Pitacos

Banheiro para travesti? Não!


Por que não é necessário criar banheiros específicos para travestis e transexuais 
Por Neto Lucon

Momento constrangedor para muitas travestis e transexuais, ir ao banheiro muitas vezes é motivo de dor de cabeça.
Feminino ou masculino? De homem ou de mulher? Afinal, em uma sociedade em que tudo é dividido em macho e fêmea, para onde vai alguém que está no meio de toda essa história?
.
Para mim parece óbvio: se você está vestida com trajes femininos, vai ao banheiro feminino. Mas para muita gente isso não é tão claro. Dizem: mas elas têm pênis, urinam em pé e blá blá blá. Calma, calma. Vamos explicar...
. 
Quando estamos diante de um banheiro público, quais são as imagens que vemos fixadas na porta?
Uma menininha de saia, um rapaz com calça. Ou então, um chapéu feminino e uma cartola masculina. Alguém já viu o desenho de um pênis ou de uma vagina estampados? Fale sério, sem contar aqueles feitos manualmente atrás da porta com intuito de brincadeira ou caça, alguém já viu alguma genitália para diferenciar?.

Então é mais que obvio. Pessoas que estão com
vestes femininas (e que se identificam como femininas) vão a um banheiro feminino. Pessoas que estão com vestes masculinas (e se identificam como figuras masculinas) vão ao outro. É simples quando a gente desenha. Sem dores de cabeça ou mistérios..

Na Argentina, uma vereadora de San Martín propôs a instalação de um terceiro banheiro para travestis em danceterias. Ela alega que as mulheres se sentem constrangidas em dividir o mesmo espaço com as trans, e que os homens podem abusar sexualmente delas. Considero a iniciativa, apesar de bem intencionada, uma grande furada.
.

Primeiro, é uma bobagem dividir um banheiro por sexo ou por gênero, principalmente envolvendo a comunidade LGBT. Afinal, para que é feito um banheiro?.

Como diz minha amiga travesti Janaina Lima: é para fazer o número 1, número 2, lavar as mãos e ir embora. Não é lugar para mulher ficar batendo papo, nem para homem caçar, nem para ninguém dar close. Volto a dizer: é para fazer coco, xixi, lavar as mãos e tchau. Não existe inconveniente..

Quanto às mulheres ficarem incomodadas, nos banheiros femininos o espaço para as necessidades fisiológicas delas é reservado, com porta e tal. Ou seja, a travesti chega, cumprimenta a mulher que está saindo, entra no reservado, faz o que tem que fazer (sem ninguém ver nada), sai do reservado, lava as mãos, cumprimenta a mulher que está entrando e vai embora..Simples, fácil, sem complicações e tranquilo... Não?

About Neto Lucon

Jornalista. É formado pela Puc-Campinas e pós-graduado em Jornalismo Literário pela Academia Brasileira de Jornalismo Literário. Escreveu para os sites CARAS Online, Virgula e Estadão (E+), Yahoo!, Mix Brasil, no jornal O Regional e para a revista Junior. É autor do livro-reportagem "Por um lugar ao Sol", sobre pessoas trans no mercado de trabalho. Tem quatro prêmios de jornalismo, sendo dois voltados para as questões trans, Claudia Wonder e Thelma Lipp

0 comentários:

Tecnologia do Blogger.