Entrevista

Com 1,5 litro de silicone, Sabrina Boing Boing revela que obsessão por seios é trauma de adolescência; entenda

Por Neto Lucon (O Regional *entrevista realizada em agosto de 2008 para o Caderno Mulher). 

Num país cuja paixão nacional é o bumbum, surge nas telinhas Sabrina Boing Boing , personagem sensual e bem humorado da modelo Sabrina Trevisan, de 24 anos. Com gigantescos seios (105cm), fruto de 1,5 litro de silicone, Sabrina acredita que os seios são tudo na parte física da mulher.

“Estamos tendo uma mudança cultural como nos Estados Unidos. Lá, a preferência é o busto, mas, hoje em dia, também valorizam o bumbum avantajado”, justifica ela, que conseguiu a façanha de estar em duas revistas concorrentes: na Playboy e Sexy.

Em entrevista exclusiva ao Caderno Mulher, realizada em São Paulo, Sabrina surpreendeu ao deixar a personagem de lado e falar sobre o fascínio por seios, a fama de loira burra, política, drogas, maternidade, assédio, relação com Marcos Mion e futuro. “Não basta ter um par de seios grandes. Sozinhos eles não fazem nada”.

Depois dessa última cirurgia de 1,5 litro de silicone, você está satisfeita com o seu corpo?
Sinceramente, acho que meu peito poderia ter ficado maior (risos). Não coloquei mais, pois não adianta querer aumentar tudo de uma vez. Eu poderia prejudicar a minha e a minha saúde.

Qual é o limite que você pretende chegar?
O limite é pessoal. Vou aumentar até quando olhar no espelho e ver que está grande e bonito. Não me importo com o que os outros acham, pois não coloco para os outros, nem para a mídia. É para mim, acima de tudo para mim.

Mas quais os cuidados que você toma na hora de procurar um cirurgião?
Confesso que já fui doida de ouvir um cirurgião na rádio, ligar e marcar. Mas isso é super-arriscado . Hoje em dia, sempre procuro algum médio que já operou alguma amiga, que seja conhecido. Outro cuidado é dar um tempo certo para trocar a prótese, pois a pele deve se acostumar.

O primeiro silicone foi logo aos 18 anos. Como surgiu essa vontade de ter seios gigantes?
Sempre tive fascinação por seios, mas era despeitada (risos), uma tábua. Lembro que na escola eu colocava meias dentro do sutiã. E não era uma só, não. Eram várias (risos). Não via a hora de completar 18 anos para colocar a prótese. A primeira tinha 300ml e, na época, já era considero grande. A Daniele Winits, por exemplo, tinha colocado essa quantidade e todo mundo achava que era peitão. Mas eu não, já queria trocar por outro maior.


Para você, a paixão nacional – o bumbum – está sendo substituída pelos seios?
Acho que está agregando. É uma mudança cultural, como nos Estados Unidos. Lá, a preferência nacional é o busto, mas hoje em dia eles também valorizam quem tem o bumbum avantajado, como o da Beyoncé, Jennifer Lopez. No Brasil, é o contrário. Queremos ter seios grandes, agora. Ou seja, estamos agregando atributos, nos tornando mulheres mais completas: com bumbum e busto.

Na televisão, você começou como cover da atriz Pamela Anderson. Realmente se acha parecida com ela?
Sempre digo para as pessoas que eu sou cover da Pamela “peitoralmente” falando (risos). Lógico que para montar a personagem eu clareei o cabelo, usei lente de contato, mas não quis fazer nenhuma outra cirurgia. Por exemplo: eu tenho nariz fino e ela tem o nariz mais batatinha, mas nunca quis mudar.

Você afirma que Marcos Mion é o seu eterno padrinho. Qual é o motivo?
Foi dele que surgiu pela primeira vez o Boing Boing no programa “Convernation”, da MTV. Teve um dia em que entrei correndo, com o maiô vermelho e os meus peitos pulavam muito. O Marcos falou: “Aí vem ela, Pamelinha Boing Boing”. É uma onomatopeia, pois é o barulho que, segundo ele, os meus seios fazem. No outro dia, todo mundo já me chamava de Boing Boing.

