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Sósia Marcela do Nascimento revela curiosa relação com Maria Bethânia


A transformista Marcela do Nascimento trabalhava na banca de jornal do pai na adolescência, quando foi paquerada e presenteada por um homem mais velho. Ele havia deixado escondido um LP com o telefone dentro para que o jovem entrasse em contato após o expediente. Ao rasgar o embrulho, lá estava: “Maria Bethânia, Olhos nos olhos”.

“Não conhecia e nem gostava. Mas quando escutei, comecei a ficar enlouquecida com aquela voz maravilhosa”. O garoto tornou-se fã e mal sabia que anos depois se tornaria a sósia oficial – e mais requisitada - da cantora.



Por volta dos 16 anos, foi incentivado por amigos cabeleireiros a se montar. Com uma peruca e vestimentas femininas, todos ficaram espantados com a inegável semelhança com a Abelha Rainha. Diziam: “É a Maria Bethânia que está aqui”. Mesmo sem ter assistido a um show da cantora, diziam até que os gestos estavam perfeitos.

As primeiras apresentações como sósia ocorreram na Nostro Mondo. “A gente fazia um ensaio-teste nas quartas-feiras para a matinê de domingo. Fui com um vestido roxo horroroso [risos] e, naquele primeiro teste, já fui contratada”.

Marcela ostenta cabelos naturais e faz um impecável trabalho de figurino e maquiagem. “Não ensaio. Tudo acontece naturalmente, é uma mágica”, reflete.



Marcela, Sylvetty Montilla e a cover de Alcione 

Elogiada, a artista participou de inúmeros programas de televisão e concursos de sósias. “Ganhei os concursos do Raul Gil, do Silvio Santos...”. Não poderia ser diferente: quem vê Marcela logo fala que é Bethania. Durante uma apresentação, Rita Lee deu o seu parecer para a sósia: “Marcela, você é mais Bethânia que a própria Bethânia [risos]”.

Hoje, presença em vários shows da artista oficial [com direito a cadeira reservada], a sósia tem uma relação curiosa com sua musa. “Ela me respeita, pois sabe que não faço uma caricatura. Outro dia, falou que meus cabelos estavam brancos com os dela, ficou aquela coisa no ar, mas nunca comentou sobre o meu trabalho. O irmão diz que ela gosta, mas ainda não tive coragem de aparecer montada em nossos encontros. Tenho muito respeito”, frisa.

Sobre o homem apaixonado, que moveu sua carreira com o presente, Marcela diz que chegou a sair algumas vezes, mas logo depois perdeu o contato. “Ainda tenho o LP com o número do telefone, mas nem deve ser mais o mesmo. De qualquer forma, fica a lembrança de alguém que marcou a minha vida profissional para sempre”. 

* Este perfil, escrito por Neto Lucon, esteve na revista Júnior, número 13, na matéria "Além do Ctrl+C - Não basta ser parecido. Trabalho de covers e sósias é uma entrega de vida". 

About Neto Lucon

Jornalista. É formado pela Puc-Campinas e pós-graduado em Jornalismo Literário pela Academia Brasileira de Jornalismo Literário. Escreveu para os sites CARAS Online, Virgula e Estadão (E+), Yahoo!, Mix Brasil, no jornal O Regional e para a revista Junior. É autor do livro-reportagem "Por um lugar ao Sol", sobre pessoas trans no mercado de trabalho. Tem quatro prêmios de jornalismo, sendo dois voltados para as questões trans, Claudia Wonder e Thelma Lipp

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