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'Dilma sapatão, põe ordem na Comissão', ganha grito na Parada Gay de São Paulo

Maite Schneider e Carla Hellen brilham na Parada do Orgulho Gay

Parecia que a chuva e o frio fossem atrapalhar a 17ª edição da Parada do Orgulho Gay, em São Paulo, neste domingo [2]. Porém, assim como nos últimos anos, o tempo nublado até intimidou, mas não foi motivo suficiente para que milhares de pessoas deixassem de se reunir, dançar e reivindicar, desta vez em prol do grito “Para o armário, nunca mais! União e Conscientização na Luta contra a Homofobia”.


É claro que o close, a diversão e as bebidas predominaram, principalmente nos trios elétricos. Mas houve também figurinos criativos, artísticos e até – olhem só – manifestações de militância. Nós, do NLucon, engajamos em um iniciativa divertida e política ao lado de cinco ativistas, que manifestavam com cartazes coloridos as suas mensagens, fazendo um arco-íris de informação.

A jornalista Melissa de Miranda chamou atenção com a frase “Ô, Dilma sapatão, põe ordem na comissão” e atraiu olhares, risos e incentivos sobre a Comissão de Direitos Humanos, presidida por Marco Feliciano. O universitário Alex Brito levantou outra questão: “Fácil é brigar com bicha, difícil é combater o tráfico e a pedofilia”. 

Já este jornalista que vos escreve relembrou o caso de Alexandre Ivo, que foi morto aos 14 anos, vítima de homofobia. Uma maneira de personificar, não esquecer as várias mortes motivadas por ódio à diversidade sexual e desmistificar a ideia de que a Parada é apenas um carnaval fora de época. Muita gente leu os cartazes e expôs as suas opiniões. 
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Outros cartazes foram erguidos pelo público, tais como uma curiosa manifestação de punks e skinheads a favor da diversidade sexual. Em um dos carros, gritaram “Marco Feliciano, tira o seu cabelo do armário. Você é negro e não deveria manifestar tanto ódio aos negros e homossexuais”. Em meio ao som, que ia de Xuxa, música eletrônica, Florence, MC Anita ao samba, o público aplaudiu.
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Avatar trans atira flecha contra o preconceito

Se em todos os anos as drags roubaram a cena e tornavam-se destaque dos portais e jornais de todo o Brasil, neste não poderia ser diferente. Coloridas, sorridentes e surpreendentes, elas vieram com figurinos impecáveis, inéditos e de grande criatividade. Arte LGBT pura!

Entre inúmeras que passaram pela Avenida Paulista, estiveram a fantástica e inteligentíssima Dindry Buck – destaque da feira do Anhangabaú , com o workshop Linha de Montagem: nasce uma Drag Queen- e sósias de Ana Maria Braga, Dilma Rousseff e Amy Winehouse.

Pouco atrás do trio, um grupo se reunia em volta de outra figura inusitada: um participante vestido de Avatar rosa, inspirado no filme homônio ganhador do Oscar de Melhor Filme, em 2010. Ele se protegia da chuva – para não derreter a cuidadosa maquiagem – e atirava uma flecha certeira contra o preconceito.
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 Na ala das travestis e transexuais... 

Ousadia, bom gosto e beleza não faltaram. Assim como adiantou ao NLucon, a atriz e militante Kimberly Luciana Dias caprichou no visual. Com o figurino Esplendor da Diversidade, ela apareceu com um vestidinho curtíssimo e uma coroa, ambos repletos de pedraria colorida. Bianca Mahafe – que no último ano veio vestida de Dilma Rousseff - apostou na icônica Elvira no look de 2013.

Já a atriz Maite Schneider recebeu inúmeros elogios ao aparecer metade gentleman e metade femme fatale, reascendendo o debate sobre identidades de gênero. Ela esteve no mesmo carro que a modelo e dançarina Viviany Beleboni, que na noite anterior agitou o palco da Flexx e esteve animadíssima [e diga-se linda] logo pela manhã da Parada.

O ícone Marcinha do Corinto roubou a cena do carro em que estava a Ministra da Cultura, Marta Suplicy, e o deputado Jean Wyllys. Também esteve em um trio a pedagoga e militante Janaina Lima – que fez história na militância de Campinas e que atualmente trabalha no Centro de Referência da Diversidade, em São Paulo. Beleza e inteligencia trans muito bem representadas!
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Viviany Beleboni representou beleza trans
Janaina Lima e amiga, Maite Schneider quebra paradigmas da identidade de gênero
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 Daniela Mercury dá beijo em sua Malu

No grupo dos famosos, Daniela Mercury foi pela primeira vez à Parada e, de quebra, levou a sua mulher, Malu. Ela cantou o Hino Nacional, mandou mensagens de amor e, para o delírio do público, deu um beijo lésbico no palco. “A gente só quer igualdade, respeito. Qualquer forma de amor, valerá”, disse para os velhos e novos fãs, que choraram ao escutar os hits da artista.

Em entrevista ao Fantástico, da TV Globo, que fez a cobertura do evento, ela anunciou que pretende se casar no civil.

A jornalista e apresentadora Regina Volpato - da versão soft do Casos de Família e do extinto Manhã Maior - foi assediada pela comunidade gay em um dos carros e distribuiu sorrisos. Em recente entrevista ao NLucon, Regina contou que sempre viu a diversidade sexual com naturalidade. 

“Meus pais sempre tiveram amigos gays e isso nunca foi uma questão para mim. Não deixo de gostar ou gosto mais de alguém porque ela é gay ou hétero. Gosto de uma pessoa pelo caráter, não pela sexualidade", disse ela, que é a favor de todos os direitos ao público LGBT. 
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No show de encerramento, a cantora Ellen Oleria, vencedora do reality show The Voice, cantou e animou quem “sobreviveu” ao longa caminho. Assim como Mercury, Ellen beijou a namorada e disse que o “amor venceu a guerra”.

Vale lembrar que o prefeito de São Paulo Fernando Haddad esteve na abertura do evento e fez um discurso em prol das manifestações LGBTs. “Assim como os homossexuais, os judeus, os cristãos, os negros e as mulheres já tiveram que defender os seus direitos ao longo da História. Existe amor em São Paulo. Vamos lutar contra toda forma de intolerância. Viva São Paulo na luta pela liberdade”.

Dentre muitos beijos gays, lésbicos e héteros - e apesar das várias autopromoções, da alegria temporária, chuva e excessos [muito bem expostos pelo texto da ativista Lirous K'yo Fonseca, publicado em nossa página, sobre a Parada de Florianópolis]- houve bons motivos para comemorar. Viva a Parada! Viva São Paulo! 
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Gay homenageiam Lacraia e Amy Winehouse / Marcinha leva Mister Mundo 2013
Kimberly, nossa colunista, em foto do site UOL

About Neto Lucon

Jornalista. É formado pela Puc-Campinas e pós-graduado em Jornalismo Literário pela Academia Brasileira de Jornalismo Literário. Escreveu para os sites CARAS Online, Virgula e Estadão (E+), Yahoo!, Mix Brasil, no jornal O Regional e para a revista Junior. É autor do livro-reportagem "Por um lugar ao Sol", sobre pessoas trans no mercado de trabalho. Tem quatro prêmios de jornalismo, sendo dois voltados para as questões trans, Claudia Wonder e Thelma Lipp
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