Pop & Art

Famosas que representam a força feminina

No “Dia Internacional da Mulher”, relembre 10 mulheres do mundo do entretenimento que contribuíram para a força feminina
Neto Lucon 

Leila e sua ousadia chocaram a sociedade dos anos 60 e 70
Leila Diniz (1945-1972): Símbolo da revolução feminina e considerada uma mulher a frente do seu tempo, a atriz escandalizou a sociedade nos anos 60 e 70. Tudo porque falava abertamente sobre sexo, soltava palavrões e apareceu só de biquíni quando estava grávida. Foi perseguida e até provocou uma censura prévia à imprensa, por uma entrevista ao jornal “Pasquim”. Nela, dizia: “Você pode muito bem amar uma pessoa e ir para a cama com outra. Já aconteceu comigo”. Participou, ao todo, de quatorze filmes, doze telenovelas e morreu em um acidente de avião aos 27 anos.
Elza Soares: muito além das plásticas e dos relacionamentos
Elza Soares (74 anos): Ninguém dizia na favela Moça Bonita, no Rio de Janeiro, que a cantora se tornaria uma pessoa de sucesso. E foi passando por muitas dificuldades – chegou a perder um filho de fome – que Elza Soares conseguiu “levantar, sacudir a poeira e dar a volta por cima”. Começou aos 14 anos, quando foi ao programa de Ary Barroso, na Rádio Tupi, e pediu oportunidade para cantar. No início, não foi levada a sério e recebeu a alfinetada: “De que planeta você veio?”. Elza devolveu na mesma moeda: “Vim do Planeta Fome”. Todos se calaram e a “mulata assanhada” cantou e foi aplaudida em pé. Foi eleita a cantora do milênio pela BBC de Londres.
Primeira negra a figurar na lista dos mais ricos do mundo
Oprah Winfrey (58 anos): Considerada a mulher mais poderosa do mundo do entretenimento, a apresentadora americana Oprah conquistou uma carreira de muito sucesso. Tanto que, depois de receber vários prêmios pelo talk show “The Oprah Winfrey Show” – que teve a maior audiência da história da televisão estadunidense – ela deu um fim no programa com a super novidade: terá a sua própria rede de televisão, OWN (The Oprah Winfrey). Ela também tem uma revista feminina com o seu nome, participa de vários projetos sociais e foi a primeira mulher negra a ser incluída na lista de bilionários da Forbes. Uau!
"Ninguém nasce mulher, torna-se"
Roberta Close (47 anos): Já dizia a feminista francesa e filósofa existencialista Simone de Beauvoir: “Ninguém nasce mulher, torna-se”. E nenhuma outra mulher lutou tanto à luz da mídia brasileira para ser reconhecida como tal como Roberta Close. Nem mesmo a beleza, que a fez ser considerada a mulher mais bonita do mundo, a livrou do estigma de ter nascido um garoto. Roberta quebrou tabus: posou nua, foi vedete do carnaval carioca e tornou-se símbolo sexual de uma sociedade machista. Em 1989, fez a operação de redesignação sexual (a mudança de sexo) e só depois de 15 anos conseguiu mudar os documentos. Hoje é oficialmente Roberta Gambine Moreira.
Madonna: ela quer ser um exemplo como Marylin Monroe

