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Autoexames de mama e testículos ajudam a prevenir doenças e assegurar vida sexual duradoura

Sempre que ouvimos a palavra ‘autoexame” pensamos se tratar de uma preocupação somente do universo feminino. Mas entre os homens também existem alguns toques rotineiros que podem evitar futuras dores de cabeça. O urologista Cid Zauli e mastologista Maria do Socorro Maciel explicam como agir e a melhor maneira de colocar as mãos na massa.

Ovos frescos

Comumente lembrado apenas para a depilada ou no aparo dos pelos, o saco escrotal carrega algo indispensável na vida sexual de qualquer homem. Os testículos. São eles que produzem espermatozoides e hormônios, logo necessitam de extremo cuidado e atenção.

Para saber se seus testículos estão saudáveis, o autoexame deve ser feito após o banho, quando o escroto estiver relaxado e os testículos estiverem para baixo. Deve se examinar cada uma das bolas com as mãos, delicadamente. Você pode colocar o dedo do meio e o indicador por trás dos testículos e o dedão em cima. Com suavidade, deslize entre os dois dedos e o dedão.

 “A estrutura se assemelha a um ovo, é uniforme e fica próximo do epidídimo [estrutura na forma de um tubo, macia, que fica atrás do testículo e que estoca e transporta o esperma]. Não se assuste com o epidídimo, ele existe no corpo de todo homem”, explica o urologista. Também não se assuste com o fato de uma bola ser maior que a outra. É totalmente normal. 

O que pode ter?

Durante os toques, procure a presença de gânglios, do tamanho de uma ervilha, na região da frente. Apesar de alguns deles serem indolores, eles podem representar a presença de um tumor. O câncer no testículo corresponde a 1% de todos os casos de câncer. Embora o número seja considerado pequeno, é o tipo mais comum em homem de idade de 20 a 35 anos.

Caso encontre alguma estrutura dolorosa, provavelmente trata-se de alguma inflamação no órgão. Há também possibilidade de perceber uma quantidade incomum de líquido no escroto, chamada hidrocele [um produto do desequilíbrio existente entre a formação e absorção do líquido existente ao redor do testículo]. Traumatismos e processos inflamatórios, como a epididimite, orquite e tumores, também podem ser acompanhados de hidrocele: são cerca de 5 a 10% dos casos.

O que fazer?

Ao identificar qualquer irregularidade, busque o seu urologista imediatamente. “Ele vai receitar medicamentos ou uma intervenção cirúrgica”, diz o urologista. Caso seja um câncer, não se desespere. O câncer no testículo é altamente curável, principalmente quando é detectado precocemente. Ele geralmente ocorre em apenas um deles, e pode ser retirado através de uma cirurgia, sem comprometer o outro.

Modelo Marlon Teixeira em
campanha contra o câncer de mama
masculino
Peitinho!

Homens também têm tecido mamário e podem sofrer de câncer de mama? Sim, podem. “O número é realmente inferior – 1 homem em cada 100 mulheres – mas nem por isso menos graves”, afirma a mastologista. Afinal, assim como nos testículos, quanto mais rápido forem diagnosticados os nódulos, mais rápida é a chance de cura.

“Como poucos sabem da existência, poucos fazem o autoexame”, diz. O câner geralmente se manifesta nos homens de 50 a 60 anos com nódulos na região retroareolar [atrás do mamilo], alteração de volume da mama e descarga mamilar [secreções que saem pelo mamilo]. É uma doença resultante de uma disfunção celular, quando determinadas células do corpo crescem e multiplicam-se desordenadamente, formando um tumor.

Mãos na cabeça

Não existem métodos de prevenção e o único meio para diagnosticar, detectar previamente [e reverter o quadro], é através do autoexame. Para isso, eleve o cotovelo e apoie a mão atrás da nuca. Com a outra mão, apalpe a mama e a axila. Procure caroços, secreções e alterações na forma do mamilo [bico retraído ou pele grossa e avermelhada].

Caso encontre, vá ao seu mastologista. Segundo dados do INCA, o câncer de mama tem 90% de chances de cura se detectado no estagio inicial. O tratamento é feito após uma cirurgia , seguida de sessões de quimioterapia e radioterapia. “Fique atento, principalmente se a família já apresentou outros casos de câncer de mama. A probabilidade nestes casos é maior”, informa a especialista. 

Não se esqueça: no próximo banho, se toque!

About Neto Lucon

Jornalista. É formado pela Puc-Campinas e pós-graduado em Jornalismo Literário pela Academia Brasileira de Jornalismo Literário. Escreveu para os sites CARAS Online, Virgula e Estadão (E+), Yahoo!, Mix Brasil, no jornal O Regional e para a revista Junior. É autor do livro-reportagem "Por um lugar ao Sol", sobre pessoas trans no mercado de trabalho. Tem quatro prêmios de jornalismo, sendo dois voltados para as questões trans, Claudia Wonder e Thelma Lipp

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