A revista Playboy chegou comentar sobre um concurso de amassar latinhas com os seios. Como foi isso?
Era uma paródia das Olimpíadas do programa “Mucho Macho”, da MTV. O Marcos falou: “Seus seios são tão granes que não devem servir só para a gente olhar”. Daí ele pediu para eu amassar uma latinha. Eu nunca tinha tentado, mas coloquei e amassou. Nossa, aquele momento foi reprisado milhares de vezes pela MTV. Todo mundo só falava nisso.


Você não acha que a Boing Boing não reforça o estereótipo da loira burra?
É um personagem. Eu não sou a primeira e não sei a última loira burra da televisão. E quem acha que quem faz papel de burro é burro, está muito enganado.  Tem que ser muito inteligente para manter-se na mídia. Não basta ter um par de seios grandes, bumbum enorme. Sozinhos eles não fazem nada.

Em uma de suas matérias no programa “Superpop”, da RedeTV!, vi muitos homens enlouquecidos, querendo tirar foto dos seus seios... Não te incomoda esse tipo de assédio?
Estou lá quase nua, então não tem nem como ficar incomodada. Ainda bem que o assédio se mantém, pois as pessoas ainda não enjoaram de mim. Porque quem trabalha com o sensual tem um tempo de vida útil. Afinal, sempre aparecem novas gostosonas. Acho que meu personagem dá certo, pois é sensual, mas também tem o lado do humor.

Já aconteceu alguma situação engraçada durante as suas matérias?
Acontece de tudo. Eu sou a rainha de pagar mico (risos). Como eu pulo muito, meus seios vivem saindo do biquín. Isso é muito complicado, pois eu não percebo e eles ficam para fora. Também já aconteceu de tentarem morder. Ele fingiu que ia tirar uma foto e veio morder. Chegou a ficar babinha.

É verdade que você ia se candidatar a vereadora de São Paulo?
Eu fui convidada pelo PSDC (Partido Democrata Cristão). Eu não queria, mas aceitei ser pré-candidata. No último momento, desisti. A política é uma área muito séria e eu não tenho preparação para isso. Já existem muitas pessoas incapacitadas na política, não quero ser mais uma. Não quero ter o salário do contribuinte e não fazer nada por ele. Acho que não conseguiria dormir a noite.


Eu seu trabalho como gogodancer, por frequentar muita balada, já teve contato com drogas?
Não bebo nem bebidas alcoólicas. Sou geração saúde. Até porque tenho um passado familiar que me faz ser um pouco careta. Meu pai era alcoólatra e já fui muito agredida. Essa coisa de criança me marcou muito. Acredito que nada que tira a sua consciência seja legal. Ele não era uma pessoa má, mas quando bebida, se transformava.

Capa da Sexy, por que demorou tanto tempo para posar nua?
Já venho recebendo convites desde 2006, mas a parte financeira não era boa. Esperei e agora é o momento. Fiz a foto para a “Playboy” e logo a “Sexy” já me procurou. Tivemos uma negociação muito boa e eu aceitei. O ensaio foi inspirado na Pamela Anderson, claro.

Como você se imagina daqui a 30 anos?
Nunca parei para pensar em longa data, mas espero continuar bem peituda (risos). Viajando, conhecendo o mundo todo... Não pretendo ter filhos. Se eu tiver, vai ser adotivo. Mas só se eu tiver uma situação financeira muito legal, uma maturidade bacana, tudo muito bem penasdo.

Qual é o seu objetivo profissional?
Já estou feliz com tudo o que aconteceu comigo. Nunca esperei trabalhar na televisão. Eu trabalhava em uma danceteria e me chamaram para fazer o teste do Covernation. Também peno que a realização é algo muito relativo. Não tem relação com fama, dinheiro... De qualquer forma, estou estudando teatro, TV e cinema.

   Veja o que Sabrina aprontou desde então...
                  Participação no programa "CQC"

                  Atacando de cantora no grupo Sexy Dolls

                   Atualmente ela é DJ!

About Neto Lucon

Jornalista. É formado pela Puc-Campinas e pós-graduado em Jornalismo Literário pela Academia Brasileira de Jornalismo Literário. Escreveu para os sites CARAS Online, Virgula e Estadão (E+), Yahoo!, Mix Brasil, no jornal O Regional e para a revista Junior. É autor do livro-reportagem "Por um lugar ao Sol", sobre pessoas trans no mercado de trabalho. Tem quatro prêmios de jornalismo, sendo dois voltados para as questões trans, Claudia Wonder e Thelma Lipp

0 comentários:

Tecnologia do Blogger.