Entrevista

Entrevista: Britto Jr

'Passamos uma mensagem ecológica com A Fazenda'

Desde 2009, o jornalista e apresentador Britto Jr., de 48 anos, tem o desafio de comandar (e confinar) famosos ou “personalidades da mídia” no reality show “A Fazenda” (Rede Record).

No início, os críticos diziam que o programa não ultrapassaria a segunda edição e que Britto não possuía o mesmo jogo de cintura que Pedro Bial, que está à frente do “Big Brother Brasil” (Rede Globo).

Bobagem! Em sua quinta edição, o programa ainda demonstra certo fôlego e Britto parece que encontrou seu caminho, sem comparações. Até mesmo o visual mudou: emagreceu, fez o cabelo crescer e passou a se vestir melhor.

Em entrevista exclusiva ao Yahoo! Brasil, o apresentador revela detalhes do reality show, relembra momentos, participantes marcantes e diz que o diferencial de “A Fazenda” é a mensagem ecológica. 

Apesar de sua apresentação ser elogiada hoje, muita gente pegou no seu pé nos primeiros programas. Como conseguiu essa virada?
O sucesso de um reality show depende de muitos fatores: provas bem feitas, elenco, bichos, imprevisibilidade e também apresentação. Para esse detalhe, posso dizer que me empenhei, me interessei. Procurei referências e, principalmente, a minha forma de fazer. Embora exista “A Fazenda” em outros países, começamos do zero, pois a linguagem do Brasil é diferente. Não dá, por exemplo, para adotar um estilo sueco de fazer reality show aqui. Então, fui buscando, aprimorando, conversando com as pessoas, com o público, tentando corrigir.  

Até o visual e o peso na balança mudaram. Preocupou-se em aparecer mais bem vestido e repaginado na televisão?
Claro, até porque sempre fui um pouco desleixado, despojado, não me preocupava muito com a roupa, figurino. Portanto tive uma equipe pessoal muito boa, que foi organizando a roupa adequada, na moda, nas cores corretas, nesses detalhes que eu não domino. E, de fato, se você notou isso, fico contente, é porque deu resultado.

Na última edição, Monique Evans deu vários beijos no seu rosto e selinhos, enquanto comemorava a vitória de uma roça. Você disse que sua mulher ficaria brava... Ela ficou?
O importante é você chegar em casa e... Negar (risos)! Você nega sempre. Mas não teve problema, não. Ela sabe que é um programa de televisão e que cada participante tem a sua estratégia. Acho que a Monique foi simpática e tentou conquistar o apresentador, a direção, o público, e de alguma forma mandou bem na estratégia.

Por que você acha que Monique foi a primeira eliminada de “A Fazenda 3” e a segunda colocada em “A Fazenda 4”? Ela te surpreendeu? (Veja vídeo da participação da Monique) 
Me surpreendeu, sim. Mas só ocorreu porque ela conseguiu mostrar suas duas faces, como ela mesma define. Ela é brincalhona, bem humorada na televisão, mas tem esse lado mais pesado e depressivo na vida pessoal. Na primeira “Fazenda”, ela não aguentou, mostrou só um lado. Já, na segunda, enfrentou essa fragilidade e assumiu. Vi na rua muitas pessoas torcerem pela Monique por ela assumir a depressão, a fragilidade, a sinceridade. E deu certo, ela quase ganhou.

O que acha dessa obsessão do público em querer resgatar o ator Theo Becker, de “A Fazenda 1”, para as atuais edições? (Veja vídeo da participação de Theo)
Mesmo tendo ficado apenas duas semanas, Theo deixou a marca dele. Mostrou esse lado mais excessivo, talvez até exagerou um pouquinho e tornou-se uma referência muito forte. Não vejo problema algum. E acredito que ele tenha esse sucesso porque se tornou um agressivo com pitadas de humor. Ele conseguia ser agressivo e, ao mesmo tempo, engraçado, então as pessoas se divertiam com aquilo tudo. Deu certo.

Revendo todas as eliminações, acredito que uma das mais difíceis para você tenha sido a da Adriana Bombom, que chorou muito, ajoelhava e não queria sair. Foi difícil esse momento (assista aqui)Foi tenso para mim. Primeiro, porque ela estava vivendo um drama pessoal fora da “Fazenda”. Ela entrou no programa sabendo que as coisas não estavam bem em casa e com o ex-marido (Dudu Nobre). Separação, filhos, guarda dos filhos, e isso mexeu com ela. Adriana é uma artista muito bonita, mas acima de tudo é uma mãe. Segundo, ela não sabia o que estava acontecendo com o drama familiar, já que estava confinada e sem notícias. Então ficou desestabilizada e por qualquer coisa chorava, estava supersensível. Quando foi eliminada, ela sentiu muito, mais que qualquer outro. Pensei que naquele dia o programa precisaria ser encerrado sem a participante sair. Depois a gente gravava e colocava no outro dia, teria que recorrer a isso. Mas foi difícil.

Em sua opinião, qual participante é a cara de “A Fazenda?”
Todos dão um mix ao reality show. Tem que ter o engraçado, o mais introspectivo, inteligente, o sarado... Então temos ex-participantes para todos os gostos. Para mim, destaco a presença do Sergio Mallandro, do próprio Theo Becker, do Fábio Arruda e da Joana Machado. Ela era uma mulher diferente, meio temperamental, que tornou-se uma referência para as outras.

Qual é a principal diferença de “A Fazenda” para os demais reality shows? Até mesmo comparando com a extinta “Casa dos Artistas” (SBT), que era com famosos?
A Fazenda não é só um mero jogo, que tem provas, prêmios, a articulação... Apesar de pouca gente se ligar, passamos dentro de um ambiente rural, com animais, em que os participantes têm de trabalhar, cuidar da natureza. Passamos uma mensagem ecológica, embora ela seja esquecida. Falar sobre o cuidado com o meio ambiente é mais do que um diferencial.

About Neto Lucon

Jornalista. É formado pela Puc-Campinas e pós-graduado em Jornalismo Literário pela Academia Brasileira de Jornalismo Literário. Escreveu para os sites CARAS Online, Virgula e Estadão (E+), Yahoo!, Mix Brasil, no jornal O Regional e para a revista Junior. É autor do livro-reportagem "Por um lugar ao Sol", sobre pessoas trans no mercado de trabalho. Tem quatro prêmios de jornalismo, sendo dois voltados para as questões trans, Claudia Wonder e Thelma Lipp

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