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Atriz transexual, Laysa Machado ganha destaque em curtas-metragens e sonha com as novelas


Conhecida pelo trabalho no teatro curitibano, Laysa Machado é uma das promessas da dramaturgia nacional. Nos últimos meses, a atriz, que é uma mulher transexual e descendente de índios, chamou a atenção dos críticos pela atuação em dois curtas-metragens: O lugar de Todos, de Laura Montalvão, e Marcas da Agonia, de Jansen Hinkel.

No primeiro, a artista interpreta uma travesti, que cruza aos prantos a passagem da protagonista (Harebell Suzuki) e finaliza a história. Já em “Marcas”, Laysa vive Eleonora, uma mulher alegre e moderna, que se envolve com Luiza (Anidria Stadler), uma solitária mãe de família que se vê diante da desilusão, após a morte do filho.

Elogiada pelos papeis, ela afirma ao NLucon que se emocionou com a oportunidade. “O Jansen me chamou inicialmente para interpretar uma mulher que cantava música sertaneja em uma churrascaria e só. Mas ele gostou da minha interpretação, após assistir ao primeiro curta, e mudou a história. Fiquei como a namorada da protagonista”, revela.
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A cena do beijo lésbico deu o que falar e Laysa afirma que, com ele, passou a refletir sobre a solidão. “O beijo é o único momento de alegria da Luiza e me fez refletir sobre estar ou não preparada para as perdas. O ar provinciano curitibano já é extremamente solitário. Mas eu sou casada e deixo as mulheres para o campo das amizades”, frisa.

Com 16 anos de carreira, Laysa almeja novos convites, sonha estar em uma novela e contracenar com ninguém menos que Lília Cabral. “Já me disseram que, apesar do meu talento, não conseguiria porque sou transexual. Mas vendo a Maria Clara Spinelli em Salve Jorge, a Rogéria em Lado a Lado, a Lea T, a Bárbara Aires... vejo que existe  uma luz no fim do túnel”.
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Para quem duvida do talento da moça, veja só o currículo: Laysa esteve na companhia do Sesc –Guarapuava de 1997 até 2000, fez curso de interpretação GP7 em 2008 e, em 2009, também concluiu o curso de interpretação para a TV, de Alexandre Iannes. 

Além disso, é formada em História, pós-graduada em Teoria do Conhecimento Histórico, Educação Especial e faz outra pós em Gestão de Educação. Ela é professora de história e diretora auxiliar no Colégio Estadual Chico Mendes, em São José dos Pinhais. 

Na novela Viver a Vida, de 2010, a atriz apareceu no final do folhetim contando a sua difícil história de superação. Mas isso é assunto para outra hora, em uma entrevista completa. Aguardem...
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Laysa e Anidra em Marcas da Agonia


About Neto Lucon

Jornalista. É formado pela Puc-Campinas e pós-graduado em Jornalismo Literário pela Academia Brasileira de Jornalismo Literário. Escreveu para os sites CARAS Online, Virgula e Estadão (E+), Yahoo!, Mix Brasil, no jornal O Regional e para a revista Junior. É autor do livro-reportagem "Por um lugar ao Sol", sobre pessoas trans no mercado de trabalho. Tem quatro prêmios de jornalismo, sendo dois voltados para as questões trans, Claudia Wonder e Thelma Lipp

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