Pride

Com exclusividade, Léo Áquilla fala sobre polêmica de entrar em time masculino: "Eu sou ele e sou ela"

Terceira colocada de ‘A Fazenda 5’, da TV Record, a performer Léo Áquilla (41) disse com exclusividade que pretende entrar para o mundo da moda. De acordo com a trans, o seu corpo está com as medidas ideais para encarar as passarelas no maior estilo Lea T (30) e este é apenas um dos muitos projetos que pretende desenvolver após o reality show.

“Pretendo desfilar a partir de agora. Sou uma top e este é um sonho que quero realizar agora. O povo já está sabendo que eu sou modelo? (Risos). Eu quero que pintem muitos e muitos desfiles, pois é a única coisa que ainda não fiz na minha carreira. Controlei a alimentação há 15 dias, estou magérrima e pronta para arrasar nas passarelas”, declarou, bastante animada.

Segundo Léo, uma autobiografia e uma nova música – It’s Over Baby – também devem surgir entre os seus novos projetos. “Irei terminar de escrever minha biografia, que será chamada Castelo de Pedras, e quero também fazer minha música bombar. Já está tudo pronto, gravado, editado, com clipe na internet", diz ela, que preparou a produção antes de entrar no programa.

"Sou visionária, meu bem! Pensei em tudo desde quando fui convidada, sabia que teria que ter algo preparado para quando saísse, mesmo se fosse na primeira semana. E saio do programa muito mais feliz, muito mais humana, humilde, artista, com uma grana boa e famosa. Que venham muitos trabalhos”.

Terceira colocada

Questionada sobre o pior de A Fazenda, Léo revela que a falta da família e o contato constante com as mesmas pessoas quase provocaram a sua saída. “Com três meses, a gente fica desesperada. Quer ver cara nova. Às vezes, me sentia em uma presidiária pela pressão. Quase enlouqueci e toquei o sino (risos), mas valeu ter participado. Hoje, existe um Léo antes de a Fazenda e outro depois”.

A terceira colocada pondera dizendo que só chegou à final porque se dedicou nas provas e procurou conviver em harmonia com os participantes. “Se não tivesse arrebentado nas provas, seria eliminada logo de cara, assim como as outras trans dos reality shows. Ganhei duas provas de fazendeira, também fui para a final por conta da prova. Então, mexe com a magrinha aqui (risos). Nunca fui frágil, só sou magra porque quero ser modelo, mas sou muito forte”.

"Nem eu sei o que sou. Como é que eu posso me definir?"
Ele ou ela?

Na Fazenda, a trans causou polêmica logo na estreia ao preferir entrar no time dos homens e dizer ao humorista Rodrigo Capella, que não se importava de ser tratada no masculino. Segundo a performer, a decisão foi motivada por uma questão meramente pessoal e que não teve a intenção de contrariar uma das maiores reivindicações da militância LGBT: que transexuais sejam tratadas sempre como mulheres.

“A militância gay tem que parar de invadir o espaço dos outros. Na minha opinião, tanto faz se querem me chamar de homem ou mulher, desde que haja respeito. Eu sou ele e também sou ela. Se um dia me dar na cabeça, tiro essas próteses de silicone nos seios, corto esse cabelo e volto a ser macho. Qual é o problema? É o meu direito. A militância tem que parar de ser chata, pois geralmente só fala, fala e fala. Para mim, o importante é dar a cara a tapa, promover alguma mudança, com respeito e imagem positiva”.

Léo também não se arrisca em se definir. “Nem eu sei o que eu sou, como é que eu posso me definir? Eu sou 'ela' hoje, mas também já fui 'ele'. Se amanhã eu quiser voltar atrás, eu volto. Eu viro homem, mas não hétero”, disse a trans, que comemora a terceira colocação. “A maior vitória é essa: uma trans estar na final. Há pouco tempo, sequer seríamos convidadas, mas existe uma mudança na sociedade, que reflete na mídia. Saímos de uma classe massacrada para nos darmos o luxo de sermos vistas como iguais. Estou feliz”.

About Neto Lucon

Jornalista. É formado pela Puc-Campinas e pós-graduado em Jornalismo Literário pela Academia Brasileira de Jornalismo Literário. Escreveu para os sites CARAS Online, Virgula e Estadão (E+), Yahoo!, Mix Brasil, no jornal O Regional e para a revista Junior. É autor do livro-reportagem "Por um lugar ao Sol", sobre pessoas trans no mercado de trabalho. Tem quatro prêmios de jornalismo, sendo dois voltados para as questões trans, Claudia Wonder e Thelma Lipp

2 comentários:

Rodolfo Alex Galvão disse...

cara!!! entrevista show!!! adoro o Léo! super humano! gente simpatissimaaa! fofo , educado e inteligente! mesmo terceiro lugar é um guerreiro! um vencedor! sempre lutou com garra, atitude, humildade e com talento! nunca vi nem ouvi falar de se meter com confusão! merecido eque venha mesmo muitos desfiles e tudo que desejar! ela! ele! merece!

Alessandra Pereira disse...

Há algo de positivo nisso? Que bom, se houver. Mas não me senti representada (como transexual, com minha identidade).

Tem que intender que militância não é feita apenas por um grupo de pessoas, com passeatas e manifestações. Também é feita individualmente, em diversos pontos do orbe, por inúmeros transexuais, que buscam seu espaço, trabalham, e passam por diversos constrangimentos na busca da adequação de seu físico justamente por causa de estereótipos.

E como explica a sua explicação do que é uma travesti/transexual para crianças? Somos palhaços! Estamos brincando! Queremos nos divertir e fazer as pessoas rir.

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