Entrevista

Antonia Fontenelle revela o motivo de ter ido para a TV Record; leia entrevista

"Se colocar algo diferente do que eu
falei, vou te esculhambar no Twitter"
“É a mulher do Marcos Paulo, Marcos Paulo...”. É assim que os integrantes do humorístico Pânico na Band abordam a atriz Antonia Fontenelle, de 39 anos, em festas e eventos.

A piada, que até então gerava incômodo na artista, foi encarada como uma “grande bobagem” e na esportiva, como ela diz. Porém, na vida profissional, o fato de ser mulher de um diretor de novelas ainda é um fardo.

Antonia afirma que ainda precisa provar para o público que é atriz e que não consegue tudo, muito menos emprego, do seu marido. Tanto que a oportunidade de atuar na telinha, olhem só, foi dada pela TV Record, emissora para onde a atriz vai estrelar a novela Passado Próximo (título provisório), escrita por Gisele Joras e dirigida por Edson Spinello.

Em entrevista exclusiva, Antonia comenta a sua ida para a Record, o relacionamento com Marcos Paulo e a fama de ser uma pessoa polêmica. “Se colocar algo diferente do que eu te falei, vou te esculhambar no Twitter”. Vamos lá!

Você acabou de ser contratada pela TV Record. O que te motivou a entrar para a teledramaturgia da Record e não esperar por uma oportunidade na TV Globo?

Antonia Fontenelle - O que determinou a minha ida foi a personagem e o salário que me ofereceram. Cansei de negar personagem da TV Globo por ser um papel pequeno. Fui para lá porque cansei disso. Afinal, esse negócio de que não existe papel pequeno para um grande ator é mentira, principalmente em novela. Na TV, tudo é um piscar de olho. Não vou dizer um “oi” em uma cena e as pessoas vão comentar “Nossa, que maravilhosa”. Ao contrário, vou ficar mofando. Aceitei o convite da Record porque consegui uma personagem que as pessoas vão dizer: “Ela é atriz ou não”.

Quanto você gostaria de ganhar? 

Não vou falar, né? [risos]. Mas não é coisa de milhões, longe disso. Sempre quis um salário digno, mas quando fiz Malhação, por exemplo, meu salário era de 4 mil reais. Não dá. Hoje, o pensamento é que a Globo atua mais como uma grande vitrine. E você faz muito trabalho fora da televisão e ganha fora dela. Mas, sinceramente, eu não tenho idade e nem saco para jabá.

Você ainda acredita que o público ainda duvida do seu talento de atriz? 

Claro. Eu sou atriz de teatro e teatro infelizmente é para uma minoria. Para as pessoas em geral, o artista que não faz televisão não é artista. Quando fiz o argumento e uma pequena participação no filme Assalto ao Banco Central, por exemplo, as pessoas falaram: “Conseguiu por causa do marido”. Pô, o povo não lê crédito, não tem noção de quem fez o quê. Quando fiz Malhação – o único trabalho na TV que fiz com o Marcos – nem foi ele que me chamou. Foi outro diretor que propôs e ele falou: “É por sua conta e risco”.

Acredita que essa sua atuação na novela Record vai dar mais credibilidade para a sua carreira? 

Um pouco mais. A Record não tem a audiência que a TV Globo tem, não tem jeito. Mas não estou muito preocupada com as pessoas. O que eu estou preocupada é com essa fase de produção [do filme Sequestrados, que Antonia será produtora]. Nesta fase, você não ganha dinheiro, só gasta, então o convite veio na hora certa, graças a Deus. Fechei o contrato por obra, porque terminando vou voltar ao filme. Tudo vai vir na hora certa, não tenho pressa.

Pode adiantar detalhes de sua personagem? 

Não sei se posso falar sobre isso agora. Mas minha personagem é uma mulher que cria a filha para se dar bem na vida. Inspiração é o que não falta, porque o que eu conheço de mãe que faz isso (risos]. Não vou nem fazer laboratório, nada. É uma mulher engraçada, enjoada, que tem um casamento com um homem mais velho [o Umberto Magnani]. Estou animada e cheia de coisas para propor.


O Marcos Paulo deu palpite sobre sua ida para a Record? 

