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Renata Bastos remonta performance histórica de Claudia Wonder em festa; crítica será sobre Feliciano, dízimo e ataques

Renata Bastos vai reproduzir cena de Claudia Wonder na banheira

Artista que transita em diversas artes, Renata Bastos terá um dos grandes momentos de sua carreira neste sábado [1º]. Tudo porque a atriz, modelo, dançarina e hostess fará uma homenagem à Claudia Wonder [1955-2010] e reproduzirá a icônica cena da banheira na performance O Cuspe do Mytho [nome de um soneto de Glauco Matoso], no coquetel de lançamento do filme Meu Amigo Claudia, no Club Yatch, em São Paulo.

O número artístico - realizado pela primeira vez na casa Carbono 14 com o desfile da Isabelle Van Oost e consagrado no subsolo do Madame Satã nos anos 80 - criticava o preconceito contra pessoas com aids, chamada na época de peste-gay. Nela, Claudia se jogava nua em uma banheira com sangue, esborrifava o líquido sobre o público – groselha, no caso – e entrava para a história ao mesclar arte, transgressão e militância.


De acordo com Renata, o convite surgiu por meio da diretora artística Suzy Capó e causou grande espanto no primeiro momento. “Quando a Suzy me convidou, fiquei com medo. Afinal, Claudia é musa, uma pessoa muito forte, uma grande referência para mim e que não dá para ser comparada. A performance é de 82 e eu nasci em 82. Portanto, é um flashback, uma homenagem, mas não é uma réplica”, explica artista com modéstia.

Dentre as novidades, Renata afirma que não se banhará em uma banheira de sangue e que, agora, fará uma crítica atual [bem no estilo Wonder] sobre religião, o presidente da Comissão de Direitos Humanos, Marco Feliciano, agressões homofóbicas, casamento gay e preconceito. Ela contará com a música Barra Pesada, na voz de Claudia, remixada e restaurada por Laura Finocchiaro especialmente para a noite. 
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Claudia na banheira de groselha do Madame Satã em 1982

“Pensamos nos paradigmas de hoje e reformulamos algumas críticas dos anos 80. Vou entrar no palco de noiva e nua, com um dildo na mão e uma lâmpada na outra, para falar sobre as agressões que os gays sofrem e sofreram na Avenida Paulista. Já na banheira - a surpresa - me banharei com moedas, simbolizando o dízimo das igrejas. Por fim, vou levantar uma placa em que estará escrito 'Claudia Wonder Me Representa', frase que vemos na negativa com o Feliciano. Será bastante emocionante”.

Realizada por fazer a homenagem e por também ver o seu trabalho de 15 anos de noite ser reconhecido, Renata adianta que só conseguirá explicar o que está sentindo ao fim da performance. “Chego a ficar com lágrimas, afinal conheci a Claudia, vi alguns shows com a banda, assisti ao filme do Dácio [Pinheiro] e, quando comecei a rever as imagens dela, a história dela, ver as pessoas comentando, como o Zé Celso, foi bem forte. Talvez só saberei expor com palavras o que estou sentindo quando levantar a placa”.

Sobre o que Claudia representa em sua vida, a artista diz: “Claudia me inspira, principalmente porque não se fechou em um gueto. Era um ícone, fugia dos estigmas, era punk, cantora e isso chama atenção até hoje. E este é um nicho que eu gosto muito, afinal apesar de estar inserida no contexto gay, também não me fechei neste universo. Assim como ela, tenho essa necessidade de invadir outros lugares, de não ficar reclusa somente em boate LGBTS”.

O Club Yatch está localizado na rua Treze de Maio, 703, Bela Vista, São Paulo. Também não deixe de assistir ao filme Meu Amigo Claudia, que está em cartaz no cinema do Shopping Frei Caneca, em São Paulo, às 22h.
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Renata: "Claudia me inspira porque não se fechou em um gueto"
Jornal falando sobre o show Vômito do Mito

About Neto Lucon

Jornalista. É formado pela Puc-Campinas e pós-graduado em Jornalismo Literário pela Academia Brasileira de Jornalismo Literário. Escreveu para os sites CARAS Online, Virgula e Estadão (E+), Yahoo!, Mix Brasil, no jornal O Regional e para a revista Junior. É autor do livro-reportagem "Por um lugar ao Sol", sobre pessoas trans no mercado de trabalho. Tem quatro prêmios de jornalismo, sendo dois voltados para as questões trans, Claudia Wonder e Thelma Lipp

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