Entrevista

Entrevista: Solange BBB4

'Corrijo pessoas que me alfinetavam na época do BBB'
Por Neto Lucon

Não há nada que mais irrite Solange Vega, 33 anos, que encará-la como a mesma pessoa de nove anos atrás, quando participou da quarta edição do “Big Brother Brasil” (Rede Globo).  


Para mim, Solange é exemplo de luta e está realmente ótima
Considerada “ignorante” na época do reality, ela foi atrás dos seus objetivos e entrou de cabeça nos estudos. Desde 2004, faz aulas de português, ingressou em vários cursos de teatro e quer mostrar que melhorou “pelo menos 50%”. 

“Não desisti, estou lutando. Por mais difícil que seja, tudo é aprendizado. Muita gente falou ‘não’, julgou sem conhecer minha história, mas estou superando a cada dia. A exigência em cima de mim é três vezes maior que em qualquer outra”, desabafou.

Em entrevista exclusiva ao Yahoo! Brasil, Solange demonstra habilidade nas palavras, está mais bonita, mais mulher e decidida: quer atuar em uma novela. “Chego até a corrigir algumas pessoas que ficavam me alfinetando na época do BBB”, orgulha-se. Leia: 

Você foi um marco na história do “BBB”, mas também foi muito criticada. Como lidou com a exposição e comentários sobre sua vida? 
Não posso reclamar tanto porque minha vida mudou positivamente – antes eu era frentista, né? Mas fiquei muito tempo triste, porque as pessoas me julgavam sem conhecer minha história. A maioria não quis saber se passei fome, não tive oportunidade, não estudei para sustentar uma casa. Elas querem ver circo pegar fogo, saber apenas do resultado, do que você é hoje e falar mal.

O que mais te irritava na abordagem? 

O que dava mais raiva eram as pessoas ignorantes, que também não sabiam porcaria nenhuma, dando risada da minha cara, me encarando como a manezona. Para a nossa sociedade, temos que falar português corretamente, ter amplo conhecimento de cultura geral, saber cantar inglês, mas a realidade não é bem essa. A cara do Brasil não é essa, as pessoas não falam assim. Tem muita gente que, assim como fui no passado, comete muita gafe, independente da classe social. 

Noto que você mudou bastante...
Mudei muito, minha vida mudou. Agora estou estudando, me dedicando mais, o que antes eu não podia. Graças a Deus, tenho um marido que me ajuda e me dá forças para seguir adiante.

Chegou a corrigir alguém que antes corrigia você?
Já teve alguns casos, sim. Lembro de um em que a pessoa disse “você ‘alembra’ disso?” e, eu, “não é ‘alembra’, é ‘lembra”. (risos). Hoje em dia isso ocorre naturalmente. Também tenho que aprender muita coisa, mas estou bem melhor.
  
O que te motivou a estudar, procurar se aperfeiçoar?  
Durante um tempo, cheguei a tirar onda dessa fama de ignorante. Fiz CD, “Pânico”, “Show do Tom”, vários humorísticos na tevê. Mas notei que o pessoal me chamava para fazer isso, só isso, então decidi parar. Senão, seria encarada como ignorante, a burra do BBB, para sempre. Eu não gostava disso. Então, pensei em estudar. Não posso dizer que melhorei 100%, mas 50% com certeza. Estou bem dedicada nos meus estudos, focada no que eu quero.

O que você cursou e cursa? 

Estudei português pelo método Kumon, durante três anos, e continuo estudando até hoje. Fiz um pouco de inglês, mas confesso que esqueci muita coisa. Vou dar prioridade ao português, afinal moro no Brasil e quero dominar a minha língua. No teatro, estive em vários grupos: Retiro dos Artistas, Nós do Morro, Escola Cininha de Paula e atualmente estou fazendo Antonio Amâncio. Quero mostrar conteúdo quando surgir uma oportunidade como atriz.

A paródia espontânea de “We are The World” – a “Iarnuou” – ainda hoje é lembrada. Ainda te pedem para cantar?
(Risos) Ai que uó, sempre falam, mas fico na minha, não canto mais. Já passou tanto tempo, então chega, né? Vira o disco. Mas, pensando por outro lado, a música me favoreceu muito na época. Ia aos lugares para cantar, ganhava muito dinheiro. Foi o que me sustentou durante um tempo, não posso ser injusta. 

Acompanha outras edições do “Big Brother”? É verdade que torceu para o Dourado em 2010, seu desafeto no “BBB4”?
Assisti, sim, e é verdade que torci para ele. É que ele mostrou outra coisa, conseguiu mudar aquela imagem negativa. Não me dei com ele no BBB4, mas torci para ele em memória do que a gente já viveu. Além do mais, foi diferente, a situação foi diferente e ele mandou bem. Já na atual edição, não concordei com a expulsão do menino acusado de estupro.

Qual sua opinião sobre o caso do Daniel e Monique? 
Fui contra a eliminação desde o começo, porque acho impossível o homem tocar a mulher e ela não sentir nada, a não ser que esteja em coma alcoólico. Eu sou mulher e sei como é: quando a gente não quer, não quer. E eu vi que ela já tinha beijado e que consentiu com o que ele fez... Mas a sociedade prefere acreditar na mentira. Depois eu é que sou a ignorante. Agora viram que não ele não é culpado, mas vai ficar marcado para o resto da vida, infelizmente. 

Sol, para finalizar, qual é o título de matéria que você sonha ler ainda neste ano nos jornais? 

Ah, quero estar aí, na tevê, em uma novela da Globo, da Record... Quero uma matéria que fale que eu sou uma boa atriz, que eu superei tudo, que sou batalhadora, que corri atrás das coisas. Estou me dedicando, estudando, não desisti e espero mesmo chegar lá. A Grazi Massafera e a Juliana Alves chegaram, então eu também posso. 

                                 ONDE MAIS SAIU? 

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About Neto Lucon

Jornalista. É formado pela Puc-Campinas e pós-graduado em Jornalismo Literário pela Academia Brasileira de Jornalismo Literário. Escreveu para os sites CARAS Online, Virgula e Estadão (E+), Yahoo!, Mix Brasil, no jornal O Regional e para a revista Junior. É autor do livro-reportagem "Por um lugar ao Sol", sobre pessoas trans no mercado de trabalho. Tem quatro prêmios de jornalismo, sendo dois voltados para as questões trans, Claudia Wonder e Thelma Lipp

2 comentários:

o Humberto disse...

Bacana a entrevista, Neto.

claudia braga disse...

nossa!!a sol, arrasoooooooooooooou;
foi legal a entrevista,parabéns!!!!

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