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Contato com animais e a natureza diminui a solidão, depressão, ansiedade e ajuda na vida social de crianças, diz psicóloga

Por Neto Lucon (setembro de 2007/ Jornal O Regional)
 

Plantas, cachorros, gatos, passarinhos, peixinhos e... Crianças! Pois é, o contato das crianças com a natureza pode auxiliar, sim, no desenvolvimento social, autoestima e até no temperameno. É o que afirma a psicóloga Nathália Siqueira, que explica que “estudos mostram que viver com animais promove a saúde física, diminui a solidão, a depressão e a ansiedade”.

Nathália afirma que o contato verde auxilia no exercício de amadurecimento e compreensão do mundo, englobando elementos tais como o cuidado, o respeito e a dedicação com o outro. “As responsabilidades e as exigências desses animais mostram às crianças que outros seres vivos precisam de cuidados para sobreviverem. Ela acaba ampliando o aprendizado para atividades com outras crianças, adultos e a si mesma”.  

Com o cachorro, as crianças brincam, correm, exploram o ambiente e vivenciam novas experiências. O gato se encosta e permite ser tocado. Os peixinhos se alvoroçam no aquário quando a criança oferece alimento. Nesta convivência, a criança aprende as relações afetivas e como elas se estabelecem. “É no mundo da natureza que a criança desenvolve a sensibilidade, a observação, a compreensão e os sentimentos de solidariedade, generosidade, zelo, afeto e carinho”.

Segundo a psicóloga, o contato com animais proporciona ainda a consciência do clico natural da vida, as perdas, o nascer e o morrer – de maneira tranquila e sem traumas. Os pais, por sua vez, desempenham papel importante no processo, instruindo os filhos a exercerem os cuidados necessários: higiene, manuseio, alimentação regular, paciência.

“Seja qual for o animal escolhido, o segredo da boa convivência é ensinar as crianças, com muita paciência e clareza, as pequenas responsabilidades, atentando ao fato de que estas não dever ser vistas apenas como obrigações, mas também como parte do relacionamento entre a criança e o seu animalzinho. Essa atitude possibilita que a criança desenvolva a noção de ética e respeito por aqueles que dependem dela”.


PERIGOS & CUIDADOS

Não é difícil deparar-se com histórias de crianças que, durante brincadeiras, acabaram sendo agredidas por animais. Mas o dono é responsável pelas ações do bicho, do ponto de vista moral e jurídico. “Quase sempre o dono conhece bem o passado de seu animal e a maioria dos cachorros não tem uma tendência inata a agredir crianças. Mas muitos pais acabam tendo receio deste contato”.

Nathália diz que é necessário procurar explicar e fazer com que a criança perceba que o animal é frágil e que também tem reações diferenciadas com determinadas brincadeiras. “Cabe aos pais mostrar para o filho qual é a forma correta de segurar o bicho, evitando apertando puxá-los pelas pernas. No caso de cães grandes e médios, por exemplo, a criança deve entender que, mesmo sem querer, o bicho pode machucá-la”.

FLORES E TRANQUILIDADE

Além dos bichos, as árvores, flores e plantas também influenciam positivamente na vida de um ser humano. Uma dica é ressaltar e observar a natureza durante um passeio e fazer reflexões sobre como as árvores reagem às estações do ano.

“A pessoa que é integrada com a natureza normalmente é mais tranquila, pois quando ela observa um pôr do sol ou a beleza de uma flor, automaticamente ela deixa de pensar nos problemas e nas influências negativas da cidade, o barulho e a correria do dia a dia”, argumenta.

A psicóloga diz que esses momentos são revitalizadores  e, “quanto mais fizermos, melhor será a nossa vida”. “Uma pessoa que sabe observar e respeitar o mundo que a cerca também é levada a olhar para dentro de si, e quanto mais nos conhecemos, mais nos aperfeiçoamos, tornamos melhor a nossa vida e os nossos relacionamentos”, finaliza.  
Observar e respeitar o mundo também leva a olhar para dentro de si. E, quanto mais
nos conhecemos, mais nos aperfeiçoamos como pessoa

About Neto Lucon

Jornalista. É formado pela Puc-Campinas e pós-graduado em Jornalismo Literário pela Academia Brasileira de Jornalismo Literário. Escreveu para os sites CARAS Online, Virgula e Estadão (E+), Yahoo!, Mix Brasil, no jornal O Regional e para a revista Junior. É autor do livro-reportagem "Por um lugar ao Sol", sobre pessoas trans no mercado de trabalho. Tem quatro prêmios de jornalismo, sendo dois voltados para as questões trans, Claudia Wonder e Thelma Lipp

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