Pop & Art

Artistas manifestam de maneira diferente no interior de São Paulo

Magna, Tiago, Renan, Rafael, Viviane e Suely
O Brasil acordou e está em período de manifestações, cobranças e reclamações em prol de melhorias na política, saúde e educação. Em Santo Antonio de Posse, um grupo de artistas resolveu manifestar de uma maneira diferente: com arte, PROPONDO e organizando a 1ª Mostra de Teatro da cidade, que ocorre entre os dias 26 e 28 de julho. 

A cidade, que carece de eventos culturais, não tem sequer um teatro e nunca teve um evento deste porte.

A mostra contará com sete apresentações artísticas, encenadas em pontos populares [como a Praça Central, União Possense, Feira da Cidade e Rua Dr. Jorge Tibiriçá] e receberá mais de 50 de companhias teatrais de Jaguariúna, Amparo, Campinas, Mogi Guaçu e São Paulo. Além disso, proporcionará aos jovens interessados em arte três oficinas.

O projeto artístico e voluntário foi organizado pela atriz possense Viviane Palandi, pelo ator Rafael Masotti, pelos ex-integrantes do grupo Rhizart [primeiro grupo de teatro de Posse, atualmente sem atividade], Renan Diniz e Suely Ferreira, e pelos convidados Magna Miranda, Tiago Bassani e Neto Lucon. 

Abaixo, um bate-papo com todos os envolvidos:

- Como surgiu a ideia da Mostra de Teatro na Cidade? 

Viviane: Já pensava neste projeto desde quando o grupo Rhizart terminou e desde quando fui para São Paulo para trabalhar como atriz. Na época, não tinha experiência para oferecer um projeto tão grande, mas toda vez que eu voltava, sentia a necessidade de promover algum evento artístico teatral em Santo Antonio de Posse.

Rafael: Em uma conversa informal, ela mencionou essa vontade e eu incentivei.

Viviane: Não porque a cidade precise, mas porque, como artista inquieta, senti a vontade de promover algo. E, quando se trata da nossa cidade natal, o sentimento de promover e realizar tem uma emoção familiar, caseira... Eu e o Rafael convidamos outras pessoas, que logo aceitaram, e a força do coletivo deu corpo para a Mostra.

- O que motivou a todos se engajarem voluntariamente? 

Rafael: Estamos em uma fase de manifestações em todo o Brasil e, neste sentido, mais que manifestar, estamos querendo produzir e oferecer algo. Afinal, ao invés de adotar o discurso de que a Posse não tem nada, colocamos em questão: O que temos a oferecer para a cidade?

Magna: Sei do sonho da Viviane, que sempre quis fazer muita coisa legal aqui. E me envolvi porque a cidade precisa de mais eventos culturais, abrir a mente desse garotada, fazê-la enxergar coisas importantes. Trazer realmente o que representa a arte, que vai muito além da televisão, da novela, do programa de auditório. Arte é algo muito mais profundo, que mexe com o coração, o espírito e que traz tanta coisa boa.

Renan: Mais que abranger o público que já conhecia o Rhizart, vamos alcançar as novas gerações, que buscam eventos e cultura teatral dentro da cidade.


- Na opinião do grupo, Santo Antonio de Posse carece de cultura? 

Viviane: Levei a discussão do que é cultura desde a primeira conversa. A cidade promove cultura? Claro! Afinal, onde há seres humanos, há cultura, há artesanato, há pensamento, há literatura, há pintura, há comidas... Agora, se pensarmos em eventos culturais – tais como uma exposição de arte, shows, exposição de livros, teatro – a cidade proporcionou ou proporciona em pequeno porte e, é importante, eu acho, que haja a manutenção do projeto para que faça parte da programação cultural, seja visto e reconhecido pelas cidades vizinhas, seja visitado, gere intercambio. Tanto que a cidade ainda não tem um Centro cultural.

Sueli: Temos importantes projetos, como o Guri e um movimento de teatro na escola, mas precisamos de um evento do porte desta Mostra, que forme uma ideia, que estimule e que seja frequente. Quando o grupo Rhizarte surgiu há quase 17 anos, tratava-se de um grupo de jovens da comunidade cristã que se propôs a fazer algo – e de fato fizemos um trabalho que ficou marcado na história da cidade. E, hoje, temos novamente a mesma história, pessoas que estão dispostas a fazer algo para a cidade. No caso, querem promover o teatro.

