Entrevista

Entrevista Álamo Facó

'Me identifico mais com o humor ácido'

Neto Lucon (Yahoo!)

Surfista, publicitário, junkie soropositivo e músico de circo. Esses são alguns dos personagens que o ator Álamo Facó interpreta atualmente na televisão, teatro e cinema. Em cartaz com os filmes “Qualquer Gato Vira-Lata ” e “O Palhaço ”, ele também divide os palcos com Marco Nanini em “Pterodáctilo”.

Com forte veia cômica, o ator é um dos maiores destaques de “A Mulher Invisível” (Rede Globo), que acaba de encerrar a primeira temporada. Aliás, devido à audiência positiva (pela primeira vez o Ibope ultrapassou os 20 pontos no horário) a série vai ganhar nova temporada com oito novos episódios.  

Feliz com o sucesso, Álamo conversou com exclusividade com o Yahoo! e falou sobre poligamia, novelas e humor. “Acho possível e super normal se apaixonar por duas pessoas”, afirmou o ator. “Duas não, acho que até por mais”, defendeu. 

Yahoo!: A primeira temporada da “A Mulher Invisível” terminou na última semana com contrato assinado para continuação. Qual é o trunfo da série? 
É a alquimia entre o elenco, direção, roteiro e ideia original. É uma série que tem a liberdade de trabalhar a linguagem lúdica: um cara que vê uma mulher que não existe para mais ninguém. Então através desse argumento você pode ousar na fotografia, na trilha sonora, trabalhar com luzes em movimento. O universo lúdico foi o grande passo para atingir as pessoas.

Yahoo!: Wilson, seu personagem, costuma dar conselhos desastrosos a Pedro (Selton Mello). Na vida pessoal costuma pedir ou dar conselhos? 
Dou conselhos, mas os meus são melhores (risos). Acho que é importante ouvir uma segunda opinião, mas no fundo será o seu ponto de vista que vai prevalecer. Geralmente peço conselhos quando sou convidado para um trabalho, quando estou em crise em um relacionamento, quando enfrento algum problema familiar. Já recebi conselho errado, mas soube lidar bem com isso. 

Yahoo!: Assim como Pedro, acha que é possível amar duas pessoas ao mesmo tempo? 
Acho possível e super normal. Aliás, acho que não só por duas pessoas, mas por várias. E são fases da vida: existem momentos em que a paixão está voltada para mais pessoas e outros em que você quer uma relação a dois. Também já passamos da fase de achar que um relacionamento a dois é careta. Não existe regra: não dá para dizer para alguém que amar dez pessoas e nem ser radical, dizendo que só a monogamia é que dita a ordem. 

Yahoo!: Você é poligâmico? 
Você sempre vem com pergunta cabeluda, né? (risos). Não tenho relacionamento poligâmico. Tenho relacionamento com a Dandara Guerra, e eu tenho uma relação de respeito, de troca, de amor, de aprendizagem, de crescer junto, de resolver problemas juntos. É também passo por crises, como todo relacionamento passa.

Yahoo!: Pensando na questão idealizada da série, como seria a sua “Mulher Invisível”?
A mulher invisível é aquela que a gente convive todos os dias, e às vezes ela deixa de ser, em algum dia da semana, e depois volta a ser. Nunca penso só pela questão estética. Vou mais pela questão de ser parceira, verdadeira, que não seja egoísta, alguém que transmita essa troca de energia...

Yahoo!: Engraçadíssimo no vídeo, você sempre teve essa pegada para o humor? 
Sempre tive essa pegada. Puxei dos meus pais, que eram muito engraçados. A peça “Pterodactilos” tem o humor com o qual eu me identifico muito, algo mais ácido, perspicaz. Sou mais apaixonado pela ciência do ator do que “como vou fazer essas pessoas rirem?”. Acho que acabo fazendo as pessoas rirem justamente porque estou despreocupado com isso. Vou com meu jeitão, meio esquisitão, meio engraçado, que acaba dando certo. 

