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Rio de Janeiro é cenário, tema e paisagem de duas séries de TV repletas de personagens gays: “caRIOcas” e “Farme 40º”



Neto Lucon (Junior, edição 12)

Aficionados por séries e seriados, muitos gays ficam atentos nas histórias das Marinetes, Phoebes, Lineus e Vanis que pintam na televisão. Mas com uma “política” clara em que beijo entre pessoas do mesmo sexo é censurado na tevê, raramente encontramos personagens gays com cotidiano e a vida amorosa em destaque.

Pensando nisso, dois produtores brasileiros, André Mello e Caeser Moura, finalmente resolveram suprir essa lacuna e criaram duas séries de temática colorida. Vem aí “CaRIOcas” e “Farme 40º”.

Ambas produzidas no Rio de Janeiro, as séries propõem tratar dos dilemas e conquistas vividos por homossexuais. Gays como você, em sua pluralidade e diversas personalidades, gostos e aversões – e não preso a apenas um dos estereótipos, geralmente o mais abordado.

As séries não têm data de estreia, mas os diretores garantem não encontrar resistência das emissoras pagas para a veiculação do material. “Acabamos de terminar o piloto e as chances de veiculação são maiores agora. As emissoras estão se mostrando bastante interessadas e ainda estamos em negociação”, garantiu Caesar.

SARADOS
Do criador, diretor, ator e produtor André Mello, a série “caRIOcas” é produzida pela “Cabira Enternainement”, de Los Angeles, e fala sobre a amizade e experiências de cinco amigos. Eles têm cerca de 20 e 30 anos e vivem histórias consideradas dramedy, mix de drama e comédia.


O personagem de Mello, por exemplo, é o escritor Rodrigo, que após uma temporada em Los Aneles decide voltar ao Brasil. Ele fica surpreso ao se deparar com o avanço sexual tupiniquim, mas se assusta ao observar o atraso nas questões envolvendo a homossexualidade.

Na série, o jogador de vôlei Paulo, personagem de Marcello Melo Jr, não pode pensar em voltar ao armário. Caso contrário, perde o apoio do patrocinador e vê sua carreira esportiva despencar.

Em outro núcleo, Marcos (Luciano Sant’Anna), é dono de um salão de depilação e, assumidíssimo, se envolve com Leo (Sérgio Menezes), um militar casado e até então heterossexual. As cenas são provocantes e vão muito além do singelo beijo que Junior daria em Zeca (cena cortada da novela ‘América’, da Rede Globo).

Ainda sem veículo de exibição, a pretensão é de que a série seja exibida em alguma emissora nacional paga e também em canais de TV especializados no segmento LGBT nos Estados Unidos, como Logo e Here!.

RIO 40 GRAUS
Tudo começou com a peça teatral “Borboletas”, em 2007, encenada no Rio de Janeiro, que trazia dois personagens gays contemporâneos. Após o sucesso de público e crítica,  o dramaturgo carioca Caesar Moura decidiu expandir o projeto e idealizá-lo para a televisão. Assim começou a escrever “Farme 40 Graus”, cujo nome vem de uma das áreas mais quentes e gays do Rio desde os anos 60, a Farme de Amoedo.


“Farme é como a Parada Gay de São Paulo: um dos principais points gays do país. Seria o lugar perfeito para mostrar toda a diversidade da cultura brasileira, justamente por abrigar gente de todo o Brasil”, disse.

Na procura pelo elenco perfeito, ele encontrou dois momentos curiosos e diferentes: o primeiro marcado pela resistência dos atores, que não queriam interpretar gays. O segundo, de homens que enviavam fotos nus para o conseguirem algum papel. “Muita gente acaba tendo aquela visão deturpada, né?”, declara, ressaltando que optou por atores de teatro.

O enredo passa pela vida de quatro amigos que moram em Ipanema. Entre eles está Alexandre Galdino (Caeser), um cabeleireiro que nega ter vivido no subúrbio e, apesar de toda a aparência fútil, carrega um passado triste: foi vítima de um abuso sexual.

No elenco também estão Alexsandro Palermo, na pele do professor Julio Cesar que, embora seja conservador e tímido, tem uma queda por homens; Seani Soares, que interpreta um aspirante a ator que abusa da beleza para se dar bem; e Gerônimo Granja, o romântico, assumido e feliz Marco Aurélio.

O objetivo de Caesar é que todos os gays se identifiquem com algum personagem e que se espelhem em alguma das histórias. “Minha preocupação não é com a militância, nem ficar fazendo discurso. Meu sonho é alcançar a identificação de todos os gays e, depois, do público hétero”. E, claro: com muito sol, praia e homens lindos passeando de sunga pela tela.

About Neto Lucon

Jornalista. É formado pela Puc-Campinas e pós-graduado em Jornalismo Literário pela Academia Brasileira de Jornalismo Literário. Escreveu para os sites CARAS Online, Virgula e Estadão (E+), Yahoo!, Mix Brasil, no jornal O Regional e para a revista Junior. É autor do livro-reportagem "Por um lugar ao Sol", sobre pessoas trans no mercado de trabalho. Tem quatro prêmios de jornalismo, sendo dois voltados para as questões trans, Claudia Wonder e Thelma Lipp

1 comentários:

Bárbara Aires disse...

Me reconheceu na caRIOcas, Neto? Kkkkkkkkk

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