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Diretora e atriz trans, Laysa Machado revela 11 segredos de sua vida


A atriz, professora e diretora de escola Laysa Carolina Machado já revelou detalhes de sua vida e carreira no site NLucon, nos jornais Folha de São Paulo, O Globo, nas revistas Contigo!, Sou + Eu, nos programas de Danilo Gentili, de Maitê Schineider e de muitos outros veículos de comunicação de todo o mundo.

Mas quem pensa que sabe tudo sobre a estrela do Paraná se engana. Ainda existem muitas e muitas histórias para a atriz contar e surpreender. Prova disso é que na estreia do 11 segredos, do NLucon, ela revela [quase] tudo o que os admiradores não sabem e que até muitos amigos não cogitam. 

A ideia da coluna, que a cada semana trará uma personalidade diferente, é que algumas boas curiosidades sejam expostas, que haja troca de confidências com os leitores e que novas pautas sejam oferecidas para rodas de conversa e, claro, para a mídia. 

Você sabe, por exemplo, como foi a primeira vez de Laysa após a redesignação sexual? E de um tiro que ela levou em frente de uma balada? Ou talvez da obsessão que ela tinha por atrizes feias? Então, confira esses e outros segredos da primeira diretora transexual do Brasil: 
Foto: Arquivo TV Globo

1º Bafafá na novela da Globo

"Quando dei depoimento para a novela "Viver a Vida", da TV Globo, em 2010, as pessoas ficaram comentando por que não falei que sou trans. Ficaram de cara comigo, mas não falei sobre esta questão porque a Maite Schneider e a Marina Heidel e mais outra trans já haviam falado sobre o tema. Então, foquei na questão social, do início da minha história. Acho que seria óbvio demais falar sobre a transexualidade e nunca fui óbvia”.

2º Chorou de emoção na primeira vez

“A minha primeira vez (pós cirurgia de resignação sexual) foi com um homem que eu encontrei na net. Eu pensei em todas as características que queria num homem: Gentil, educado, loiro, e pouco dotado (tinha medo de doer). Três meses depois, em 2005, perdi a virgindade e foi muito bom. Doeu um pouco, mas ele foi carinhoso e, enquanto me penetrava, eu chorava de emoção, me sentindo uma mulher plena, podendo olhar o homem face a face. Tivemos três encontros, mas descobri que ele era noivo e acabei de vez”.

3º Só amigas

“Nunca tive uma relação sexual com uma mulher, até tentei namorar antes da transformação, mas não rolou”. No curta Marcas da Agonia [foto], todavia, ela interpreta uma lésbica. "O beijo é o único momento de felicidade da protagonista e nos coloca a questão de estarmos ou não preparadas para as perdas". 

4º Love na máfia japonesa

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“Quase fui embora do país com um namorado japonês que era dono de um centro médico em Quebec, no Canadá. Mas descobri a tempo que ele pertencia a máfia japonesa. Cai fora".

 5º Dupla de excluídos na escola

 “O meu primeiro amigo na época de escola chamava Paulo César, éramos muito unidos, pois ele era negro e eu da diversidade, ou seja, totalmente excluídos do contexto escolar. O legal é que a primeira vez que ele me viu trans, houve um estranhamento e ele me ignorou. Já a última, ele estava de carro, passou e deu um sinal com a mão. Estava extremamente emocionado e eu também”

6º A queda pelas "feias"

“Sempre me achei feia. E, desde criança, assistia novelas e torcia por atrizes como Cristina Pereira [foto ao lado], Regina Cazé, Paula Lavigne, que não tinham exatamente  a beleza padrão. Acompanhava e queria que elas terminassem bem. Também adorava assistir a novelas do tipo Bete a Feia, A Feia Mais Bela...

7º Menstruação
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“Fiz a cirurgia de adequação no Brasil, com Jalma Jurado. No outro dia depois da cirurgia, desmaiei oito vezes de tão fraca, sangrei tanto que considero que menstruei pela vida toda”. 

8º Baleada

"Já levei um tiro no braço. Eu estava saindo de uma balada, quando um rapaz que ia atirar no segurança errou e o tiro acertou no meu braço. Tenho o sinal até hoje”


9º Orgasmo, só com amor

“Foi com meu atual marido [foto] que tive orgasmo pela primeira vez”.
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10º Festinha internacional

 “Quando viajei pela primeira vez para a Europa, por meio da ajuda do padre que me acolheu na adolescência, algumas senhoras casadas e professoras fizeram uma festa pra mim. Nela, eu chorava muito, muito, muito, e ninguém entendia nada. Mas eu chorava porque pensava: “Meu país, meu povo nunca vai chegar a este estágio de desenvolvimento”

11º Meus inusitados fãs 

“Depois que minha história veio à tona na mídia tive mais apoio dos chamados heteronormativos, evangélicos, do que a própria comunidade LBGTT. Ah, essa é uma realidade, mas acho que isso você não vai por, né? [risos]”. Vou sim, Laysa, está aí a puxada de orelha! Aliás, para quem não conhece a história da atriz e diretora, confira as reportagens e entrevistas abaixo! 

SEGREDO EXTRA! “Escrevi meu livro chamado S.O.S Socorro, um romance, que meus "inimigos" tem um exemplar até hoje. Na época que fui eleita diretora e ia assumir o cargo, ligaram anonimamente várias vezes dizendo que iam divulgar o livro na bairro. Por que isso poderia me atingir? Na época não havia assumido minha transexualidade completamente e tem eu de ocó [homem] na contracapa. Me ligaram cinco vezes, dei uma bela resposta e nunca mais ligaram para mim ou mostraram o livro [risos]”


About Neto Lucon

Jornalista. É formado pela Puc-Campinas e pós-graduado em Jornalismo Literário pela Academia Brasileira de Jornalismo Literário. Escreveu para os sites CARAS Online, Virgula e Estadão (E+), Yahoo!, Mix Brasil, no jornal O Regional e para a revista Junior. É autor do livro-reportagem "Por um lugar ao Sol", sobre pessoas trans no mercado de trabalho. Tem quatro prêmios de jornalismo, sendo dois voltados para as questões trans, Claudia Wonder e Thelma Lipp

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