Entrevista

Ex-garota de programa, Vanessa de Oliveira fala sobre traição masculina, clientes bizarros e dá dicas para esquentar a relação

A gaúcha Vanessa de Oliveira, autora do livro Diário de Marise , tinha tudo para ser uma mulher e uma mãe de família como outra qualquer. Isso se não trouxesse em sua história muitas e muitas experiências como profissional do sexo

Em seu livro, publicado pela editora Matriz, Vanessa revelou detalhes de sua vida e desmistificou os estereótipos de uma garota de programa. Ela tem uma filha, fez faculdade de enfermagem e, ao mesmo tempo, atuou com uma personagem criada para satisfazer os desejos masculinos: Marise.

Pelas suas contas, já ultrapassou mais de 5 mil programas, que lhe renderam muitas lágrimas e sorrisos. Hoje, a exuberante ruiva vive da venda dos livros, escreve colunas em jornais e possui uma loja de produtos eróticos.

Em entrevista ao Caderno Mulher, em 2008, ela chocou o interior de São Paulo:

Como você começou a fazer programas?
Comecei a fazer com uma idade mais avançada. Estava com 26 anos e já havia recebido muitas propostas. Eu recuava por conta da minha consciência e por jamais me ver fazendo este trabalho. Até que um dia a situação financeira apertou demais, a ponto de eu não ter outra saída. Me vi tentada a passar por cima de tudo aquilo que eu acreditava que era moral para sobreviver. Aceitei.

O que é mais difícil na vida de uma garota de programa?
Com certeza é a falta de regulamentação da profissão. Vamos deixar de ser hipócritas e de querer tapar o sol com a peneira: profissão do sexo é profissão sim! Está lá no Ministério do Trabalho, como uma das 600 profissões informais que temos hoje no Brasil. O que está faltando são as benditas regrinhas para determinar os deveres, obrigações e direitos do que trabalham. Se o corretor de seguros e o médico têm, porque a garota de programa vai ficar sem?

Quando você fazia programas, qual era o perfil do homem que procurava os seus serviços?
A grande maioria dos homens que contratam tem entre 40 e 50 anos. São casados e pertencem à classe média. Mas veja bem, cresceu o número de pessoas da terceira idade procurando serviços das profissionais do sexo.

Com toda experiência, você ainda acredita nos homens? 
Bem, a questão é que hoje eles já chegam perto de mim sem artimanhas. Afinal, eles sabem que eu sei como eles agem (risos). Ultimamente, ando acreditando em alguns, mas eu acho que as mulheres não deveriam acreditar tanto neles, não. Afinal, eles enganam no amor para conseguir sexo. Já as mulheres, enganam no sexo para conseguir amor. Simples assim.

Qual sua opinião sobre mulheres que têm medo de seus maridos as “trocarem” por uma garota de programa? 
Não deveriam ter. Pois quando um homem procura uma profissional do sexo, ele não quer uma amante, quer alguém para transar por 1h e só. O receio delas deveria surgir quando descobrirem que seus maridos estão tendo um caso extraconjugal. Neste caso, significa que o casamento não vai bem e que as outras duas partes estão propensas a formarem um vínculo afetivo.

Qual situação mais curiosa que você viveu nesses anos de experiência?
É impossível eleger o “mais bizarro”, até porque foram cinco anos e ainda veria muitas coisas se trabalhasse outros 10. Destaco o caso em que o cliente pagou R$200 apenas para ser urinado, o caso do político que pagou R$400 para apanhar por 2h por duas mulheres, da vez em que um cliente pagou R$100 para poder lamber o meu pé, pedindo para que ele estivesse sujo.

Lembro também da vez em que um homem casado, com quatro filhos, pediu para vestir a minha calcinha e usar o meu batom. Teve um que contratou oito garotas de programa e não fez sexo com nenhuma, outro que gostou de ser pisado com salto agulha ao som de música clássica, e existiu até um que passava o programa inteiro com flatulências, alegando que o próprio cheiro o excitava.  É mole ser garota de programa? Não, não é.

"A culpa de uma traição não é da mulher. Muitos homens traem
por uma questão meramente cultural"

O fato de ser uma universitária do curso de enfermagem a ajudou no combate às doenças sexualmente transmissíveis? 
Ajudou e muito. Orientava os clientes que tinham alguma doença no pênis, por exemplo, a tirar o preservativo sem contaminar as mãos. Eu sou enfermeira formada e as mesmas técnicas de troca de luva cirúrgica eu usava para trocar a camisinha.

Quando surgiu a ideia de escrever um diário e lançar um livro?
O projeto teve início em 2003 e, desde lá, venho escrevendo quase diariamente. Começo com a minha psicóloga, que me orientou a escrever minhas experiências para o tratamento, pois, no início, eu enfrentava aquela culpa inicial. Ela levava de 15 em 15 dias e dizia que não conseguia parar de ler. Nesse tempo fui morar e trabalhar em uma boate de programas. Me sugeriram fazer do diário um livro.

