Pride

Perfil: Paullete Pink é a cover oficial da Cher no Brasil

"Cher veio até mim e,
sem que eu percebesse, tomou
conta da minha vida"
Ninguém diz que não. A transexual Paula Sabbatine, conhecida como a top drag Paulette Pink, está literalmente a cara da cantora Cher. Cover há oito anos da diva, Paula investiu fundo.

Realizou duas plásticas no nariz, diminuiu a testa, fez implante de cabelo, preenchimento nos lábios e bochechas. Tudo para ficar igualzinha à musa de “Believe”.

Com o rosto e gestos ainda mais delicados, a trans afirma que Cher a ajudou, inclusive, a ser mais feminina. “As plásticas e a Cher representam a busca pelo encontro de mim mesma. Sinto bem com este rosto e esta aparência. Estou até mais jovem”, endossa ela, completamente satisfeita.

A história, porém, foi como as de amor e ódio. No início, Paula não gostava de ser apontada como sósia da diva das drags. “Até dizia que a Cher era velha e plastificada”, entrega.

Mas, aos poucos, depois de escutar suas músicas, assistir os filmes e saber mais sobre sua história, a artista formada em Artes Plástica e Arte Dramática se apaixonou perdidamente. Cher é uma mulher-drag, forte, assim como eu. Também tem o lado sensual que eu gosto muito. E as músicas, ah, sempre falam de amor”, derrete-se ela que, romântica, copiava e traduzia as letras de Believe e One by One, hits dos anos 90, para um de seus antigos amores.

Nos palcos, ninguém dúvida, é a Cher. As danças, os trejeitos e a maneira de cantar são idênticos. Tanto que, quando foi contratada para uma surpresa de casamento, Paula acabou sendo agarrada e recebeu vários beijos do noivo. Sim, ele pensava ser a própria cantora internacional. “Durante a festa, passava o clipe If I Could Turn Back Time e, de repente, o telão subia. Para a surpresa de todos, lá estava eu com a mesma roupa. Por alguns momentos, ele pensou que se tratava da própria Cher”, garante.

"Cher é uma mulher-drag, forte,
assim como eu sou".
Com tanta dedicação, a artista participou – e venceu - o quadro “Sósias”, do programa Silvio Santos, exibido nas tardes de domingo, neste ano. “Competi com o sósia do Bento 16, da Wanderléia e da personagem Chiquinha. Fui a mais aplaudida pela platéia e levei o prêmio em dinheiro”, disse ela, bastante paparicada pelo apresentador. “Ele nem desconfiou que sou uma trans”, garante.

Recentemente, a cover foi convidada para levar a Cher em uma viagem para Roma. “A empresária Yasmim Dream, também organizadora do Miss Mondo Trans, me convidou para duas apresentações cover na boate Gala Show, em Roma. Estou feliz, pois ela disse que havia visto o meu trabalho e que buscava uma profissional como eu”, se orgulha.

Ela, que tem Paulette Pink como carro-chefe, afirma que a relação das personagens é tranquila, mesmo depois das plásticas. “É uma relação amigável, claro. Paulette me acompanha desde o início, é respeitada e continua sendo meu ganha-pão. A Cher, por sua vez, foi algo que veio até mim, e, sem que eu percebesse, tomou completamente conta da minha vida.”

Concordamos plenamente, Cher. Quer dizer, Paula.

*Contato para shows: (11) 8111-5239

About Neto Lucon

Jornalista. É formado pela Puc-Campinas e pós-graduado em Jornalismo Literário pela Academia Brasileira de Jornalismo Literário. Escreveu para os sites CARAS Online, Virgula e Estadão (E+), Yahoo!, Mix Brasil, no jornal O Regional e para a revista Junior. É autor do livro-reportagem "Por um lugar ao Sol", sobre pessoas trans no mercado de trabalho. Tem quatro prêmios de jornalismo, sendo dois voltados para as questões trans, Claudia Wonder e Thelma Lipp

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