Pride

Reflexões e homenagens sobre a história trans em 2012; confira os destaques

É preciso transcender para brilhar. É preciso traçar e grifar com a caneta mais vibrante de nossa essência uma trajetória diferente, com novas cores, cheiros e surpresas. É acreditar apesar de todos os pesares, é mergulhar nas roupas que nos sentimos confortáveis e ter a confiança de que somos capazes de vencer. Mais que isso: é sair das caixinhas apertadas e incomodar, às vezes, quem está à nossa volta.

Pela primeira vez, uma premiação foca em travestis e transexuais, daquelas que se destacaram na mídia em 2012 e que romperam com os estereótipos negativos do grupo. Com o amadrinhamento da transexual icônica Nany People, a votação tem a intenção de incentivar, homenagear, servir de referência para as novas gerações. E, acima de tudo, promover reflexão sobre o universo trans. Re-fle-xão!

A vencedora – pasmem – é uma ex-moradora de rua, ex-atriz pornô, e atual produtora de TV e atriz: Bárbara Aires (saiba mais sobre ela). Contra todos os pesares de sua vida, a transexual foi destaque em jornais, portais na Internet logo após trabalhar na produção do programa de televisão Amor & Sexo, da Rede Globo. Isso mesmo, da tradicionalíssima Globo, com nome social reconhecido no crachá e tudo!

Articulada e com ideias bem construídas, Bárbara conseguiu emocionar os mais descréditos frente aos grandes nomes na votação – como a da top brasileira de fama internacional Lea T, a segunda colocada com 26%, e o da miss Canadá Jenna Talackova , com 25%. Sua luta para livrar-se da prostituição, conseguir se inserir no mercado de trabalho, serviram de bom exemplo para muit@s. E fez de sua brilhante vitória a vitória de todos.


Na votação, outra reflexão permeou os debates. Ocorreram pedidos para anular a presença da cartunista Laerte Coutinho, que se assumiu trans aos 60 anos, e de Léo Áquilla, que colocou prótese de silicone depois de anos trabalhando como drag queen, na lista. O argumento é que elas não se importam de serem chamados no gênero masculino (ele, o) , não tomam hormônios e não possuem outras simbologias do grupo. 

Mas pergunto: Laerte e Léo não são TRANSgêneros, no sentido de terem TRANSitado de gênero? Somente o fato de elas não se importarem como o artigo em que são tratadas já as desqualificam como figuras femininas, tornam-se menos trans que outras? Não estaríamos sendo um tanto opressores e colocando-as em novas caixinhas sufocantes? Cadê a transcendência? Cadê o respeito com outro de se autodefinir como bem entender?   

Transcender, como eu disse, é brilhar e é também respeitar a luz e a trajetória do outro. Portanto, faça brilhar e transcender os seus pensamentos, valores e reflexões sobre o mundo. Sempre tem algo novo a se descobrir, reavaliar, superar. Pense nisso e transcenda também!

Veja abaixo os destaques do ano: 

              A TRANS DO ANO
BÁRBARA AIRES teve que se acostumar desde pequena com uma certeza: é uma exceção. Na infância e adolescência  se via diferente dos demais nas brincadeiras, roupas e desejos. Também era diferente de qualquer outra pessoa da família, dos amigos e do próprio espelho. A peleja não foi fácil e os caminhos nem sempre foram crescentes. Mulher transexual, ela até chegou a viver durante algum tempo no estigma do “mundo trans”: Se ingressou no mercado do sexo, protagonizou filmes, fez fotos, programas... Mas,
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                 GRANDE DIVA   
DIVINA ALOMA
 é uma ilusão. Não somente pelo título da matéria da revista O Cruzeiro que a tornou conhecida em 1972, mas também pelas várias performances iluminadas que estrela e remete a ícones internacionais como Dona Summer, Whitney Houston e Diana Ross.Com fôlego de leoa, sorriso iluminado e corpo de ninfeta, Aloma surpreende também ao enganar, iludir e ludibriar a idade. São – pasmem! - 64 anos muito bem vividos e aplaudidos, que compõem parte da história artística do Brasil e da noite gay. (continue lendo clicando aqui). 

       O  TRANSHOMEM DO ANO   
JOÃO NERY é o homem que eu quero ser, é o homem que todo ser humano quer ter. Esses foram alguns dos pensamentos mais simplistas que povoaram meus dias logo após ler "Viagem Solitária – Memórias de um transexual 30 anos depois" (Leya, R$40), livro humanista, reflexivo e autobiográfico. Esperando em seu taxi literário – e real, já que ele também foi motorista – o professor de psicologia te convida para detalhes íntimos de sua vida e da sua construção em transhomem – um grupo invisível e pouco comentado por nossa sociedade. (continue lendo clicando aqui). 

About Neto Lucon

Jornalista. É formado pela Puc-Campinas e pós-graduado em Jornalismo Literário pela Academia Brasileira de Jornalismo Literário. Escreveu para os sites CARAS Online, Virgula e Estadão (E+), Yahoo!, Mix Brasil, no jornal O Regional e para a revista Junior. É autor do livro-reportagem "Por um lugar ao Sol", sobre pessoas trans no mercado de trabalho. Tem quatro prêmios de jornalismo, sendo dois voltados para as questões trans, Claudia Wonder e Thelma Lipp

1 comentários:

Bárbara Aires disse...

Ótimo ano realmente

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