- Foi fácil promover a Mostra? Quais são as dificuldades que vocês enfrentaram e enfrentam? 

Viviane: A Prefeitura está financiando a maior parte do projeto mas ainda temos recursos a serem captados porque tudo custa, né? Mas o maior valor é a disponibilidade, o pensamento e o esforço das pessoas. Construímos uma identidade, um projeto, por meio de um trabalho gratuito. Todos aceitaram trabalhar sem receber até o fim de julho.  Por qual motivo? Sinto que é por amor à cidade, só pode ser isso. Os grupos de teatro que vão participar vão receber um subsídio, custeado pela Prefeitura Municipal. Os outros gastos estão sendo custeados por comércios locais, que estão encarando tudo como uma parceria, através do movimento que chamamos de “Amigo da Mostra”.

Renan: Conseguimos as camisetas, faixas e banners, tudo como doação. O que a gente pagou foi a gráfica, mas recebemos um grande desconto. Todos apoiaram a ideia.

- Como foi a escolha das peças e apresentações? 

Suely: Fui a primeira a levantar a questão de não colocar nada muito forte, experimental. Por mais que o Rizharte tenha começado com o Pluft, o Fantasminha e tenha terminado com “Ensaio sobre a loucura”, há um espaço de tempo muito grande sem um movimento teatral. Decidimos trazer obras populares, que as pessoas gostem, curte e se divirtam. Um exemplo é o grupo Arteatrando, de Amparo, que trará um texto de Ariano Suassuna. Optamos por algo popular e com viés artístico, com boa produção, atores e diretores.

Rafael: Acima de tudo, são espetáculos que a gente conhece, gosta e acredita. . Afinal, não adianta trazer espetáculos que a cidade não vai gostar e que só a gente goste. Com esse pensamento, decidimos levar também para pontos populares. Ou seja: na rua Dr. Jorge Tibiriçá, na praça central e no União Possense. Todos terão acesso.

O Auto da Boa Preguiça
- Os ex-integrantes do Rhizart vão atuar?

Vivi: Neste primeiro momento, não. A Suely levantou essa possibilidade, mas já percebemos que produzir a Mostra já necessitaria de uma grande disponibilidade. E prezamos pelo profissionalismo neste aspecto. Focamos na produção com caráter profissional, com documentos registrando todo o percurso da produção, logo visual, e até um teaser...

Tiago: Produzi um teaser com olhar poético, em cima de um poema escrito pela Viviane e o Rafael, inspirados no Hino de Santo Antonio de Posse. Por meio dele, desenhei alguns pontos da cidade que fossem comuns a todos. Ele vai contribuir para o material gráfico e de divulgação.

- O que as pessoas falam nas ruas sobre o pioneiro evento de teatro?

Suely: Estão felizes, acham a iniciativa bacana e perguntam logo se é algo isolado ou se vai acontecer nos próximos anos. E a ideia é justamente essa: que nos próximos anos apareçam pessoas que queiram continuar o trabalho. Todos estão ansiosos e querendo saber o que vai acontecer.

- Muitos atores sentem frio na barriga antes de entrarem em cena em um espetáculo. Quais são os sentimentos de estar na produção?

Viviane: Na verdade, é um prazer e um tesão. Para mim, produzir é também um meio de estar em cena, porque estamos nos comunicando. Estar em cena não é um fim, é um meio.


SAIBA QUAIS, ONDE E QUANDO OCORRERÃO AS APRESENTAÇÕES

A abertura oficial vai ocorrer na sexta-feira (26), com um Cortejo Cênico, em que artistas e o público vão atravessar a Avenida Dr. Jorge Tibiriçá para uma grande homenagem ao teatro e os seus artistas. Logo depois, às 20h30, a Cia Arteatrando, de Amparo, vai encenar o primeiro espetáculo popular da Mostra, O Auto da Boa Preguiça.

No sábado (27), a personagem Angumercinda, do Grupo Já de Teatro, de Jaguariuna-SP, estará circulando pela feira da cidade, divertindo e levando arte para as ruas. Às 16h, o espetáculo circense Caravana Roliday, da Cia Tomara que Não Chova, de Campinas, SP, se apresentará na Praça Central. E às 21h, o grupo Quizumba, de São Paulo, fará apresentação mesclando teatro, dança, jogo e capoeira no Clube União Possense.

