Pride

Em manifestação, Esquadrão das Drags promove Cura da Homofobia

[Esquadrão das Drags / foto: Rodolfo José Alves]

“Vem , vem, vem pra rua, vem sem preconceito!”. Mais de quatro mil lésbicas, gays, héteros, drags, travestis, transexuais e bissexuais gritaram na tarde desta sexta-feira [21], em São Paulo, contra o projeto da “Cura Gay”, aprovado pela Comissão dos Direitos Humanos durante esta semana e que tramita na Câmara dos Deputados.
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O projeto visa mudar a decisão do Conselho Federal de Psicologia, que proíbe psicólogos de tratarem a homossexualidade como patologia e de realizar terapias para tentar alterar a orientação sexual.

Com uma manifestação absolutamente pacífica, o grupo saiu da Praça Roosevelt, no centro, e caminhou pela Avenida Paulista, fazendo pausas para discursos de que o amor não é doença e que o preconceito é que deve ser tratado e combatido.

 “Sou pintosa, sou sapatão, sou travesti e luto contra a repressão”, cantava o público, com batuque e a alegria já esperada, mas com a consciência dos direitos humanos a serem conquistados.

Em muitos cartazes, os manifestantes criticavam o cargo do pastor Marco Feliciano na presidência da Comissão dos Direitos Humanos. “A doença do Brasil é você, Feliciano”, trouxe a modelo trans Viviany Beleboni. Outro grito anunciava: “Cura o c%$#*$, Feliciano sai do armário”.

"Doença é não aceitar as diferenças. Se ser diferente é ser anormal, então todos nós nos mataríamos, pois ninguém é igual a ninguém. Deus nos deu a vida para que cada pessoa cuide da sua. Só ele pode julgar", defendeu Vivi. 

Cartazes contra Marco Feliciano [foto: Gabriela Lie]
Tchaka Drag Queen e Viviany [arquivo pessoal]

A CURA DA HOMOFOBIA

Coloridíssima, inteligente e engajada, Dindry Buck esteve com o Esquadrão das Drags, formado por Send Buck, Nina Ca$h e Sissi Girl, e propôs, em contraponto a “Cura Gay, a inteligente Cura da Homofobia”. Com olho roxo e lágrimas, cada uma recebeu em suas veias um soro anti-homofobia de... AMOR!

Pela criatividade, elas foram aplaudidas pelo público, fotografadas as pencas e deixaram a mensagem de que só o respeito e o amor podem combater sentimentos tão ruins como o preconceito. “Esquadrão das Drags no combate a homofobia”, encerrou Dindry, soltando papeis prateados ao alto.

A última parada da manifestação foi no Masp, onde houve diversos tipos de manifestações. Enquanto alguns casais gays se beijavam, a drag Tchaka ergueu uma grande bandeira do arco-íris e foi aplaudida pela presença marcante e importante em todas as passeatas.

A trans Cássia Mello surpreendeu ao exibir um corpo desnudo, com apenas uma pomba pintada. “Você é mulher ou trans”, perguntou um curioso. “Sou os dois, né, querido?”, respondeu ela com um sorriso, tornando-se a atração de muitos fotógrafos.    

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Manifestantes tomam Avenida Paulista [Gabriela Lie]
Esquadrão das Drags tiram fotos com manifestantes [Gabriela Lie]

EXEMPLO

Sem excessos, a manifestação foi considerada exemplo pelos integrantes. “O que estamos fazendo é um exemplo para São Paulo, para o Brasil e para o Mundo. Estamos gritando que não precisamos de cura”, disse um manifestante, cujas palavras eram repetidas por todos que estavam sentados ao chão.

“Eu amo homem, amo mulher, tenho direito de amar quem eu quiser” foi a mensagem da noite. Uma mensagem de amor, de respeito e de direitos. Anotou?
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Cássia Mello: "Meu corpo, minhas regras" [Gabriela Lie]
Leona Top Fluor [direita] e outras drags se manifestam [arquivo pessoal].


About Neto Lucon

Jornalista. É formado pela Puc-Campinas e pós-graduado em Jornalismo Literário pela Academia Brasileira de Jornalismo Literário. Escreveu para os sites CARAS Online, Virgula e Estadão (E+), Yahoo!, Mix Brasil, no jornal O Regional e para a revista Junior. É autor do livro-reportagem "Por um lugar ao Sol", sobre pessoas trans no mercado de trabalho. Tem quatro prêmios de jornalismo, sendo dois voltados para as questões trans, Claudia Wonder e Thelma Lipp

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