Yahoo!: Alguns artistas cômicos são bem diferentes na vida pessoal. Marisa Orth, por exemplo, se diz trágica.  Oscarito era rabugento... Como você é? 
Não sou de rir por qualquer coisa, sou bem sério, mas não me considero rabugento. Também nunca fui apaixonado só por fazer filmes de humor. Tanto que eu não vou à locadora alugar filmes de humor. Vou para alugar filme humano, que fala sobre aventura humana, a alma humana.  

Yahoo!: Sempre em séries e cinema, pensa em estar no elenco de uma novela? 
Sempre respondo aos jornalistas que sim, para deixar as portas abertas, mas quando vou ler a matéria está escrito “Álamo Facó sonha em fazer novela” (risos). Eu tenho vontade, mas não é um sonho. Quero essa porta aberta porque sou um apaixonado por áudio-visual. Apesar de entrar na aula de teatro com 11 anos, eu frequentava muito cinema.

Yahoo!: Rodrigo Santoro disse que prefere estar em séries que novelas, por conta do tempo que leva...
Também acho que prefiro minissérie, seriado e cinema. Mas é que o Rodrigo já fez novela e eu nunca fiz uma novela inteira, só algumas participações. Talvez faça por curiosidade de saber como é o desafio de permanecer por oito meses com um personagem. Deve ser super difícil.

Yahoo!: O que você assiste na televisão?
Eu deveria assistir mais, mas não tenho televisão em casa. Tenho um projetor, em que vejo os filmes na parede. Teria que ver, primeiro, para aprender, já que tem rolado muito trabalho. Depois porque, quando chega algum episódio da “Mulher Invisível”, tenho que correr para algum amigo (risos). 

Yahoo!: Como é se ver na tela? 

Antigamente eu ficava em pânico, mas agora estou mais acostumado. Dou muita risada comigo, mas ainda tenho o olhar crítico: “Aqui eu poderia ter me posicionado melhor, falado mais rápido.” Outras vezes gosto bastante. Acabei de ver o filme “O Palhaço” e gostei de me ver. Faço um músico do circo, trapalhão, meio mentiroso, meio ferrado na vida, perdido e, ao mesmo tempo muito querido pela trupe. Quando vi, falei: “e não é que ficou maneiro?”. 

Yahoo!: No palco com o grande mestre Marco Nanini, com quem também contracenou em “A Grande Família”, como é a sua relação com ele? 
É um grande amigo. Aprendo muito com ele e ele diz que aprende muito com o elenco. É um dos maiores atores do Brasil. O Nanini tem a inteligência de escolher peças que são sempre um desafio. Ele poderia tranquilamente escolher uma peça em que ficasse sentado, pois iria lotar do mesmo jeito, pois é muito querido. Mas não, ele escolhe peças em que sobe, pula, desce. Quando o ator está sendo desafiado, ele está sendo colocado em seu melhor lugar. 

Yahoo!: Sempre quando escrevemos sobre a Luana Piovani recebemos uma infinidade de críticas dos internautas. Como é trabalhar com ela? 

É uma delícia! As pessoas não podem esquecer que ela é muito querida, que as pessoas amam o trabalho da Luana. Quando conquistamos esse grande ibope da “Mulher Invisível”, ela está dentro desse pacote, muito forte. Ela é muito carismática, comunicativa. Fala com o presidente da Globo e com a mulher que passa no camarim. Ela é polêmica, sim, mas as pessoas não devem se enganar.

Yahoo!: Quais são seus novos projetos?
Estarei com a segunda temporada da “Mulher Invisível”, vou voltar em cartaz com a peça “Talvez”, no Rio de Janeiro, vou fazer uma turnê com “Pterodactilo” e também estou escrevendo um longa metragem. 

Yahoo!: Nossa! Não dá um nó na cabeça?
Total! Mas amo essa confusão.

About Neto Lucon

Jornalista. É formado pela Puc-Campinas e pós-graduado em Jornalismo Literário pela Academia Brasileira de Jornalismo Literário. Escreveu para os sites CARAS Online, Virgula e Estadão (E+), Yahoo!, Mix Brasil, no jornal O Regional e para a revista Junior. É autor do livro-reportagem "Por um lugar ao Sol", sobre pessoas trans no mercado de trabalho. Tem quatro prêmios de jornalismo, sendo dois voltados para as questões trans, Claudia Wonder e Thelma Lipp

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