, o que faria?
Primeiro, acho que seria muito difícil acontecer, pois sou uma pessoa instruída e conheço bem as leis. Jamais deixaria as minhas terras improdutivas ou teria uma terra sem documentação, que são as duas maneiras que permitem que a terra seja ocupada. Caso contrário, se eu tivesse muito, muito terreno, como algumas pessoas têm, eu negociaria rapidinho com o governo e os deixaria lá. Isso, sem dúvida.

About Neto Lucon

Jornalista. É formado pela Puc-Campinas e pós-graduado em Jornalismo Literário pela Academia Brasileira de Jornalismo Literário. Escreveu para os sites CARAS Online, Virgula e Estadão (E+), Yahoo!, Mix Brasil, no jornal O Regional e para a revista Junior. É autor do livro-reportagem "Por um lugar ao Sol", sobre pessoas trans no mercado de trabalho. Tem quatro prêmios de jornalismo, sendo dois voltados para as questões trans, Claudia Wonder e Thelma Lipp

1 comentários:

digo san disse...

Mutho bom sr Lucon

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