Vanessa, o que mudou na sua vida depois de ter escrito e publicado o livro?
Me senti reconhecida como escritora. Talvez eu nem me visse dessa forma antes de publicar. A minha vida em si não mudou tanto: não fiquei milionária, não ando com seguranças do meu lado e ainda vou ao supermercado de chinelos e levo miha filha à escola. Talvez uma diferença é que às vezes paro para dar algum autógrafo (risos). E isso eu acho bem legal.

Como recebe as críticas e elogios dos leitores? 
Os leitores reagiram de uma maneira que não esperava. Sem demagogia ou mentiras, eu recebi muitos aplausos. Sinceramente, lancei o livro esperando que me jogassem pedras e o que vieram foram flores. Eu fiquei surpresa. Acho que quem leu, gostou. Viu que não era mais um livro fútil no mercado com objetivo apenas comercial. Até o assédio masculino aumentou (risos).

Quais são as maiores dúvidas das mulheres que te abordam? 
Elas querem saber por que os homens traem! No fundo, as mulheres tentam entender os homens, o motivo de as atitudes deles serem diferentes, das palavras serem diferentes. Portanto, a maioria das mulheres é bastante confusa (risos). O que eu digo para elas é que ne sempre a culpa de uma traição é dela. Existe uma parcela de homens que, mesmo sendo bem casado, tem a traição como uma rotina. Eles estão acostumados a variação sexual de mulheres, como se fosse uma questão cultural mesmo. 

Atualmente você tem uma loja virtual que trabalha com lingeries. Na hora H, os acessórios são indispensáveis para não cair na rotina? 
Sexo deve ser gradativo e em ordem crescente. Ninguém deve começar a relação e fazer anal na primeira vez, sexo a três na segunda e casa de swing na terceira. A gente não come todas as melhores comidas de uma vez. Então, o que digo é: hoje coloque uma lingerie, amanhã um vibrador, depois um lugar especial. Em outro a gente faz uma rapidinha, no outro a gente faz um sexo mais demorado. Quando tiver maior intimidade e segurança – e se as duas partes quiserem – conversem sobre ter uma terceira pessoa na cama. Mas isso não é uma regra. Sexo a dois é muito melhor.

Com 5 mil programas no currículo, você ainda tem alguma fantasia sexual?
Sim, encontrar um homem que me procure para fazer papai e mamãe (risos).

Você participou de muitos programas de televisão. Acha que a TV atrapalha quando aborda o tema “garota de programa”?
Não, mas sabe o que está faltando? Um reality show do cotidiano de algumas garotas de programa. Daí sim as pessoas veriam exatamente como elas vivem na vida real. Geralmente usa-se o espaço da televisão para condenar a profissão ou então mostrar mulheres que se drogam, ou que são pobres e vivem em péssimas condições. Isso quando não mostram a profissional do sexo como uma ninfomaníaca ou alguém dotado de esperteza tento ganhar algum dinheiro fácil.

Quais são seus novos projetos?
Livros, livros e mais livros. Meu projeto é me tornar uma escritora mundial.

About Neto Lucon

Jornalista. É formado pela Puc-Campinas e pós-graduado em Jornalismo Literário pela Academia Brasileira de Jornalismo Literário. Escreveu para os sites CARAS Online, Virgula e Estadão (E+), Yahoo!, Mix Brasil, no jornal O Regional e para a revista Junior. É autor do livro-reportagem "Por um lugar ao Sol", sobre pessoas trans no mercado de trabalho. Tem quatro prêmios de jornalismo, sendo dois voltados para as questões trans, Claudia Wonder e Thelma Lipp

4 comentários:

Que Tesão disse...

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Anônimo disse...

O blog da Vanessa era legal, mas depois quando ela começou a 'moderar' (na verdade censurar) os comentários, virou reduto de puxa-sacos...

Francisca Luciana Leal disse...

Preciso muito de uma resposta pra uma duvida minha me ajuda!!!!

Rodrigo m disse...

Pessoas q entram neste mundo triste cruel tentam se justificar para mais uma tentativa de esquecer o buraco e vazio na alma q só podem ser preenchidos com a presença de Deus.
Na sua maioria são pessoas desestruturadas na família emocional.
O final das palavras destas pessoas são as mesmas NÃO VALE A PENA FORA AS GRANDES CICATRIZES QUE SO ELAS CONSEGUEM SENTIR.
Que elas saibam q Cristo morreu no calvário para q tenham vida e em abundância pois Ele estar de braços abertos para aqueles que o aceitarem como Salvador.

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