Pride

De onde veio o “Close” de Roberta Close?


Mulher transexual mais famosa do Brasil, a modelo Roberta Gambine Moreira é conhecida como a estonteante Roberta Close. Mas de onde surgiu esse marcante sobrenome, que estampou capas de revistas de todo o mundo, se tornou tema da música “Close”, de Erasmo Carlos, e o título do programa de entrevistas “Big Close”, da Manchete?

Conforme o Nlucon apurou, o sobrenome surgiu de uma extinta revista homônima, da editora Vecchi, que colocou Roberta pela primeira vez na capa em 1981. Na biografia “Muito Prazer, Roberta Close”, a escritora Regina Rito diz que Roberta tinha apenas 17 anos quando fotografou para “Close”, usando apenas uma calcinha branca e escondendo parte do rosto. Um verdadeiro boom.

Nas chamadas da revista, que custava Cr$300.00 e era destinada a maiores de 18 anos, estavam: “Bissexualismo: um novo conceito de sexualidade”, “Travestis: os homens querem é dar para a gente”, uma entrevista com Lady Francisco e uma frase de Roberta: “Desisti de ser homem aos 14 anos”. Foi uma das poucas publicações a dar espaço para mulheres trans na capa. 

“Depois da revista, participei de um baile de carnaval e as pessoas não sabiam me identificar. Perguntavam: ‘Quem é aquela morena e alta que está ali?’ E diziam: “É a Roberta da revista Close’, ‘É a Roberta da Close’, até que ficou ‘A Roberta Close’. Meu nome veio daí, da revista”, declarou a artista em uma entrevista a Marília Gabriela nos anos 90.

Primeira revista que Roberta Close foi capa, em 1981
Outras publicações da Close

 Desde então, todos deram “um close nela”, como é o refrão da música, e Roberta estampou a revista Playboy, Ele&Ela, Sexy, Contigo!, Pasquim, Manchete, estrelou comerciais, fez novela, filme, peças de teatro, rodou o Brasil e o mundo. De acordo com a revista Flashback, que selecionou as 80 mulheres dos anos 80, Roberta é a mulher mais importante da década.

A biografia dá conta, todavia, que em Zurique, na Suíça, onde mora com o marido Roland Grãnacher, o ícone da beleza brasileira não adota nem Roberta e nem Close em sua vida social. Lá, é conhecida como Luiza Gambine, que é o equivalente ao nome masculino que tinha anteriormente.

“Luiza fala de Roberta como se ela fosse um personagem, alguém com quem aprendeu a conviver desde 1981 [...] Na porta do seu apartamento, tem uma placa com o nome de Luiza Gambine, registrada pela prefeitura”, descreveu a autora.

Quem diria que de um sobrenome que está na boca do povo tivesse tanta história por trás, né?

A mais bela mulher dos anos 80. Dá um close nela!

About Neto Lucon

Jornalista. É formado pela Puc-Campinas e pós-graduado em Jornalismo Literário pela Academia Brasileira de Jornalismo Literário. Escreveu para os sites CARAS Online, Virgula e Estadão (E+), Yahoo!, Mix Brasil, no jornal O Regional e para a revista Junior. É autor do livro-reportagem "Por um lugar ao Sol", sobre pessoas trans no mercado de trabalho. Tem quatro prêmios de jornalismo, sendo dois voltados para as questões trans, Claudia Wonder e Thelma Lipp

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