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Fotos históricas de Eduardo Moraes ganham exposição para homenagear trans: ‘Elas foram as primeiras a darem à cara a tapa’

Eduardo com Michelly X, Divina Aloma e Kaká Di Polly

São mais de 13 anos fotografando os melhores momentos do universo LGBT. E, diante de um acervo com milhares de fotos, o jornalista Eduardo Moraes – juntamente com a Secretaria de Estado da Cultura e a Secretaria da Justiça e da Defesa da Cidade – vão promover no dia 30 de janeiro a exposição fotográfica “O T Da Questão”, com curadoria de Franco Reinaudo.

As históricas fotos visam homenagear o “T” do “LGBT” [transgêneros, de quem transitou de gênero], que comemora no dia 29 o “Dia da Visibilidade Trans”.  São imagens de várias travestis, transexuais e drag queens importantes, tais como Divina Aloma, Claudia Wonder, Marcinha do Corintho, Maitê Schneider e Kaká Di Polly, que brilham em paradas, carnavais, manifestações políticas e concursos de beleza.

Abaixo, Eduardo fala um pouco de sua obra:

- Você está nos mais badalados eventos e sempre registra o grupo trans. Qual é  a sua relação com elas?

Em 1998, fui convidado a fotografar para uma revista gay [a extinta Sex Symbol] e sempre registrei as trans entre uma foto. Continuei quando trabalhei para a maioria dos veículos do gênero, como freelance ou contratado. E afinei mais o contato quando fotografei para as revistas Bonekas e Super T, ambas destinadas aos admiradores das trans [também conhecidos como t-lovers]. Graças ao meu trabalho, fiz amizade com grande parte dos ícones do segmento.

Léo Áquilla e Rita Cadillac; e a maravilhosa Natasha Dummond

Laura de Vison, Kaká Di Polly e Rogéria

 - Como surgiu a ideia da exposição?

O assessor de Cultura para Gêneros e Etnias de São Paulo, Cássio Rodrigo, me convidou para expor as minhas fotos em homenagem ao dia da Visibilidade Trans. Mais que de imediato eu aceitei, afinal meu acervo é grande. A única parte difícil foi o processo de seleção das fotos. Mandei quase 200 fotos para a primeira triagem e entrei em desespero. Não queria deixar de contemplar ninguém, o que é uma missão impossível. Mas o Cássio me alivou, dizendo que faríamos outras exposições...

- Quais são os grandes nomes você destaque em sua obra?

Há vários nomes significativos na exposição para destacar. Nany People, Dimmy Kieer, Léo Áquilla, Rogéria, Roberta Close e Telma Lipp, por exemplo, são algumas das trans que ganharam notoriedade na mídia em geral. Apareceram na TV, conquistaram fãs e representam muito bem a classe, com elegância e inteligência. Dentro da nossa comunidade, não dá para esquecer da Silvetty Montilla, que todos sabem quem é, e da Kaká di Polly, que na primeira Parada Gay se jogou no chão em frente aos policiais que queriam impedir a passeata. Tem também a Claudia Wonder, com uma história linda. Nossa, é tanta gente do bem...

Camilla de Castro e amiga; Thelma Lipp

Claudia Wonder, Victor Piercing, Laura Finocchiaro, Dimmy Kieer e Gracy Gianoukas

- Você acredita que as travestis e transexuais, com toda a transgressão, são importantes para a luta contra o preconceito e na valorização da cultura?

Todos os LGBTs são importantes não só para a cultura, mas para a história e principalmente pela luta de nossos direitos. As travestis foram as primeiras a darem à cara a tapa pelos direitos. Elas foram as primeiras a terem coragem de ir à luta. Afinal, a transformação do corpo já uma forma de se assumir e mostrar para todo mundo o que se é, agrade quem agradar.

- Você acha importante levantar a bandeira, se assumir?

Sair do armário, mostrar-se é algo fundamental para conquistarmos muitas coisas, mas acho que o “outing” deve ser feito quando a pessoa estiver preparada, não acho certo forçar ninguém a nada, pois cada um tem a sua história e deve saber como deve construí-la.

Nany People e Marcinha do Corintho
Dindry Buck, Dimmy Kieer e Edu em 'Moscas Mortas num Copo de Conhaque'

- Você já se montou?

Ai, essa não (risos). Entre tantas coisas que faço, sou ator e em 2008 contracenei com Amanda di Polly, Dimmy Kieer, Dindry Buck e Stefanie di Bourbon em uma peça chamada Moscas Mortas num Copo de Conhaque [de Ricardo Leitte]. Eu fazia uma viúva virgem de 45 anos (risos). Foi ótimo, primeiramente por voltar a atuar e por contracenar com estrelas. Dimmy e Stefanie foram substituídas posteriormente por Léo Áquilla e Silvetty Montilla. Foram duas temporadas maravilhosas.

- E quais são as suas três fotos preferidas?

Será que meu corpinho aguenta algo tão colante (risos)? Vamos lá...

1- Teve uma parada que eu fiz fotos de várias trans em close. E tem essa da Maitê Schneider, de perfil, que eu adoro, tanto a foto quanto a fotografada.


2- Sou apaixonado por carnaval e nos anos que pude estar no sambódromo fiz fotos lindas. Tem uma da Gretta Star que eu amo e que tinha que estar presente.


3- A Parada é um evento de muita importância pela visibilidade que dá ao mundo LGBT. Foi muito importante o ano em que a Visibilidade Trans foi destaque, pois valorizou e enalteceu principalmente as travestis. Escolhi a foto de uma travesti que não conheço e que infelizmente não sei o nome, mas que merece ser destacada. Ela representa todas as demais. 


SERVIÇO
Local: Centro de Cultura Memória e Estudos da Diversidade Sexual
Estação República do Metrô / SP - Piso Mezani
Inauguração: 30/01/2013
Horário de Funcionamento: Terça-feira à domingo, das 10h às 20h 

About Neto Lucon

Jornalista. É formado pela Puc-Campinas e pós-graduado em Jornalismo Literário pela Academia Brasileira de Jornalismo Literário. Escreveu para os sites CARAS Online, Virgula e Estadão (E+), Yahoo!, Mix Brasil, no jornal O Regional e para a revista Junior. É autor do livro-reportagem "Por um lugar ao Sol", sobre pessoas trans no mercado de trabalho. Tem quatro prêmios de jornalismo, sendo dois voltados para as questões trans, Claudia Wonder e Thelma Lipp

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