Entrevista

'Morgana é a personagem da minha vida', diz Rosi Campos

Castelo Rá-Tim-Bum reprisa há 14 anos
Em cartaz com a peça “A Saga da Bruxa Morgana e a Família Real”, em São Paulo, a atriz Rosi Campos, 57 anos, interpreta mais uma vez a veterana bruxa  de 6.000 anos em uma obra teatral.

Sucesso há 14 anos no programa “
Castelo Rá-Tim-Bum” (TV Cultura), a artista vê com felicidade a popularidade atemporal da personagem e diz que a bruxa está no subconsciente de muitos adultos. 


“É a personagem da minha vida. Morgana tem muita credibilidade, é divertida, e me faz dar autógrafos há 14 anos. Para mim, toda menina quer ser uma bruxa”, diz a atriz. Leia entrevista exclusiva sobre esta fantástica personagem: 

Bruxa Morgana é um ícone desde os anos 90...
Hoje, somos só eu e a Lady Gaga (risos). Se investisse mais, poderia fazer mais sucesso que ela.

Quando foi convidada, imaginava que se tornaria esse fenômeno entre crianças de várias gerações?
Não, não imaginava. Quando Cao (Hambúrguer, diretor) me chamou para o Castelo, nem cogitava que até hoje estaria com ela. Fui porque a Myriam Muniz (1931-2004) não quis fazer, não deu para ela interpretar na época. Lembro que perguntei a ele: “Você quer que eu faça uma voz, assim?” E ele: Não, na verdade ela é uma contadora de histórias, não amedronta as crianças.

Cogita alguma explicação para essa popularidade, uma vez que é a quinta vez, em 14 anos, que você interpreta Morgana?

É uma personagem de muita credibilidade, divertida, que a criançada adora. Tanto que dou autógrafo por causa dela há 14 anos. Morgana é uma testemunha ocular de tudo o que aconteceu no mundo, tem seis mil anos, é uma grande companheira. E realmente o sucesso do “Castelo” é atemporal, pois é uma excelente produção: foram 90 programas, que continuam no ar até hoje. Quando o produto é bom, o que é o caso, alcança diferentes gerações. 

Além disso, Morgana é como uma professora divertida...

Você sabe que, quando eu fui fazer cursinho, eu adorava muito mais que a escola. O professor é tão bacana, tão bacana, que em uma aula você aprende tudo. Aprendi análise sintática em uma hora de cursinho, o que não consegui aprender em quatro anos na escola.

Qual é a diferença que você nota entre as várias gerações que passaram assistindo o “Castelo Rá-Tim-Bum”?

Olha, é muito difícil segurar a atenção de uma criança hoje em dia, diante de tantas novidades. Ela está mais antenada, quer saber de tudo, embora não esteja aprofundada em nada. Se compararmos a minha formação, que não contou com tanto acesso à informação, à de hoje, acho que, ainda assim, consegui saber muito mais. Hoje é tudo muito superficial. Mas o “Castelo” é como o “Harry Potter”. Muita gente fala que a criança não lê, mas como não lê? O Harry Potter tem 500 páginas, 600, e a criança lê sim. Então, quando a coisa é boa, e a criança gosta, ela vai lá e vê. Com o “Castelo” aconteceu isso. É um fenômeno.

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"É muito bom escutar das pessoas: 'O Castelo fez parte da minha infância'."
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Você está com a peça “A Bruxa Morgana e a Família Real”, mas já interpretou Morgana nos cinemas, em outras duas peças, além do programa de televisão. Não está cansada dela? 

Não, pelo amor de Deus, quanto mais melhor. É tão difícil você ter uma aceitação assim, inclusive dos pais. Eles falam: “ah, o Castelo é a única babá eletrônica que eu confio”. É muito bom escutar das pessoas: “Você faz parte da minha vida”, “O Castelo faz parte da minha infância”. Alguns pais que levam os filhos ao teatro me dizem depois: “Eu trouxe a minha filha, mas na verdade era eu quem queria ver” (risos). Então eu gosto bastante e não me incomodo. É a personagem da minha vida, está no subconsciente de muita gente.  

Houve alguma transformação na personagem durante esses 14 anos?

Ah, não acho que ela tenha mudado. Ainda tenho muito que explorar dela, né? Com essa coisa de ela ter 6.000 anos, de conhecer de Egito a Marte, as profundezas do mar, é uma personagem ilimitada, que pode falar de tudo o tempo inteiro. Ela, às vezes, dá umas duras, estimula a ser curioso. E ensina de uma maneira legal, que ninguém esquece. Nesta peça, vou promover uma festa para recepcionar a família real no Brasil e canto quatro canções. Então, estarei mais cantora.

Já interpretou alguma outra bruxa anteriormente? 

Não, mas é bom. Somos mais interessantes. Como mãe, a gente é sempre um pouco bruxa, né? (risos). E, no fundo, toda menininha quer ser uma.

TEATRO RAUL CORTEZ
Rua Dr. Plínio Barreto 285 – Bela Vista | (11) 3254-1631 - Sábado e Domingo - 16h
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About Neto Lucon

Jornalista. É formado pela Puc-Campinas e pós-graduado em Jornalismo Literário pela Academia Brasileira de Jornalismo Literário. Escreveu para os sites CARAS Online, Virgula e Estadão (E+), Yahoo!, Mix Brasil, no jornal O Regional e para a revista Junior. É autor do livro-reportagem "Por um lugar ao Sol", sobre pessoas trans no mercado de trabalho. Tem quatro prêmios de jornalismo, sendo dois voltados para as questões trans, Claudia Wonder e Thelma Lipp
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