Entrevista

Entrevista: Rafinha, o vencedor do BBB8

Tenho mesmo uma aparência Emo

Neto Lucon (O Regional/ 2008)

Com muita simpatia, tranqüilidade e atenção, o vencedor do Big Brother Brasil recebeu a reportagem do O Regional, em seu apartamento, em Campinas, para uma entrevista exclusiva ao Caderno Mulher. Três meses depois da participação no reality show da Rede Globo, a vida do novo milionário não para. São muitos trabalhos, eventos, viagens e - é claro - entrevistas.

 Nas respostas – todas bem pensadas e supervisadas por seu assessor – Rafinha demonstra ser um homem maduro, decidido e brincalhão. Tanto que, ao contrário do que muita gente pensa, ele não pretende torrar o seu prêmio. Ao contrário. Foca no futuro e diz que vai viver apenas do dinheiro que ganhar após o BBB.

“Não vou gastar meu prêmio agora. Quero trabalhar e gastar o dinheiro dos meus trabalhos. O milhão vai ficar para o futuro”. Aqui, Rafinha também fala sobre reality shows, do assédio, cuidados com a beleza, da fama de emo, da banda Mipt e do seu maior sonho.

Rafinha, com tantas entrevistas, você já enjoou de falar sobre o Big Brother?
Não cara, eu acho que não. Falar, eu falo. Vem sempre a lembrança do programa e, para mim, é gratificante. Quanto mais eu falar, é melhor.

Antes de entrar, chegou assistir ao programa e se preparar?
Não tive a oportunidade de assistir. Na verdade, eu assisti alguns vídeos no youtube para ter uma noção do que era. Mas acompanhar, eu nunca acompanhei. Assisti a edição do Alemão, vi dois vídeos das brigas dele, para saber o que rolava na casa, mas foi só isso.

Qual a sua opinião sobre reality shows?
Ah cara, eu acho legal, acho interessante. O Big Brother é um programa que chama a atenção do pessoal de casa, que passa a assistir o programa como uma novela. Querem saber mais sobre o dia-a-dia de cada um, torcem, é bem legal.

Quando o Pedro Bial falou que a diferença do vencedor foi de 0,15%, o que passou em sua cabeça?
Na verdade, quando você chega na final, você fala “pô, já cheguei até aqui, o que vier é lucro”. Me sentia um vencedor por ter chegado até ali e qualquer resultado que viesse estava bom. Já estava muito satisfeito por ter chegado à final.

Você acha que a edição do programa acaba beneficiando ou prejudicando algum participante?
Acredito, que, pelo que eu vi, não. É aquilo ali mesmo. A edição procura ser fiel com o que acontece dentro da casa.

Então o Felipe realmente foi um participante fantasma no programa?
Nessa parte do Felipe eu achei até meio estranho, porque ele estava sempre comigo. Eu sacaneando ele. Na minha opinião, a participação dele foi boa.

O que as pessoas mais perguntam para você?
O que você vai fazer com um milhão, né? Acho que todo mundo quer saber disso.  

E o que você vai fazer?
Nada, né? Eu estou trabalhando. Eu quero trabalhar e gastar o dinheiro que eu ganhar com meus trabalhos agora. O que ganhei no Big Brother vou deixar guardado para o futuro.

Tem muita gente que aparece pedindo parte do seu prêmio?
Ah, aparece, manda carta, liga, pára na rua para pedir dinheiro. É meio que na brincadeira, na sacanagem, mas pedem sim.

O sonho de muitas pessoas é conseguir bastante dinheiro para ter uma vida mais confortável. Qual é o seu sonho?
Cara, o meu sonho é que a minha banda faça muitos shows, que a gente lance CDs, tenha uma carreira legal. Que eu tenha uma família, que eu construa uma família, acho que é esse o meu sonho. Em relação ao conforto, o que eu tenho está bom demais.

Como está o assédio? Já aconteceu algo inusitado?
Então, eu fui a um evento de Minas Gerais, tinham 10 mil pessoas, e derrubaram toda a estrutura. Me arranharam, batiam na estrutura do carro, desespero. Eu achei engraçado, pois não estou acostumado. Mas acho legal, eu gosto.

Você demonstrou ser um cara bem tranqüilo, tanto no programa, quanto agora. Você sempre foi assim?
Eu fui bastante moleque, de aprontar, soltar pipa, jogar bola na rua, brincar com as meninas. Eu sempre fui brincalhão. Andava muito de bicicleta. São coisas que eu fazia sempre na infância. Mas acho que sou tranqüilo.

Como foi posar para o site Paparazzo?
No paparazzo eu me segurei um pouco, pois como era um ensaio sensual e eu nunca tinha feito, é um pouco mais complicado. Mas eu procuro me divertir em tudo o que eu faço. Gosto de aproveitar e curtir o momento.

Além desse ensaio, você ganhou uma eleição na internet que o elegeu o segundo participante mais bonito de todas as edições. Você se acha um homem bonito?
Eu me considero um cara comum, normal. Acho que as mulheres me acham, mas eu não consigo ter essa noção. Não sabia dessa votação, mas fico feliz, segundo lugar está bom, né? Eu queria agradecer pelo carinho, é gratificante.

Quais são os cuidados com a beleza?
Bom, cara, eu não tomo muito cuidado. Você pode ver meu cabelo, eu tento arrumar e não consigo. A pele mesmo eu não cuido muito. O que eu mais cuido é da minha tatuagem. A primeira eu fiz em 2001, no meu peito. E, de lá para cá, eu fui fazendo os pedaços.

E como surgiu o corte do seu cabelo?
Eu acho bacana o corte de cabelo do pessoal da Argentina. Os argentinos têm um corte para trás, assim, tal. E eu quis fazer um corte meio parecido. Hoje em dia eu vejo no meu orkut, que a molecada está cortando o cabelo igual. E ficam perguntando qual é o segredo, e não tem segredo. Quando eu ajeito, ele fica assim.

Muita gente falou que você era emo por causa do cabelo. Você se considera ou não?
Emo, na verdade, começou como um estilo musical. E acabou rolando como uma tendência do jeito de se vestir. Eu acredito que eu tenho uma aparência emo. Não tem problema nenhum, pode me chamar de emo se quiserem. Acho que rola mais como uma brincadeira.

Quais as suas inspirações musicais?
Eu comecei escutando Blink, bandas de punk rock.

Como estão os ensaios com a banda?
Hoje rolou um e, agora, durante a semana, vai rolar todos os dias, para a gente se entrosar mais. Está rolando legal. Agora a gente pretende lançar um single para dar continuidade no trabalho. E, em breve, um clipe e um CD. Espero que todos gostem. 

About Neto Lucon

Jornalista. É formado pela Puc-Campinas e pós-graduado em Jornalismo Literário pela Academia Brasileira de Jornalismo Literário. Escreveu para os sites CARAS Online, Virgula e Estadão (E+), Yahoo!, Mix Brasil, no jornal O Regional e para a revista Junior. É autor do livro-reportagem "Por um lugar ao Sol", sobre pessoas trans no mercado de trabalho. Tem quatro prêmios de jornalismo, sendo dois voltados para as questões trans, Claudia Wonder e Thelma Lipp

0 comentários:

Tecnologia do Blogger.