Não, de jeito nenhum. A reação foi exatamente igual à que ele teve quando me chamaram para ser rainha de bateria da Padre Miguel. Me ligaram, convidaram e eu, pensando que era trote, pedi para eles virem em casa. Aceitei e comuniquei ao Marcos. Ele apenas disse: “Não tenho nada a ver com isso”. Agora foi a mesma coisa. Falei que a Record havia me chamado e ele apenas falou: “Ok, o que eu posso fazer?”. É assim, eu só comunico. Até porque não acho que isso vá desabonar o Marcos em hipótese alguma. O emprego dele é o emprego dele. E minha relação com a Globo também é maravilhosa.

Essa fofoca das pessoas em cima de você e do Marcos deve encher o saco. Como lidou com essa brincadeira do Pânico na Band, que alfinetou essa ferida e até fez uma música?

Ah, achei uma bobagem. Demos sorte porque a brincadeira ocorreu depois de seis anos, né? Porque, se fosse antes... [Risos] Eu tava quase processando eles, mas a Record me chamou, ofereceu o que eu queria ganhar, então eles se salvaram [risos]. Acho a musiquinha sem graça, mas o povo acha engraçado, né? Eu chego na minha manicure e ela diz: “esse esmalte quem me deu foi o Marcos Paulo” [risos].

No início você não gostou tanto...

Não foi bem assim. A primeira vez que eles fizeram a brincadeira eu estava chegando à casa do Wolf [Maya, diretor] sozinha, sem o Marcos. Estava a maior chuva e eu parei para conversar com eles. Daí o Prateado veio e falou: “Esse relógio foi o Marcos Paulo que deu...”. Não gostei porque isso não procede, não é verdade. Mas as pessoas preferem acreditar que é assim, é melhor para elas. O brasileiro é uma raça solidária e, em contrapartida, muito invejosa. É uma afronta para as pessoas verem que você conseguiu o seu lugar na sombra e água fresca. Mas tenho que conviver com isso e, quando temos a certeza do que queremos e aonde vamos chegar, nada abala.

E aonde você quer chegar? 

Quero chegar a um lugar onde as pessoas olhem e falem: Puta que pariu! Essa mulher saiu do sertão do Piauí e consegui fazer a diferença. Só isso. Mas fazendo bem, somando, fazendo bem feito aquilo que eu me proponho a fazer. Não quero nada demais.

No Twitter, você protagoniza algumas brigas. Você é briguenta?

Eu sou a pessoa mais gentil do mundo, mas não pise no meu pé, pois tenho opinião. Você não sabe, mas muita gente entra no Twitter e me esculhamba sem me conhecer. Talvez por me ver bem vestida, por ser casada com um homem mais velho... Daí você quer que eu mande um beijo? Lógico que não! Vou é mandar ela tomar no c*. Ninguém tem obrigação de gostar de mim, mas tem obrigação de me respeitar. Além do mais, não acho que sou polêmica. A mídia gosta de criar um produto, mas ainda não estou ganhando nada com isso. Se tivesse, estaria adorando.

Você acha que seria uma boa Carminha, de Avenida Brasil? Tem algum papel que você acha que arrebentaria interpretando? 

Qualquer papel que eu fizer, vou arrebentar, modéstia a parte. Pode me chamar de idiota, mas garanto isso, pois sei as minhas habilidades. Agora, também tem uma coisa: “Ah, Carminha maravilhosa”, “Adriana Esteves maravilhosa”, mas ninguém fala da Vera Holtz, ninguém fala da Eliane Giardini, ninguém fala da Heloisa Perissé, que é uma comediante e que está dando show fazendo drama também. Então, as pessoas vão a um foco e pronto, o mundo se resume nisso. Dizem: “Ah, Carminha é a melhor vilã de todos os tempos”. Como assim? Esqueceram da Flora [personagem de Patricia Pillar, em A Favorita], que me dava medo quando entrava em cena. As pessoas não têm memória, sabe. Você pode passar a vida acertando, mas no dia que você erra, o nego te arrebenta. E eu só desci do play porque sei brincar.

About Neto Lucon

Jornalista. É formado pela Puc-Campinas e pós-graduado em Jornalismo Literário pela Academia Brasileira de Jornalismo Literário. Escreveu para os sites CARAS Online, Virgula e Estadão (E+), Yahoo!, Mix Brasil, no jornal O Regional e para a revista Junior. É autor do livro-reportagem "Por um lugar ao Sol", sobre pessoas trans no mercado de trabalho. Tem quatro prêmios de jornalismo, sendo dois voltados para as questões trans, Claudia Wonder e Thelma Lipp

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