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Morando em cortiço, Luisa Marilac fala sobre volta por cima e faz pedido a Dilma Rousseff: “Aquilo que não me mata, me fortalece”


Depois de o jornal “Extra” noticiar nesta semana que a travesti Luisa Marilac está “numa pior” e morando em um cortiço, a diva da internet fez um vídeo nessa quinta-feira, 21, para mostrar que "está tudo bem" e cheia de garra para reconquistar tudo o que perdeu. De acordo com Marilac, a vida e os “jornalecos” não vão derrubá-la e ela está disposta a correr atrás dos seus objetivos novamente. 

“Fiquei muito triste depois de ler aquele tipo de matéria, chorei muito quando cheguei em casa, mas aquilo que não me derruba, aquilo que não me mata, me deixa mais forte. Aquelas matérias servem para eu querer lutar mais, servem para seguir em frente, porque eu vou conseguir chegar lá mais uma vez”, afirmou a trans, cheia de energia.

Luisa revelou que, apesar de ter conquistado um bom dinheiro na Europa, ocorreram alguns problemas pessoais nos últimos cinco anos -“ não vem ao caso dizer o motivo, pois não me envolve apenas” - e que não ganhou dinheiro algum com a exposição na TV.

“Nunca ganhei um real fazendo televisão, pois falam que é divulgação. No dia em que eu pedi um cachê, já que a minha situação não estava boa, eles pararam de me chamar de “diva” e passaram a me chamar de “bizarra”, relembra ela, que diz estar chateada com a Rede Record. “Voltei ao Brasil para fazer A Fazenda e fiquei um mês trabalhando de graça para eles, fazendo o ibope subir”. O contrato, por sua vez, não veio. 

Marilac disse ainda que não é vergonha nenhuma morar em um cortiço e já planeja os próximos passos. “Hoje, estou em um cortiço, amanhã estou em uma mansão. Vão-se os anéis, ficam-se os dedos. O importante é ter dedos para lutar, seguir em frente e correr atrás dos seus objetivos. Não vou fugir das páginas sociais, não vou deixar de fazer meus vídeos, vou continuar lutando”.

PEDIDO A DILMA ROUSSEF

No vídeo, ela também fez um pedido para a presidente Dilma Roussef – a quem disse ser fã - em prol das travestis e transexuais no mercado de trabalho. “Sei que existe uma lei que obriga as empresas a dar 1% das vagas para deficientes, então porque não introduzir as travestis em um projeto parecido? Nós somos obrigadas a estarmos sempre na beira da estrada, não temos opção de trabalho, está mais do que na hora de fazer algo por nós”.

A trans garantiu que não gosta de se prostituir e que em uma recente tentativa acabou chamando atenção e virando alvo de fãs. “Desci para trabalhar e várias travestis começaram a tirar foto comigo, depois vieram outras pessoas. Resultado: não consegui fazer um programa sequer”, disse ela aos risos. "Precisamos de oportunidades", frisa. 

Boa sorte, Luisa! 

About Neto Lucon

Jornalista. É formado pela Puc-Campinas e pós-graduado em Jornalismo Literário pela Academia Brasileira de Jornalismo Literário. Escreveu para os sites CARAS Online, Virgula e Estadão (E+), Yahoo!, Mix Brasil, no jornal O Regional e para a revista Junior. É autor do livro-reportagem "Por um lugar ao Sol", sobre pessoas trans no mercado de trabalho. Tem quatro prêmios de jornalismo, sendo dois voltados para as questões trans, Claudia Wonder e Thelma Lipp

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