Entrevista

Protagonista aos 65, Ângela Leal diz: “Dona Xepa representa mulheres brasileiras”

"A Record já mostra a sua força nas novelas"
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Aos 65 anos, Ângela Leal interpreta a protagonista Dona Xepa, remake que estreia em maio deste ano na Record. Na trama, cuja primeira versão foi estrelada por Yara Cortes, a atriz dá vida a uma mulher que foi abandonada pelo marido e que faz de tudo para criar os filhos, Rosália (Thaís Fersoza) e Édison (Arthur Aguiar).
Feliz com o papel – o 35º de sua carreira só na TV - a atriz afirma que está realizada por interpretar uma personagem tão humana e tão real. E diz que, apesar de se tratar de um remake da novela de 1977, todos os assuntos são bastante atuais, importantes para a sociedade e o universo feminino.

Em entrevista, Ângela revela as novidades da personagem e garante que tem muito de Dona Xepa em sua própria personalidade.
- A Record continua apostando em novelas. Acredita que a emissora conseguiu marcar o seu território na teledramaturgia?
A Record já mostra a sua força nas novelas. Tem os seus próprios autores, o seu elenco, o seu jeito de fazer. Conheço pessoas que preferem ver as novelas da Record que de outro canal. Dentro de um universo que era monopolizado por uma só emissora, é maravilhoso que a Record ocupe esse espaço. É bom para todo mundo: para os atores, autores, para o público... Nosso país é noveleiro e tem que ter opção para escolher o que é bom.  
Você terminou de gravar Balacobaco e logo entrou como protagonista de Dona Xepa. Teve tempo para se preparar para esta icônica personagem?

Foi realmente tudo muito rápido. Saí de Balacobaco e tive 10 dias para me preparar, estudar, tudo. Passei o carnaval mergulhada em vídeos do Youtube. Vi tudo o que era sobre São Paulo, o Brás, a Mooca, os imigrantes. Fiz uma união disso tudo e me preparei para interpretar a Xepa. Espero que ela esteja bem construída, porque temos um autor, uma direção e um elenco excelente, de mestres. Para mim, já está sendo incrível.  

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- Foi uma surpresa ser protagonista aos 60 anos?
Foi, mas digo que o mais importante é representar essa personagem tão rica e tão importante, tão brasileira como a Xepa. Ela representa a mulher brasileira, feirante, que foi abandonada pelo marido e é obrigada a cuidar dos filhos. Ser protagonista aos 66 anos não bate mais o coração, como ocorria antigamente. Fico feliz pelo papel.

- E o que pode adiantar da personagem?
O nome dela é Carlota Losano e o apelido Dona Xepa veio pelo fato de ela distribuir restos de comida aos pobres em sua barraca de feira. Ela é abandonada pelo marido (José Dumont) e cuida sozinha dos filhos. Enquanto a Rosália não vale nada, o Édison sente vergonha de se sentir constrangido a presença da mãe porque ela não tem estudo.  Ela é uma bronca, ignorante, engraçada e autentica. Espero que o público crie empatia com ela.
-  Embora seja um remake, a novela aparenta ser bastante atual pra os dias de hoje...
É uma nova atemporal, ao contrário por exemplo da Guerra dos Sexos (remake da Globo). A Dona Xepa retrata um lado do universo feminino, que é muito comum em nossa sociedade. Das mulheres que ficam encarregadas de cuidar dos filhos, depois de se divorciarem ou serem abandonadas pelos maridos. O que fica de reflexão é que essa mulher se dedica tanto aos filhos que se esquece dela mesma.
-  O que você está aprendendo com a Xepa?
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Sabe, tenho muito de Xepa. Sou uma lutadora, tenho balacobaco, sou guerreira. Criei minha filha (Leandra Leal) praticamente sozinha durante um tempo e superei. Além disso, sou popular e é esse o meu jeito natural de ser. Esses dias eu vi um homem de terno sair do carro e outro mais humilde dizer “bom dia” para ele. Mas ele passou reto, não respondeu nada. Nossa, me deu vontade de chorar... Ele não sabe o que está perdendo.
- Qual foi a cena que mais gostou de fazer até agora?
Gostei da cena do assalto a casa dela. Ela é assaltada três vezes e diz: “Peraí, é um self service ?” (risos). Foi um texto de três páginas e foi um teste para ver se eu estava afinada com a decoração. Foi uma emoção só contracenar e falar tudo sozinha, enquanto o assaltante ficava quieto. Para mim foi essa cena marcante, mas para os telespectadores podem ser outras. Temos cenas marcantes com a filha e engraçadíssimas com a vizinha, que é amiga e feirante, mas que sempre tem algumas brigas.
- Dedica Dona Xepa para alguém?
Dedico a Yara Cortes, que fez a primeira Dona Xepa (em 1977 pela Rede Globo), Alda Garrido, que interpretou a primeira Dona Xepa no Teatro Rival, e a mulher brasileira. Que Deus me ajude a realizar esse trabalho!
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About Neto Lucon

Jornalista. É formado pela Puc-Campinas e pós-graduado em Jornalismo Literário pela Academia Brasileira de Jornalismo Literário. Escreveu para os sites CARAS Online, Virgula e Estadão (E+), Yahoo!, Mix Brasil, no jornal O Regional e para a revista Junior. É autor do livro-reportagem "Por um lugar ao Sol", sobre pessoas trans no mercado de trabalho. Tem quatro prêmios de jornalismo, sendo dois voltados para as questões trans, Claudia Wonder e Thelma Lipp

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