Entrevista

Eduardo Moscovis fala sobre pressão da mídia, paparazzi e afastamento das novelas

"Foi um momento de procura,
de direcionamento de carreira,
de vida, de tentar ver uma brecha"
Aos 44 anos, o ator Eduardo Moscovis – que está na série Louco por Elas, da TV Globo - definitivamente foge dos rótulos. Ele até diz que não se incomoda de ser definido como galã, mas confessa não gostar quando seu talento se coloca apenas no campo da beleza ou no perfil de personagens bonzinhos.
Longe das telenovelas desde 2005 - quando protagonizou a novela Alma Gêmea, da Globo - Edu revela com exclusividade que decidiu dar um tempo nos folhetins para se redescobrir, descobrir o lugar em que ocupa no universo e, claro, no tendencioso mundo das celebridades.
Segundo o ator, ele estava cansado dos julgamentos prévios, da imprensa, do que significa ser um ator conhecido nacionalmente... Porém, atualmente, admite estar preparado para retornar aos poucos ao seu ofício na televisão. E até cogita retornar às novelas...
Edu fala sobre o retorno à televisão, dificuldades em lidar com a fama e comenta a curiosa abordagem da mídia sobre celebridades hospitalizadas e com problemas de saúde. Confira:
Virgula Famosos - Enquanto muita gente quer ser famosa, ser reconhecida, ser galã de novela, você deu um tempo na carreira na TV– principalmente nas novelas - para se redescobrir. Como se deu esse processo?
Eduardo Moscovis - Eu queria momentaneamente dar um tempo nisso tudo, nessa loucura. Mas é importante dizer que foi mo-men-ta-ne-a-men-te, porque daqui a pouco eu posso fazer uma novela e a pessoa vai dizer: “Ah, falou que não faria e tá lá fazendo” [risos]. [Me afastar da televisão] realmente foi um momento de procura, de direcionamento de carreira, de vida, de tentar ver um pouco de brecha. Queria ter um espaço para que isso [meu trabalho e vida particular] pudesse acontecer de maneira mais natural também no teatro, no cinema, na televisão...
Na novela "O Cravo e a Rosa", em 2000
Eduardo em sua última novela, 'Alma Gêmea', de 2005
Já conseguiu ter esse tempo, redescobriu o seu lugar neste cenário?
Estou atualmente com o seriado Louco por Elas, também no cinema, mas todo esse processo é contínuo. Quero sempre desestruturar aquilo que está muito enrijecido. Não só de como eu levo [esta exposição e o trabalho], mas de como as pessoas me enxergam.
Mas o que te incomoda na verdade? É o assédio dos paparazzi, a mídia de celebridades, o público?
Muita coisa, mas principalmente de tudo o que implica ser um ator de novela. Por ser um ator, dizem que você é caro, que você é estrela, que você só trabalha na emissora em que é contratado – no meu caso, a Globo – que você não tem tempo para outro tipo de trabalho, que você não tem interesse... Não gosto dessa coisa de ser fotografado a todo o momento e me incomoda quando falam de mim e já me direcionam a tanta coisa que nem condiz com aquilo que eu quero de verdade. Então, decidi dar um tempo. 
Mas vivemos em um mundo que nos colocam rótulos a todo o momento, independente da profissão. Preferia que deixassem de te considerar um galã?
Não me incomoda ser galã, mas não quero ficar preso a esse rótulo e deixar de desenvolver outros trabalhos. Ser taxado de galã limita a abordagem que o público pode ter do meu trabalho. Seria como achar que um humorista só sabe fazer humor e um ator com papéis mais sérios não pudesse fazer outra coisa. Se querem me chamar de galã, tudo bem, mas trabalho para melhorar o meu ofício, que é ser ator. 
Eduardo na praia, sendo flagrado por paparazzo
Atualmente, a mídia explora ao máximo as internações de famosos e como eles lidam com seus problemas de saúde. O cantor Pedro Leonardo, por exemplo, mal saiu do hospital e já fez uma coletiva de imprensa com link ao vivo.  O que pensa sobre esse assunto?
É uma discussão pertinente... Até onde o artista deve colocar em questão a sua conduta pública? Acho que algumas pessoas realmente tem essa função de incentivar, de inspirar, de se tornar uma referência para o público. Então, se ela quer manter esse vínculo e explorar para beneficiar outros, acho muito válido o esforço. Mas tudo vai depender de quem é e para qual finalidade será usada. Dependendo do caso, de como a saúde da pessoa está, de quanto essa pessoa precisa descansar, todo esse show acaba sendo uma grande invasão, um grande agressão. E quem deve escolher se quer falar, ter uma conduta ou não, é o próprio artista.
E como está sendo voltar às telinhas em Louco Por Elas?
Voltar para a tevê em um produto diferente, em uma nova linguagem, é bom. O seriado [na primeira temporada] foi ótimo para mim e para a emissora. A princípio, seriam apenas oito episódios, mas no meio foram encomendados mais seis. A emissora está com esta estratégia de criar séries mais curtas, esperando o retorno do público. Se na opinião da emissora vale a pena ter outra temporada, se tem assunto daquilo ali, eles continuam. Então, o Louco por Elas foi um desses casos. A gente fez o primeiro e agora estamos em fase de pré-produção para criar esses textos da segunda temporada. 
Sabe quando começa a gravar de novo?
A gente vai voltar a estudar o texto em agosto e voltar a gravar logo depois. Podem esperar mais...
Na nova série 'Louco por Elas'

About Neto Lucon

Jornalista. É formado pela Puc-Campinas e pós-graduado em Jornalismo Literário pela Academia Brasileira de Jornalismo Literário. Escreveu para os sites CARAS Online, Virgula e Estadão (E+), Yahoo!, Mix Brasil, no jornal O Regional e para a revista Junior. É autor do livro-reportagem "Por um lugar ao Sol", sobre pessoas trans no mercado de trabalho. Tem quatro prêmios de jornalismo, sendo dois voltados para as questões trans, Claudia Wonder e Thelma Lipp

1 comentários:

Anônimo disse...
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