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Com lésbica, drag queen e a diva Marília Pêra, ‘Pé na Cova’ salva o humor da Globo em 2013


Pé na Cova, a nova série da TV Globo escrita por Miguel Falabella, estreou na noite de quinta-feira, 24, e promoveu bons momentos para quem conseguiu ficar acordado até meia noite. Com o pano de fundo de uma funerária, a Unidos do Irajá – FUI – a obra conta a história da família suburbana de Ruço (Miguel) e Darlene (Marília Pera), um ex-casal que convive com uma turma “buscapé”, personagens exagerados e muito estereótipo. Proporcionando momentos hilários, Pé na Cova promete repetir o sucesso das grandes obras, como Os Normais e Sai de Baixo, e salva o humor da Globo em 2013.  

Isso porque, do “outro lado do espelho” de Caco Antibes – personagem icônico de Miguel, que ironizava a pobreza e tudo que girava em torno da classe média – o autor-ator sabe como ninguém divertir com acidez. Traz símbolos fictícios e caricatos do universo popular e, agora, vai além da tradicional “bandeja de cajuzinho” em festas de aniversários. Entre os novos discursos, o autor aposta em nomes excêntricos e apresenta o desafio de comprar um televisor, mesmo sendo à vista. “Me fizeram um interrogatório, tanta pergunta, tanta pergunta, que teve uma hora que eu perguntei: Ei, cometi algum delito?”.

O autor-ator brinca ainda com assuntos tabus e trata com muito estereótipo e, sem dúvida, nenhum preconceito. Aliás, o preconceito aparece de maneira humorada, como na sua nova namorada de 18 aos, e no discurso de Soninja  (Karin Hils, ex-Rouge), que diz sofrer discriminação por ser negra e irmã gêmea da branca Giussandra (Karina Marthin). “Quando contamos, você acha que alguém olha para ela? Olha para mim. Temos que andar com o jornal nas mãos para comprovar”.


Outros personagens marcam e divertem a série. A filha Odete Roitman (de Luma Costa, sim, em menção ao personagem de Beatriz Segal) trabalha exibindo o corpo na webcam, é lésbica e namora Tamanco (Mart’nália). O filho Alessanderson (Daniel Torres) quer ser político. Ainda há uma drag queen, interpretada por Maurício Xavier, que durante o dia é um machão livre de qualquer suspeita e nas horas livres é a colorida Markassa. Uma ousadia!

O ponto alto vem mesmo com a interpretação da diva Marília Pêra, que se livra das últimas personagens ricaças e dá vida a uma maquiadora de defuntos. Sempre com um copo de pinga na mão, Darlene volta a casa depois de um ano em uma clínica de reabilitação e já se prepara para furtar algum objeto valioso do morto. Com roupas espalhafatosas, maquiagem carregada, ela afirma receber um chamado do morto para deixar o objeto para a caridade. É perfeita, hilária e uma excelente personagem para comemorar 70 anos de muito sucesso.

Também dão o tom à obra e prometem bons momentos a empregada Adenoide (Sabrina Korgut), a carpideira louca Divina (Eliana Rocha) e o faz-tudo Juscelino (Alexandre Zachia), que usa a peruca do pai. No fim, após muitas gargalhadas, Ruço demonstra ser modesto com sua trupe: “Não é o mundo que eu desejei, o mundo que eu sonhei, mas é o mundo que eu tenho. A família é o último refugio neste mundo cada vez mais sem coração”.
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‘Pé na Cova’ deixou um gosto de quero mais. 
Karin Hils e Karina Marthin; Luma Costa e Mart'nália

About Neto Lucon

Jornalista. É formado pela Puc-Campinas e pós-graduado em Jornalismo Literário pela Academia Brasileira de Jornalismo Literário. Escreveu para os sites CARAS Online, Virgula e Estadão (E+), Yahoo!, Mix Brasil, no jornal O Regional e para a revista Junior. É autor do livro-reportagem "Por um lugar ao Sol", sobre pessoas trans no mercado de trabalho. Tem quatro prêmios de jornalismo, sendo dois voltados para as questões trans, Claudia Wonder e Thelma Lipp

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