Madonna (53 anos): A Rainha do Pop é exemplo de que a idade a tornou ainda mais ousada e produtiva. Ainda na ativa, não concorre com Lady Gaga e outras novatas do pop. Reina soberana e é respeitada pelos 274 prêmios ganhos, 400 indicações, venda de mais de 300 milhões de discos e, claro, sua notável ousadia. Sobre ser uma referência mundial, ela diz: “Eu quero ser o símbolo de algo, isso é vencer, quer dizer que você significou alguma coisa. Até onde eu sei Marylin Monroe conquistou o mundo. Ela significou algo”. 
Fernanda Montenegro: não quer ser chamada de dama
Fernanda Montenegro (82 anos): Dama do teatro, da tevê e do cinema de todos os tempos, a atriz é um exemplo de mulher e profissional. Com 50 anos de carreira e de talento incontestável, conseguiu a façanha de ser a única atriz brasileira a ser indicada ao Oscar, em 1998, pelo filme “Central do Brasil”. Esteve em vários outros longas, como “Casa de Areia” e “Olga”, e novelas, como “Zazá” e “Passione” – além do vasto número de peças de teatro. Embora seja considerada a dama dos palcos, ela garante não gostar do título: “Não me agrada porque tantos outros o merecem. Sou simplesmente uma atriz”.
Além de linda, engajada em causas sociais
Gisele Bündchen (31 anos): A gaúcha já foi considerada a modelo mais bonita do mundo e é a mais bem paga do universo da moda. Com mais de 500 capas de revistas, ela propôs um novo modelo de beleza no fim dos anos 90, com mais curvas e menos aspecto cadavérico. Em 2007, foi a única brasileira a entrar na lista das pessoas mais bem pagas, feita pela Forbes. Além disso, tem um forte lado ativista: participa de campanhas contra a AIDS na África, fez doações para os atingidos pelo terremoto no Haiti e é embaixadora da Boa Vontade pelo Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente.
Tornou-se fonte de força para mães que perderam filhos
Glória Perez (63 anos): Desde que foi descoberta por Janete Clair em 1983, a autora traz importantes temas sociais para as famílias brasileiras. Discutiu maternidade em “Barriga de Aluguel” (1990), falou sobre a campanha para encontrar crianças desaparecidas em “Explode Coração” (1995) e até sobre testes de clonagem em “O Clone” – isso sem contar as várias culturas que costuma abordar. Em 1992, sofreu com o assassinato da filha Daniela Perez e se tornou fonte de força para muitas mães que perderam seus filhos. Em 2013, volta ao ar com “Salve Jorge”, que se passará na Turquia.
Ela nunca quis ser mais uma garotinha
Cássia Eller (1962-2001): A força estava na voz e atitude da cantora. Lésbica assumida e cheia de malandragem, Cássia Eller deixava muita gente surpresa e emocionada nos anos 90. Suas opiniões fortes, música e seios à mostra, a tornaram uma mulher diferente. “Não tem jogada comigo. Não sou educada, neguinho vê na cara. Não tenho obrigação de pertencer ao grupo das mulheres e agir igualzinho a todas”.
"Não consigo fingir que não há milhões de pessoas a sofrer no mundo"

Angelina Jolie (36): Mãe de seis crianças – sendo três adotivas – Angelina é referência para muitas mulheres modernas. Com a carreira bem sucedida, que já resultou inclusive em um Oscar (por “Garota Interrompida”, de 1999), a atriz ocupou o primeiro lugar na lista das mais bem pagas, da Forbes, em 2011. Casada com Brad Pitt, Jolie já declarou que não vê o sexo como essencial em um relacionamento: “Quando me apaixono, me apaixono por um ser humano. Eu não vejo um homem ou uma mulher, uma pele negra ou branca, um adolescente ou um cinquentão, mas uma alma da qual sou o complemento”. Engajada em projetos sociais, ela diz que não consegue “fingir que não há milhões de pessoas a sofrer no mundo”.

About Neto Lucon

Jornalista. É formado pela Puc-Campinas e pós-graduado em Jornalismo Literário pela Academia Brasileira de Jornalismo Literário. Escreveu para os sites CARAS Online, Virgula e Estadão (E+), Yahoo!, Mix Brasil, no jornal O Regional e para a revista Junior. É autor do livro-reportagem "Por um lugar ao Sol", sobre pessoas trans no mercado de trabalho. Tem quatro prêmios de jornalismo, sendo dois voltados para as questões trans, Claudia Wonder e Thelma Lipp

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