Pride

O príncipe indiano gay

"Nunca me apaixonei"

Em junho de 2009, o Brasil recebeu Mavendra Singh Gohil, o primeiro príncipe indiano a se assumir publicamente homossexual. Conversei com a simpática realeza para o site “Mix Brasil” durante dois momentos: uma visita ao evento Mix Markt, no dia 13, e em sua despedida, no dia 16. Veja: 

Príncipe cogitou encontrar um amor no Brasil

Príncipe indiano gay revela algumas curiosidades da vida pessoal

A música rolava solta na tarde de sábado, 13, quando o príncipe indiano Mavendra Gohil, o primeiro a se assumir gay, chegou à feira Mix Markt, em São Paulo. Meio desconcertado, devido à altíssima música eletrônica, ele não reclamou, mas permaneceu dentro da tenda da Arco-Iris durante todo o evento.

Com trajes indianos que cobriam até o pescoço (também brinco, pulseira, anel e uma pintura vermelha na testa que simboliza o terceiro olho), ele declarou, por intermédio do empresário Douglas Drummond, algumas das curiosidades que rondam a sua vida e tradições.

Mavendra disse nunca ter se apaixonado de verdade. E até cogitou encontrar um grande amor em meio aos brasileiros. "Nunca se sabe (se me apaixonarei por um brasileiro). Nunca me apaixonei de verdade e ainda tenho quatro dias aqui no Brasil. Tudo pode acontecer", declarou com sorriso contido.

Ao falar sobre os homens brasileiros, ele não se fez de tímido e os considerou "quentes, calorosos e anos luz à frente do preconceito". "Fui muito bem recebido pelos brasileiros, sem preconceito, apontamentos. Além disso, vocês são quentes", frisou.

A única coisa que não agradou muito o príncipe foi o som dance e eletro. Mesmo assim, quando questionado sobre o que achava da música, ele esbanjou educação. "Não gosto muito, acho muito barulhento. Estudo música clássica, portanto prefiro este estilo mais clássico e sofisticado, mas não me incomoda". Tá bom?

Em uma das entrevistas com Manvendra
Chalo
Em jantar íntimo, príncipe indiano gay dá adeus ao Brasil
Dentro do restaurante Piaf, em São Paulo, um convidado ilustre marcava presença e se despedia do Brasil. Na noite de terça-feira, 16, Manvendra Singh Gohil, o príncipe indiano gay que veio ao país para a Parada de São Paulo, finalizou a maratona de visitas com um jantar de requinte a convite do Casarão Brasil.

Ao todo foram 11 convidados, sendo a maioria integrantes do Casarão, como o conselheiro executivo Rogério Oliveira, o vice-presidente Luis Carvalho e o conselheiro Rafael Jacomini. O diretor do Mix Brasil, André Fisher, também esteve no jantar e conversou com a realeza indiana.

Com todo o tratamento de príncipe, Manvendra chegou ao restaurante às 20h45 e logo pediu um prato exclusivo: “robalo com batata sautê e molho de alcaparra”, declarou a garçonete Lilian Almeida. “Ele também disse que adorou o guaraná daqui e afirmou que nunca havia bebido nada parecido”, continuou ela.

O proprietário do Piaf, Douglas Magri, declarou ter sido a presença mais ilustre do restaurante e que se surpreendeu com a simpatia do príncipe. “Estamos pensando até em montar um prato dedicado ao Manvendra”, revelou, referindo-se ao robalo especial.

Após o jantar, os convidados continuaram no local, onde o príncipe bateu um descontraído papo e disse que teria inclusive um perfil no Facebook, provocando risos. Por volta das 23h, eles saíram da mesa e começaram a tirar fotos com o indiano em um jardim de inverno.

Acompanhado de Sylvester Merchant, co-fundador da ONG Lakshya Trust, o príncipe aparentava ligeiro cansaço, porém não se recusou a tirar foto com nenhum convidado. Ele disse ter amado a visita e que está levando doces lembranças do país.

"São momentos que jamais vou esquecer, que vou guardar para o resto da minha vida. Com certeza, levo doces memórias do Brasil”, disse Manvendra, que retornou à Índia no dia 17. Ele levou para casa café e velas brasileiras, mas, ao contrário de suas expectativas, nenhum amor. Que pena!

Jantar de despedida do príncipe. Ele adorou o guaraná brasileiro. 

About Neto Lucon

Jornalista. É formado pela Puc-Campinas e pós-graduado em Jornalismo Literário pela Academia Brasileira de Jornalismo Literário. Escreveu para os sites CARAS Online, Virgula e Estadão (E+), Yahoo!, Mix Brasil, no jornal O Regional e para a revista Junior. É autor do livro-reportagem "Por um lugar ao Sol", sobre pessoas trans no mercado de trabalho. Tem quatro prêmios de jornalismo, sendo dois voltados para as questões trans, Claudia Wonder e Thelma Lipp

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