Já no domingo (28), duas apresentações agitarão a tarde e a noite na Praça Central. O grupo AIVU teatro fará a contação de história às 14h. E o espetáculo de circo O Papa-Defunto, do Grupo Já de Teatro, se apresentará às 21h, finalizando as apresentações da Mostra. Vale lembrar que os espetáculos encenados no Clube União Possense estão sujeitos a lotação e que os ingressos serão vendidos uma hora antes de cada espetáculo.

AS OFICINAS

OFICINA-MONTAGEM Cortejo Cênico
Data – 26 de Julho, sexta-feira, das 10h as 13h
Oficineiros:  Integrantes do Grupo Rhizarte

DESPERTAR CLOWN – a arte do palhaço
Data – 27 de Julho, sábado, das 13h as 15h.
Oficineiro: Marcelo Masselani

JOGOS TEATRAIS
Data – 28 de Julho, domingo, das 10h as 12h.
Oficineira: Maria Angélica Urbano

As inscrições para as oficinas Despertar Clown e Jogos Teatrais podem ser feitas na Biblioteca Municipal, de segunda a sexta-feira, a partir do dia 1º de julho e fica até o dia 25. A princípio, cada participante poderá inscrever-se apenas em uma oficina, porém, havendo vagas remanescentes, os interessados terão a possibilidade de participar das duas oficinas.  Todos os alunos e novos atores receberão certificados.

APOIO
O Projeto Artistico Cultural “ I Mostra de Teatro de Santo Antonio de Posse” tem o Apoio Cultural da Prefeitura Municipal de Santo Antonio de Posse.

PATROCINADORES
União Possense Futebol Clube, Segforce – empresa de vigilância e segurança, Rancho do Totó, SF confecções, Kaliente Sex Shop, Officina.com, Propagcom, Varejão do Fio, Rádio Jovem Sertaneja.

AMIGOS DA MOSTRA
Artigrafica, Academia Boa Forma, Pedrinho Baracat, César Danilo Sanches, Alfredo Aparecido de Souza, Carlos Roberto Ortiz de Campos Filho, José Fernando Serra, Paulo José Rodrigues de Souza, Nilson Jorge, Luis Cláudio da empresa Kibela cosméticos Ltda, Algodão doce moda infantil, Claudio Edmur Moretto, Luis Fernando Palandi, Depósito Bolão Gás, Arco-íris, Supermercado Picolomini, Panificadora Lanchonete Nacional, Campo Verde Santo Antonio Agropecuária, Carol Cestas e chocolates, E. Ferro Móveis, MS Agropet, Antonio Natal Recco, KM MODAS, Bazar Bazzani, Mega Stillus, Denirce Nascimento, Vizzual Modas, Delta Modas Multimarcas, Utimix, C. B. Suate Transportes, Dr. Adolpho Bergo Lala, 4 Estações,  Lojão do Construtor, Ricardo Cortez, Carlos Alberto Ferraciolli ME, Varejão do IPA, Dr. Adalberto Bergo Filho, Ednei Rodrigues Silva, João Messias Mariano, Dr. Rafael Lanzi Vasconcellos, Valdemir Lopes da Silva, Alexandra Maria da Rosa, Flor de Filó, Café com Paçoca, Mariana Masotti, Jessica Azevedo, Sra. Cássia, Maria de Lourdes da Silva, Alcides Recco, Julio Moraes e Aline Nêmessys, Roberto Trentin ME.

Angumercinda vai circular pela Feira da Cidade

About Neto Lucon

Jornalista. É formado pela Puc-Campinas e pós-graduado em Jornalismo Literário pela Academia Brasileira de Jornalismo Literário. Escreveu para os sites CARAS Online, Virgula e Estadão (E+), Yahoo!, Mix Brasil, no jornal O Regional e para a revista Junior. É autor do livro-reportagem "Por um lugar ao Sol", sobre pessoas trans no mercado de trabalho. Tem quatro prêmios de jornalismo, sendo dois voltados para as questões trans, Claudia Wonder e Thelma Lipp

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